Existe uma estatística que afirma que uma em cada seis pessoas possuem algum tipo de transtorno de saúde mental, e o maior desafio que o governo encontra para solucionar esses problemas, é porque a população está envelhecendo. Existem muitas mudanças familiares e uma grande solidão vivida pelas pessoas.
Nos últimos 15 anos, temos visto um aumento de outros tipos de transtorno. Considerando toda a Europa, temos visto o aumento de dois a quatro vezes os diagnósticos de autismo e transtornos de déficit de atenção e hiperatividade. Muitas pessoas têm perguntado porque tem surgido tantos casos como esses, mas os estudos apontam que não é uma mudança biológica, mas o aumento do conhecimento sobre esses tipos de transtornos.
É interessante observar que por mais que o conhecimento aumente, as pessoas se identificam com eles. Há mais estudos, protocolos e profissionais capacitados. E hoje o que era considerado como um traço de personalidade, é diagnosticado como algum desses transtornos. Mas a questão não é sobre os transtornos, mas como a igreja está se preparando para receber essas pessoas.
Vamos pensar em um adulto que viveu muitos desafios na vida, como dificuldade de se adaptar aos ambientes, dificuldades escolares e nos relacionamentos. De repente, ele tem acesso a informações sobre esses dois transtornos. O que acontece na mente dele? Ele se sente acolhido, porque algumas atitudes que toma são uma forma de o cérebro funcionar de maneira diferente.
Um diagnóstico como esse pode ajudar uma pessoa. Ela pode entender melhor como o seu cérebro funciona e vencer esses desafios. Mas também pode abraçar esse diagnóstico, encontrando nele uma forma de conforto. É como se diminuísse a responsabilidade por alguns fracassos em sua vida. Ela começa a lembrar das críticas que recebeu e pensa: “Não fui eu, foi o transtorno”.
Quando você vê seu filho tendo dificuldade de vencer algo, às vezes, diz que ele tem preguiça de superar aquela situação. A escola procura aquele pai e diz que o filho não presta atenção nas aulas, fala coisas sem pensar, o que prejudica seus relacionamentos e faz com que sofra bullying na escola. Como um pai e uma mãe ficam nessa situação? Eles costumam ver todo o potencial na vida do filho e se perguntam se fizeram algo errado quando a escola aponta algumas dificuldades.
Dependendo do comportamento da criança, aquele pai deixa de ser convidado para as festinhas, porque o seu filho não para quieto, bate nas outras crianças e não entende a brincadeira. Como ficam os pais em uma situação como essa? Eles procuram médicos para saber o que fazer.
Em muitos países, existe um treinamento para que os professores identifiquem algumas características antes mesmo da medicina. Imagine um pai ou uma mãe vendo o filho em uma sala especial fazendo uma prova e, quando vão ao médico, ele diz que o filho já nasceu com aquele transtorno e que o herdou do pai ou da mãe, falando que a genética foi a causa disso.
Como esses pais e essas crianças chegam à igreja? É como se eles não pertencessem a lugar nenhum. Muitas vezes, eles se sentem sozinhos, isolados e criticados, e alguns acabam se unindo para defender o transtorno.
O transtorno não é considerado uma doença, mas o que o médico vai explicar é que o cérebro daquela criança ou adulto funciona de uma forma diferente. Eu quero que você entenda que existe uma mudança de linguagem sobre as coisas que vivemos na atualidade.
A forma como você fala sobre uma pessoa define a forma como ela vive os seus relacionamentos e o que ela vive na sociedade. Quando entrei na faculdade, eu cursei Psicologia. Ainda havia livros que abordavam a homossexualidade como uma doença. Mas essa linguagem foi mudada nos livros de Medicina e Psiquiatria. Entenda que, em muitas coisas, a própria comunidade e o governo mudam a linguagem para ter mais aceitação.
Eu quero que você entenda que a linguagem usada para os transtornos de TDAH e Autismo, é uma linguagem de inclusão para que as crianças não sejam vistas como doentes. Não se iluda, tudo isso é bem pensado.
Pastor Bud, o fundador do nosso Ministério, dizia que nós precisamos falar exatamente o que as coisas são, para que possamos usar a Palavra da forma correta para cada situação e colher os resultados da confissão.
Se algo não funciona como Deus criou, precisa se alinhar ao propósito e à Palavra de Deus. Então, se a sua coluna não funciona da forma que o Senhor criou, ela precisa se alinhar ao propósito divino. A mesma coisa acontece com os rins.
Nós precisamos dar o nome certo para colher as coisas certas. Se o cérebro não funciona da forma que Deus criou, ele precisa se alinhar à vontade e ao propósito de Deus. Essas famílias chegam à igreja cheias de receios e informações, e a igreja precisa ser um lugar de acolhimento. Mas acolher não é abraçar a enfermidade e deixá-la como está.
Acolher é amar e demonstrar para as pessoas que há um futuro diferente. É fazer com que aquela família entenda que faz parte de um propósito. A bíblia fala em Hebreus 11:1: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem”.
Como Igreja, vamos falar sobre fé, ensinar as pessoas qual é o caminho para crescer nela, ajustar o que elas esperam e gerar convicção sobre algo que elas não conseguem ver. Esse é o nosso papel.
Em João 5:1, está escrita a história de um paralítico. Vários enfermos ficavam perto de um tanque chamado Betesda, aguardando um anjo descer e agitar as águas. E a primeira pessoa que pulasse naquele tanque era curada. Havia ali um paralítico enfermo havia 38 anos. E Jesus, no verso 6, vendo-o deitado e sabendo que ele estava assim, perguntou se ele queria ser curado. Ao que o paralítico respondeu que, sempre que ia alcançar o tanque, alguém chegava primeiro.
Esse homem tinha limitações de locomoção e estava sozinho. Não havia ninguém para ajudá-lo a descer ao tanque. Quando Jesus pergunta se ele queria ser curado, o homem diz: “Eu estou tão sozinho que não consigo chegar ao tanque”. Muitos pais vão chegar à igreja dessa forma: com os olhos no diagnóstico e em algo que pode melhorar aquela situação e a vida da família, mas se sentindo desamparados.
No livro Fé sempre crescente, Smith Wigglesworth diz: “Sem dúvida, muitos estavam com os olhos no tanque e não tinham os olhos para Jesus. Há muitos hoje que têm confiança nas coisas que podem ver. Se eles apenas colocassem os olhos em Deus em vez de colocar nas coisas naturais, iam rapidamente ser alcançados pelo poder do Senhor”.
Os médicos vão apontar um caminho: terapias, medicamentos, uma sala adaptada na escola. E, quando essa família chegar à igreja, o que podemos apresentar para ela? Dentro desse acolhimento, nós precisamos de capacitação para entender os desafios que a criança e a família estão vivendo, para que possamos acolher essa pessoa e mostrar que ela não está sozinha.
Para você entender, pense em uma criança que tem TDAH ou em um adulto. Estou ministrando e peço ao tecladista para tocar. Eu preciso que ele pare para que eu me concentre. Há pessoas que gostam de estudar escutando música, mas eu preciso me concentrar na pessoa que está falando. E um adulto ou uma criança com TDAH vai encontrar dificuldades para separar essas coisas, porque o córtex pré-frontal funciona de uma forma diferente. É como se o cérebro tivesse um gerente que dá muitos comandos diferentes ao mesmo tempo.
Uma pessoa que tem TDAH vai ouvir o teclado, a ministração e a tradução. Os estímulos são tantos que ela não consegue prestar atenção e não entenderá a mensagem. Já a criança que tem autismo percebe todas as sensações sensoriais de forma muito mais intensa. Então, a voz fica muito alta, o calor fica mais intenso e, por isso, precisamos nos organizar para receber essas pessoas.
Estávamos no Japão com os ministros e os japoneses queriam que comêssemos uma comida que tinha um gosto muito ruim. E eu disse: “Se for para ganhar alguém para Jesus, eu como”. Para ganhar alguém para Cristo, nós nos adaptamos, melhoramos, estudamos sobre o que está acontecendo, mas precisamos entender que o nosso principal remédio é a Palavra de Deus.
É claro que não vamos entrar em desequilíbrio e dizer para as pessoas pararem de tomar os remédios.
O que nós precisamos fazer é dizer para essas pessoas que Jesus cura, que a Palavra de Deus é a realidade sobre a vida delas, mudar essa mentalidade na qual estão enraizadas e discipulá-las em fé, porque, mesmo em pequena medida, ela opera. Elas precisam confessar a Palavra sobre a realidade dos seus filhos todos os dias.
Mama Jan disse uma vez: “Assim como o médico manda você tomar remédio quatro vezes por dia, tome o remédio da Palavra quatro vezes por dia”. E, na medida em que nós lançamos a Palavra, a nossa realidade vai mudar. Temos muitos testemunhos de mudanças: crianças que não falavam, andavam e interagiam, passaram a falar, a andar e a interagir.
Se você tem um filho que fala e corre por aí, talvez não entenda a importância da palavra “mamãe”. Mas nós somos a Igreja gloriosa, que ajuda as pessoas a se verem como Deus as vê. Eu e você somos aqueles que vamos olhar nos olhos daquela família e dizer: “O seu filho já deu certo, ele é um sucesso, ele é amado por Deus”. Vamos ensiná-los a mudar essa confissão e a vencer em fé, cada dia um pouco mais, até que isso seja proporcional à recuperação dessas crianças.
Eu e você vamos dizer a coisa certa para colher a coisa certa. Se posicione e verá muitos milagres.
*Trechos da ministração do dia 03 de julho de 2026 durante a Conferência de Ministros Europa.












