Convém ao ministro beber?

Nossa posição como cristãos é respeitar o que a Palavra de Deus ensina.

Conhecemos toda a Bíblia, estudamos no Rhema e Escola de Ministros e nem todas as coisas são novidades para nós. O Pr. Bud falou que palavras importam. E eu pensei que falamos tanta besteira, coisas que não valem a pena e que não importam, em conversas com os irmãos. 

Você pode criticar a forma dura e veemente da fala do Pr. Bud, mas não pode criticar a sua vida de integridade. Ele não brincava com o Evangelho. O pastor tinha uma seriedade muito grande e dizia: “Não fale negativo!”. Eu agradeço pela vida dele nos corrigindo. Era forte e firme, mas era necessário. Ele era assim com qualquer pessoa.

Certa vez, um irmão que o pastor Bud amava muito pecou. Ele o afastou do ministério por causa da circunstância em que o irmão tinha se envolvido. O irmão achava que teria alguma vantagem com o pastor, e ele disse que a Palavra de Deus estava acima da amizade que tinha com esse irmão.

Em Efésios 5, Paulo fala algo muito importante para nós. Ele disse para não nos embriagarmos com vinho. Talvez alguns de nós temos a dúvida se beber é pecado ou não. Mas existe uma pergunta melhor: convém ao ministro beber?. Paulo disse que todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas convém. Existem coisas que eu tenho liberdade para fazer, mas escolho não fazer. Não por alguém que me proibiu, mas porque entendo quem sou, o cargo e a influência que a minha vida exerce sobre outras pessoas. 

Certa vez, o jornalista Roberto Guzzo falou que uma das tarefas mais difíceis desta vida, por alguma razão ainda não explicada pela ciência, é aprender uma das suas regras mais fáceis. A regra é que certas coisas não se fazem. Não tem nada a ver com o fato de serem permitidas ou não por lei. Também podem não ser em si mesmas boas ou más, certas ou erradas. São apenas coisas que não se fazem.

Você sabe o que a bebida causa na vida das pessoas? Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que, em 2019, 2,6 milhões de pessoas morreram por situações atribuídas ao álcool. 724 mil delas foram decorrentes de lesões, incluindo acidentes de trânsito, suicídio e violência interpessoal. Além disso, 13% das mortes atribuídas ao álcool aconteceram com pessoas entre 20 e 39 anos. 

Em dezembro de 2025, a OMS também publicou que uma a três mortes na Europa decorrem de lesões e violência atribuídas ao álcool. A organização descreve que a substância alcoólica é um importante fator que prejudica julgamento, autocontrole e favorece comportamentos de risco. A bebida não afeta só as pessoas. Muitas vezes, quem paga a conta é quem está perto. 

Uma estatística mostra que no Brasil, em 2025, apenas nas rodovias federais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 6.185 sinistros cuja causa principal foi a ingestão de álcool pelo condutor, deixando 3.219 feridos e 223 mortos. Essas mortes se concentram no sábado e domingo, principalmente à noite e de madrugada. Na Europa, cerca de 25% das mortes no trânsito estão relacionadas a substâncias alcoólicas. Se o álcool fosse simplesmente uma questão de gosto individual, por que muitos governos gastam tanto dinheiro para tentar convencer a população a não beber?

Penso também na nossa responsabilidade como ministros do Evangelho. Como líder do nosso Ministério, não considero que pastores, professores e ministros bebam. Não digo isso simplesmente para criar uma regra. Há uma responsabilidade sobre quem ensina, pastoreia e influencia pessoas. Não deixamos de ser ministros em nenhum momento e em nenhum ambiente. A nossa missão é integral. Devemos sempre estar a postos para socorrer e edificar pessoas. 

Meu pai era alcoólatra e chegava embriagado em casa quando solteiro. Quando minha mãe começou a namorar com ele, minha avó a chamou para vê-lo jogado, completamente embriagado, vomitado e todo sujo. E ela perguntou para a minha mãe: “É esse o homem com quem você quer casar?”. E minha mãe respondeu: “Eu o amo”. Minha avó então falou para ela: “Pois eu como mãe, não gostaria que minha filha casasse com um homem desse”. Mesmo assim, minha mãe casou com meu pai. Ele continuou a beber, mas fez uma promessa de que, no dia em que o seu primeiro filho nascesse, ele iria parar de beber. Mas não tinha forças para isso. 

Então, meu pai procurou um grupo de alcoólicos anônimos que orientavam evitar o primeiro gole. E ele passou quarenta anos sem colocar nenhum gole de álcool na boca. Graças a Deus, a história dele não terminou no álcool, mas em ajudar muitos a vencerem a mesma luta. Talvez por essa história, eu não consiga olhar para esse assunto apenas como uma discussão sobre o que é pecado ou o que é permitido. Eu conheço de perto o sofrimento que o álcool pode trazer para dentro de uma casa.

Paulo disse que não é bom comer carne, ou beber vinho, ou fazer qualquer outra coisa com que leve seu irmão a pecar. Talvez alguém diga: “Eu sei beber, isso nunca vai me dominar”. A questão não é se isso vai dominar você. A questão também é quem está olhando. O que para você é apenas uma taça, pode ser uma autorização para alguém que está lutando para não voltar a tomar o primeiro gole. Por isso, não preciso beber para provar que sou livre. Minha liberdade também me dá o direito de abrir mão. 

Em Gálatas 5:13, Paulo ensina que nossa liberdade não deve dar ocasião para a carne. Não quero viver perguntando até onde posso ir sem pecar. Prefiro perguntar se aquilo convém, se edifica, se pode me dominar, que influência a minha escolha pode exercer sobre outras pessoas e, principalmente, se isso agrada a Deus.

Entendemos que esse tipo de procedimento não é compatível com ministros Verbo da Vida. Existem coisas que abrimos mão porque temos a responsabilidade de alcançar o Brasil e as nações com a Palavra da Fé e o amor. 

Existe uma geração por aí que relativiza as coisas. Mas nós precisamos ser uma estaca, uma firmeza sobre o que é permitido para nós como ministros e o que não é permitido. Eles vão olhar na nossa vida aquilo que serve e aquilo que não serve. As pessoas vão olhar para a sua vida e vão pensar: “Se ele que é ministro faz isso, eu posso fazer também”. O nosso comportamento causa um dano que nem imaginamos na vida das pessoas. 

Não vale a pena misturar liberdade com libertinagem. Isso vai trazer dano pra você e para as pessoas. Se o governo diz: “Se beber, não dirija”, você acha que vai dirigir uma igreja Verbo da Vida? Nossa posição como cristãos é respeitar o que a Palavra de Deus ensina e, acima de tudo, respeitar o chamado que Deus um dia nos confiou. Vamos prestar contas diante de Deus. 

Será que estamos usando de nossa liberdade para dar permissões para outros errarem também? Nós vamos nos embriagar, mas não é com o vinho. É com o Espírito. Nós vamos permanecer naquilo que é fiel a Deus, naquilo que é verdadeiro e puro. Vamos viver intensamente este Evangelho. Fomos levantados por Deus para sermos um referencial, um padrão. As pessoas têm que ver em nós as marcas do Evangelho. 

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