Apreciando o mover sutil do Espírito Santo

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por Tony Cooke

Ao escrever esse texto, acabo de concluir o lançamento inaugural do nosso novo seminário, Milagres e Sobrenatural Ao Longo da História da Igreja. Fiquei muito satisfeito com a forma como esse seminário foi realizado e sua carga de estudo foi uma das mais enriquecedoras que eu já fiz. O foco do seminário foi o mover do Espírito Santo ao longo dos últimos 2000 anos, para confirmar a pregação do Evangelho e para edificar a Igreja.

Seguem algumas declarações de alguns dos primeiros pais da Igreja:

  • Justin Martyr (100-165) escreveu: “Os dons proféticos permanecem conosco até o tempo presente” e “é possível ver, em nosso meio, mulheres e homens que possuem os dons do Espírito Santo”;

  • Após mencionar diversos dos mesmos dons do Espírito aos quais Paulo se refere em 1 Coríntios 12, Hilary de Poitiers (310-367) declarou: “Em todos esses dons, a presença do Espírito é manifesta com efeitos concretos. Se os dons são eficazes e benéficos; então, façamos uso de tais dons generosos. Estamos inundados com os dons do Espírito”;

  • Basil de Cesaréia (329-379) disse, “O Espírito está presente na profecia, na cura e em outras manifestações maravilhosas; e todas ainda podem ser encontradas em nosso meio”;

  • Após declarar que, “Até hoje, portanto, muitos milagres continuam a operar”, Augustino (354-430) escreveu, “Eu não consigo recordar todos os milagres que eu vi; e, sem dúvidas, muitos dos nossos adeptos, quando lerem o que eu tenho narrado, lamentarão o fato de eu ter omitido muitos que eles, assim como eu, certamente sabem”.

Ao longo da História da Igreja, o Espírito Santo tem se manifestado para curar, para abençoar, para libertar e para encher de poder. Da mesma forma que é maravilhoso ler a respeito dos “sinais notáveis” de Deus (Atos 4.16), também é importante reconhecer e apreciar o total espectro do mover do Espírito Santo, incluindo sua forma mais sutil de se mover.

Por exemplo, com relação à orientação divina, Kenneth Hagin disse: “A testemunha interior é tão sobrenatural quanto a orientação por meio das visões; somente não é tão espetacular. Muitas pessoas procuram pelo espetacular e se esquecem que o sobrenatural está ali o tempo todo”.

Há muitas manifestações do Espírito que não são classificadas como “miraculosas” por si só, mas elas também são operações do Espírito Santo. Considere a importância do seguinte:  

  • Convicção do pecado que facilita o arrependimento
  • O Novo Nascimento
  • Garantia (O Espírito testemunha com nossos espíritos)
  • Iluminação (O Espírito despertando nossa compreensão a respeito das Escrituras)
  • O preenchimento do Espírito Santo
  • Delegação de autoridade para o serviço
  • Ousadia
  • Consolo divino, Paz
  • Orientação Divina
  • Formação de Caráter (o fruto do Espírito, etc.)
  • Compaixão, Misericórdia, etc. (Romanos 5.5)

Ao invés de terem total apreciação pelo compreensivo trabalho do Espírito, os discípulos tenderam a se focarem em aspectos mais sobrenaturais. Por exemplo, eles ficaram admirados com o fato dos demônios estarem sujeitos a eles ao usarem o nome de Jesus. O Senhor reforçou que a autoridade pertencia a eles, mas falou: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10.20).

Devemos ficar agradecidos por tudo que Deus faz; no entanto, algumas vezes, nos esquecemos do que Jesus disse para não esquecermos – que somos perdoados, purificados e aceitos.

Não deveria haver algo que nos deixasse mais animados do que isso. Talvez, anjos se regozijem quando alguém é curado, aqui, na terra, mas sabemos, com certeza, que eles regozijam quando alguém nasce de novo! Jesus declarou: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15.7).

Johann Blumehardt, um ministro alemão que defendeu a cura divina nos anos 80, fez a seguinte observação a respeito dos milagres:

“Jesus não gostou quando as pessoas ficavam em polvorosa com relação a seus milagres. Ele sempre possuía algo em mente para além dos próprios milagres. Quando Jesus realizava um milagre, o que importava mais a Ele era que isso pudesse despertar um profundo sentimento piedoso. Seus atos de misericórdia eram algo maior – algo que ia além do aspecto temporal. Ele tocava a pessoa interiormente. Todas as Suas palavras e ações vinham direto de Seu coração e tocavam os corações das pessoas, que, em troca, evocavam louvores e glórias a Deus. Em suma, Sua mão poderosa e cheia de cura tornou visível a todos a glória e o amor de Deus”

Quando leio as palavras de Blumehardt, sou lembrado de que Jesus não realizou aleatoriamente obras poderosas para fascinar ou entreter pessoas. Jesus fez o que fez para glorificar a Deus, para validar a veracidade de sua mensagem e para demonstrar a compaixão de Deus.

Milagres, para Jesus, nunca eram um fim em si mesmos. Ao invés disso, eram um meio para um fim.

O propósito de seus ensinamentos não era o de tomar o lugar do Espírito Santo no ministério de cura. Curar os enfermos era algo precioso para o coração de Jesus, e Ele inclusive chamou isso de “pão dos filhos” (Marcos 7.27). Ao contrário, defendo que todo o trabalho do Espírito Santo deve ser honrado e apreciado. O Espírito Santo está envolvido com a cura e com muito mais que isso. O ministério de alguém não é menos importante simplesmente porque não é um ministério de “sinais e maravilhas”.

Considere o que as pessoas que eram familiarizadas com o ministério de João Batista disseram dele: “João não fez nenhum milagre”; eles comentaram uns com os outros, “mas tudo o que ele disse sobre Jesus é verdade” (João 10.41, NTLH). Apesar de João Batista não ser um milagreiro, considere o que o anjo do Senhor falou sobre João a Zacarias:

“Pois para o Senhor Deus ele será um grande homem. Ele não deverá beber vinho nem cerveja. Ele será cheio do Espírito Santo desde o nascimento e levará muitos israelitas ao Senhor, o Deus de Israel. Ele será mandado por Deus como mensageiro e será forte e poderoso como o profeta Elias. Ele fará com que pais e filhos façam as pazes e que os desobedientes voltem a andar no caminho direito. E conseguirá preparar o povo de Israel para a vinda do Senhor” (Lucas 1.15-17, NTLH).

Isso é GRANDE PARTE de um ministério capacitado pelo Espírito Santo para alguém que não era um milagreiro.

Ao falarmos sobre apreciar o trabalho do Espírito Santo quando ele faz algo sutil, eu não consigo pensar em uma ilustração melhor do que o que aconteceu com Elias. O profeta estava em um ponto crítico em sua vida. Ele realizou alguns milagres muito poderosos, mas, quando foi ameaçado por Jezebel, ele experimentou um colapso. Temendo pela própria vida, ele escapou para o deserto e se escondeu em uma caverna. Ele se viu isolado e em desespero. Considere a interação de Deus com Elias:

“Diante destas palavras, Deus lhe disse: ‘Sai deste lugar e vá ficar diante de mim no alto do monte!’ Então o Senhor passou por ali e mandou um vento muito forte, que fendeu os morros e partiu as rochas em pedaços. Contudo, Yahweh não estava no vento. Quando o vento arrefeceu e parou de soprar, ocorreu um forte terremoto; porém, o Senhor não estava no tremor das terras. Em seguida ao terremoto, caiu um fogo, mas o Senhor também não estava no fogo. E depois do fogo veio um sussurro de brisa suave e tranquila. Assim que Elias percebeu aquele murmúrio, puxou sua capa para proteger o rosto, saiu e postou-se à entrada da caverna. E uma voz lhe indagou: ‘Que fazes aqui, Elias?’” (I Reis 19.11-13, KJA).

Isso não é fascinante? Um homem que havia experimentado todos os tipos de demonstrações do poder de Deus teve um encontro com um vento forte, um terremoto, um fogo e, mesmo assim, Deus não estava em nenhuma dessas manifestações. Ao invés disso, nesse caso, Deus estava em uma voz suave. Talvez, Deus queria ensinar a Elias a não perder o sobrenatural, ao procurar pelo espetacular.  

O que é especialmente interessante para mim é que, em momentos diferentes, Deus tem estado em um vento forte (por exemplo, no dia de Pentecostes – Atos 2). Deus também tem se mostrado em forma de terremoto (por exemplo, quando Paulo e Silas foram soltos da prisão – Atos 16. 16-34). Deus também tem se manifestado por meio do fogo (por exemplo, quando Deus falou com Moisés por meio da sarça ardente – Êxodo 3.4). Uma lição poderosa que pode ser tirada disso é que não podemos nos apegar a um tipo especifico de manifestação.

Deus pode não se mover sempre da mesma forma, e devemos estar abertos e flexíveis para o trabalhar de Deus de diferentes maneiras em diferentes momentos.

O desejo do meu coração é que nós entremos em uma nova consciência e um novo despertar acerca do mover do Espírito Santo e da manifestação da natureza e da benevolência de Deus. Eu oro para que tenhamos uma profunda apreciação por tudo que Ele faz – desde suave voz, a um ministério de socorros inspirado do Espírito, às mensagens poderosas e à sinais e maravilhas milagrosos.

Precisamos da totalidade do potencial do mover do Espírito em nossas vidas e ministérios. D.L. Moody maravilhosamente escreveu: “Eu creio que é um erro o que muitos de nós está cometendo; estamos tentando realizar a obra de Deus com uma graça que Ele nos deu dez anos atrás. Agora, o que queremos é um novo suprimento, uma nova unção e um novo poder, e, se procurarmos, e procuramos com todo coração, obteremos”.        

 

*Traduzido por Gabriella Kashiwakura

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