Os limites nos protegem

Os limites que Deus estabelece para nós, como fronteiras, doutrinas e a forma de servir, não são amarras, mas proteção e identidade. Em vez de romper esse limite, devemos fazê-lo crescer, permanecendo firmes como um farol, sem nunca esquecer que quem age e merece a glória é Deus, não nós.

Existe uma avenida chamada “Avenida Internacional”, que divide a fronteira entre o Brasil e o Uruguai. É uma fronteira que não tem uma distinção muito clara entre os países, sem marcações ou barreiras físicas. Uma calçada é o que demarca essa fronteira. Mas, por mais que visivelmente não haja barreiras, ao passar de um lado para o outro as leis mudam, a cultura muda, os costumes e as normas mudam, e isso faz toda a diferença na forma de se portar.

É assim que conseguimos identificar a diferença de limite. Os limites nos ajudam a demarcar a nossa identidade e reforçam a proteção em nossas vidas. Se temos uma casa, por exemplo, os muros demarcam os limites de proteção para que um invasor não entre sem restrição. Os países também são identificados pelos seus limites, que trazem essa ideia de identidade, de cultura, de língua, sob a mesma legislação. E quando esses limites são ultrapassados ou desfeitos, vemos problemas de disputas entre nações e guerras por causa de fronteiras. Quando uma guerra termina, vemos aquele país menor e mais fraco justamente porque os seus limites foram ultrapassados.

O QUE SIGNIFICA “FURAR A BOLHA”?

Às vezes, ouvimos pessoas dizendo que é preciso “furar a bolha” para que o nosso Ministério possa alcançar mais pessoas. “Furar a bolha” significa romper o isolamento de conviver e interagir apenas com pessoas que pensam ou agem de forma idêntica à nossa. É a ação de dialogar com perspectivas diferentes, buscar novos públicos ou se expor à realidades diversas para ampliar o entendimento do mundo.

Essa ideia parece boa à primeira vista, mas ela traz junto a ideia de flexibilizar a nossa doutrina e os nossos valores, de mudar a forma de falar para tratar mais dos assuntos que estão em alta e conseguir mais engajamento, tudo em nome de alcançar o Brasil e o mundo com a Palavra da Fé e do amor.

O JEITO VERBO DA VIDA DE SER

Porém, nesse desejo por uma abrangência maior, podemos correr o risco de, em vez de influenciar, acabar sendo influenciados. Existem lugares em que só devemos entrar se formos, de fato, íntegros e honestos, e existem lugares que precisaremos alcançar à distância, pois o mundo jaz no maligno. A Bíblia diz que a vitória é a fé que vence o mundo. Se os limites não estiverem bem delimitados, em vez de influenciar o mundo, estaremos nos dissolvendo nele. Precisamos ter cuidado com essas coisas para não perder a clareza, e não podemos achar que os limites são o que nos impede de alcançar as pessoas. Temos que ter clareza de onde o Senhor nos chamou para estar e do que Ele precisa que façamos, para estarmos alinhados com a Sua Palavra.

OS LIMITES ESTABELECIDOS POR DEUS

“Porque não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns que se louvam a si mesmos; mas eles, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, revelam insensatez. Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se estende até vós. Porque não ultrapassamos os nossos limites como se não devêssemos chegar até vós, posto que já chegamos até vós com o evangelho de Cristo; não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação, a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio” (II Coríntios 10.12-16).

Neste texto, Paulo destaca o comportamento de pessoas que se comparavam entre si, semelhante ao que faziam os filósofos e sofistas que discursavam nas praças públicas. Eles levantavam discípulos e um dos métodos que usavam era criticar outros estudiosos para se gloriarem e ganharem crédito, desqualificando uns aos outros. Paulo diz que essas pessoas se comparavam para se gloriar de si mesmas.

PAULO E O “KANON”

Vale reparar nas expressões que Paulo repete mais de uma vez nessa passagem. Ele fala sobre limite e sobre esfera de ação, porque ele próprio estava dentro de uma “bolha”, um limite que o próprio Deus havia demarcado para ele. A palavra usada para limite é métron, que também é a raiz usada para delimitar medidas, no português. A expressão “esfera de ação” vem do grego kanón. Essa palavra era usada para determinar um grupo de livros unificados, referência que também se aplica à Bíblia. Antigamente, os corredores corriam dentro de raias chamadas de kanón, limites que determinavam onde deveriam correr, e se saíssem delas seriam desclassificados. Fronteiras também eram chamadas de kanón.

Quando Paulo usa essa expressão, ele está dizendo que Deus estabeleceu um kanón para ele e que ele não se desviaria daquilo que foi determinado.

A UNÇÃO OPERA DENTRO DO LIMITE

“Antes, pelo contrário, vendo que me fora confiado o evangelho da incircuncisão, como a Pedro o da circuncisão (porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão também operou eficazmente em mim para com os gentios)” (Gálatas 2.7-8).

Paulo está dizendo que há um limite que Deus estabeleceu, e que Deus opera nele quando ele faz aquilo para o qual foi chamado. Há uma unção sobre nós para aquilo que Ele nos chamou para fazer, mas essa unção só opera quando permanecemos dentro dos limites que Ele determinou para a nossa vida. Há quem monte os seus próprios planos e ore para que Deus os abençoe, quando poderíamos viver aquilo que Deus já determinou, planos que já vêm abençoados de fábrica.

Devemos focar o nosso tempo e a nossa energia naquilo que Deus já estabeleceu para nós. Com o tempo, a nossa esfera vai crescer, e assim alcançaremos aqueles que estão “sem bolha”.

FAZER A BOLHA CRESCER, NÃO FURÁ-LA

Em II Coríntios 10.15, Paulo mostra que não precisamos “furar a bolha” para alcançar mais gente. O que precisamos é nos esforçar para fazer essa esfera crescer e alcançar mais pessoas. As pessoas que levantamos, cuidamos e nutrimos são as que fazem a Igreja e o nosso Ministério crescerem ainda mais. Fazemos parte dessa esfera do Verbo da Vida e conseguimos fazer coisas mais eficazes porque atuamos em unidade, como família. Este é um lugar de proteção para nós e para as nossas famílias. Não precisamos furar a bolha para alcançar mais gente, precisamos fazê-la crescer. O maior problema de furar a bolha é que, quando o fazemos, ela deixa de existir.

“Alarga o espaço da tua tenda; estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças; alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas” (Isaías 54.2).

O ORGULHO QUE GLORIFICA A DEUS

Em II Coríntios 10, Paulo fala várias vezes sobre “se gloriar”. Podemos entender essa expressão de forma negativa, e de fato existe uma aplicação negativa para ela, mas nesse caso o gloriar-se não é algo ruim. É como quando meu filho está crescendo e eu fico orgulhoso dele, não por compará-lo a outras crianças, mas por ver que ele está melhor hoje do que estava ontem. Do mesmo modo, quando nos gloriamos pelo que Deus está fazendo em nosso Ministério, é pelo nosso crescimento, não por nos compararmos a outros num orgulho carnal, mas por um gloriar no Senhor, pois sabemos onde estávamos e para onde o Senhor está levando esse Ministério, promovendo crescimento.

“Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas vossas orações a Deus por mim” (Romanos 15.30).

O gloriar está no que Cristo está fazendo através de nós, e não na nossa própria habilidade. Fica claro em II Coríntios que Paulo não era um pregador muito eloquente, sendo mais persuasivo por meio das cartas que escrevia. Ele não se gloriava pelas suas próprias habilidades, mas exaltava a glória de Cristo.

Temos motivos para nos gloriar do que Deus está fazendo em nosso meio. É tão pecado não se gloriar em Cristo quanto se gloriar em si mesmo. Estamos dentro de uma esfera de ação que foi o próprio Deus quem demarcou para nós.

A PARÁBOLA DO GALHO

FAROL: SÍMBOLO DE FIRMEZA

O símbolo do nosso Ministério é um farol sobre a Bíblia. Talvez você não saiba exatamente como um farol funciona. Por muito tempo eu achava que ele servia apenas para conduzir navios próximos à costa, mas os faróis têm características peculiares: cores de luz específicas, alturas determinadas, movimentos e frequências diferentes entre si. Quando um navio encontra um farol, o marinheiro consulta uma cartilha com essas observações para entender exatamente onde está e qual a sua localização, porque o navio muda de lugar, mas o farol não. Ele continua ali desde o dia em que foi criado. Mesmo com tanta tecnologia, com GPS, se essas ferramentas falharem o farol não muda, porque foi feito para ser imutável.

Não adianta querermos nos mover, porque Deus nos criou para permanecermos firmados na Sua Palavra, sem sair do lugar onde o Senhor nos delimitou para estar. Foi Deus quem nos colocou aqui, foi Ele quem nos enxertou nesta árvore. Que possamos nos gloriar daquilo que Ele está fazendo em nosso meio.

Valorizemos as mensagens que estão sendo transmitidas e o que está acontecendo entre nós. Não somos nós. É Ele.

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