Eu sou a “filha do meio” e sempre achei que era desprivilegio ser o segundo filho. Primeiro porque supostamente a segunda gravidez não foi tão esperada quanto a primeira, e já o caçula é o último da “ninhada”, o que os pais tentam “aproveitar” mais. Quem tem três filhos ou mais pode até concordar totalmente, ou em parte, com o que estou dizendo.

Na vida, não somos estimulados a ser o segundo em nada. O melhor lugar é daqueles que chegam primeiro, a posição mais privilegiada. Ser o segundo significa que você é quase bom, que não tem tanta sorte ou que está despreparado.

É interessante relembrar todos esses sentimentos que tive na infância, as vivências e coisas que tentei fazer na “tentativa de superar de alguma forma o segundo lugar”, mesmo que isso estivesse relacionado à ordem dos nascimentos. Um dia, conversando com a minha mãe, eu compartilhei isso com ela, e, então, ela foi me contar e esclarecer de como desejou engravidar a segunda vez, como ela preparou o meu quarto com tanto carinho e me mostrou um livro de acompanhamento que ela cuidadosamente escrevia todos os detalhes do meu desenvolvimento desde o nascimento até os meus 3 anos de idade.

Um pouco de surpresa se misturou a vergonha e frustração por ter perdido tanto tempo me achando menos importante. Cada vitória – como passar de ano na escola, entrar em uma Universidade pública, casar e tirar carteira de motorista – evidenciou ainda mais o que eu era capaz de fazer e, às vezes, duvidava.

Realmente, a chegada do segundo filho pode trazer alguns atrapalhos para os pais, dependendo da condição de maturidade no casamento e desejo por mais filhos. A forma como tratamos o primeiro vai ser determinante para uma chegada bem recebida do mais novo membro da família.

Sempre tive o cuidado de não dizer ao meu filho que ele era o preferido, o mais importante, o único, etc. Pois tinha desejo de ter outro bebê e não queria que ele sentisse que tinha perdido o posto para o mais novo. Pois da mesma forma que os chamados “filhos do meio” têm um sentimento de diminuição em relação aos outros e não raramente percebem a necessidade de competir, o mais velho precisa se auto afirmar para não se sentir menos importante ou o “ex-preferido”

Dentro de tantas mudanças que vão acontecer com a chegada de outros filhos, existem algumas previsíveis, como o aumento de alguns gastos: o número de fraldas, o leite, os choros, e diminuição do espaço da casa, do tempo para o casal, da atenção para o mais velho, etc. Porém, se pensarmos bem, tudo isso faz parte do contexto familiar.

Se conseguirmos nos ver nos lugares corretos, tudo pode ser mais fácil, pois estaremos no lugar certo e na hora certa. O pai, sendo o chefe da casa, a segurança e a objetividade, orientando e coordenando; a mãe sendo a auxiliadora, apaziguadora, o emocional equilibrado, o amor unido ao instinto maternal; e os filhos, receptores de tudo isso e multiplicadores, no sentido que recebem e devolvem aos pais e ao mundo o que aprendem, sejam na forma de afeto, palavras ou atitudes nem sempre entendidas no momento presente.

Acho interessante compartilhar isso, pois neste momento eu estou grávida novamente. Primeiramente veio o Pedro e, agora, em poucos meses, virá a Amanda… Ter um segundo filho traz à minha memória esses fatos e me faz analisar como nós podemos nos frustrar através de uma mentira e um falso conceito.

Vejo como a Amanda será uma privilegiada em ser a segunda filha. Ela não será uma “cobaia”, pois tudo aquilo que o Pedro sofreu, e ainda sofre, com a minha inexperiência, ela não precisará sofrer. Já sei o que é realmente importante no enxoval, o que vai facilitar a nossa vida e a dela, como fazer várias coisas e o meu sentimento em relação a tudo que tenho vivido é totalmente diferente, não menos intenso, mas sim maduro. O que faço não é por tentativa, mas com a consciência e a responsabilidade de ser mãe.

Sei que cada pessoa é de um jeito e teremos algumas boas surpresas pela frente, mas a segurança de quem já passou e venceu, nos traz mais confiança para lidar com as adversidades.

Quando aprendemos sobre o que é ser corpo de Cristo, nós entendemos que não existe um primeiro lugar, mas todos estamos correndo para um mesmo alvo. E aqueles que fizerem a coisa certa terão o mesmo prêmio. Não existe acepção de pessoas.

Quando falamos sobre posições e cargos no trabalho, você pode até se sentir frustrado por ser o segundo, não ser o principal ou ainda não ter alcançado o topo, mas, não se esqueça de onde você saiu. Isso é importante para que você enfrente as novas circunstâncias com olhar maduro e não de competição ou de quem quer o lugar do outro.

Todos nós precisamos e merecemos tempos de aprendizagem, pular etapas só faz com que o que poderíamos render não aconteça, pois ainda não estávamos preparados. Ter um título que supostamente não é o mais importante, não significa nada.

Hoje, sou grata a Deus por ser a segunda filha, por meus pais terem desfrutado do meu nascimento e infância mais maduros e certos do que queriam para os filhos. Certamente, eles souberam lidar com as nossas diferenças e me estimularam a conseguir o que fiz pelas características que eu apresentava tão diferente dos meus irmãos.

Desejo fazer da mesma forma com meus dois filhos, pois hoje eu sei que o amor não se divide, mas é multiplicado.

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