Inúmeras pessoas se aproximam timidamente ou se afastam disfarçadamente de líderes, porque veem neles a figura de um ser humano que nunca erra e, portanto, não pode ser seguido por pessoas falíveis. E muitos desses líderes alimentam esse conceito, pois se comportam diante dos fracassos e das falhas humanas como quem nunca errou. Eles agem com a severidade de alguém que sequer correu o risco de falhar ou tropeçar em alguma dificuldade.
Porém, um líder deve ser alguém que jamais aceitaria ser seguido como quem desconhece o caminho das dores, dos obstáculos e tentações. O líder é um desenvolvedor de líderes, mas também um mentor cheio de compaixão. Albert Camus disse: “Envelhecer é passar da paixão à compaixão”.
Olhando para Jesus como o líder que é o padrão para todo líder, podemos aprender essa lição de maneira muito clara. Jesus, que parecia sucumbir a cada estágio de sua trajetória, persistiu até alcançar a glória promovida pelo mundo lá de cima, que não conspira contra nós como o mundo aqui de baixo, mas nos insere na recompensa que foi criada para ser nossa.
Dessa forma, Ele se tornou o líder cheio de compaixão, pronto para oferecer a ajuda mais que apropriada e eficaz. Assim como Jesus, líderes bem sucedidos tem o compromisso de ajudar aqueles que também tem motivos sublimes para vencer.
Tendo vivido no ambiente da trajetória humana, sem ter pecado, Jesus oferece a ajuda que, em meio à pressão da derrota iminente, é oportuna e funciona como uma força que vem de dentro. O livro de Hebreus expõe claramente esta questão: “Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados. Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém sem pecado”. (Hebreus 2.18 | 4.15).
Será que as pessoas podem esperar o mesmo de nós? Veja bem, Jesus foi tentado e não caiu em tentação. E como Ele nos vê? Não com desprezo, indignação ou rejeição. O que ele oferece é ajuda no momento de necessidade. E nós, que não somente somos tentados como qualquer outro ser humano, mas ainda podemos cair em tentações semelhantes, temos uma ajuda apropriada para oferecer? Ou uma atitude fria, excluindo da “lista dos vencedores” a qualquer um que falhar?
Muita gente, na trajetória de liderança, acredita estar passando por pressões e desafios que nenhum outro ser humano na face da Terra já tenha passado. O líder, portanto, prontamente oferece ajuda para reerguer e proporcionar o socorro de quem já passou por pressões e desafios semelhantes.
Às vezes tudo que precisamos é de misericórdia, de uma injeção de ânimo, e não de alguém que pregue um sermão para nós, reafirmando a nossa debilidade. Um líder cheio de compaixão é decisivo nesse momento. Um líder que no ajude a enxergar a nós mesmos conforme a visão interior e não exterior. A ver além do desafio que parece invencível, mas que é inferior ao que somos por dentro.
Os líderes ajudam pessoas. Eles não recebem pessoas prontas. É por isso que uma das características que deve marcar o líder é a compaixão. E isso significa mover-se em direção às pessoas com o amor de Deus.
Manassés Guerra
Trecho do livro “Liderar é Preciso” – Manassés Guerra













