Fomos alcançados para alcançar outras pessoas. Não fomos chamados apenas para ficarmos felizes e confortáveis, mas para sermos alegres trabalhando e agindo, porque há uma grande seara. A Bíblia afirma que poucos são os ceifeiros. Hoje, o Verbo da Vida alcança todas as regiões do Brasil e está presente em 26 países, com a visão de levar a Palavra da Fé e o amor.
É muita coisa para fazer sozinho, por isso Deus não espera isso de nós. No deserto, Moisés recebeu uma grande missão, mas não a fez só. Da mesma forma, o Senhor levantou Davi como rei, mas ele não fez isso sozinho: cercou-se de valentes. Assim também é conosco. Deus levantou o nosso presidente, nos confiou o legado deixado pelo apóstolo Bud e acrescentou a diretoria, os supervisores e pastores em cada igreja. Em cada lugar há pessoas trabalhando para alcançar o nosso país e as nações.
A obra de Deus não se faz sozinho
O apóstolo Paulo nos ensina nas suas cartas, usando a metáfora do corpo. De fato, o somos. Ele reforça isso em Romanos 12, I Coríntios 10 e 12, Efésios 1 a 5 e Colossenses 1 e 2, para que fique muito claro para nós: a obra do Senhor não se faz sozinho.
Temos o privilégio de conhecer mais sobre o apóstolo Bud por meio de sua biografia. Como destacou o Ap. Guto em sua mensagem, ele foi visionário e guiado pelo Espírito. Apesar de suas limitações com o idioma e a cultura brasileira, conduziu o Ministério transmitindo a visão que continua correndo e alcançando nações. Não sei você, mas sou profundamente grato por fazer parte dessa história.
Na biografia, encontramos esta citação marcante:
“Bud nunca foi um líder centralizador, sempre gostou de delegar e se regozijava vendo seus ‘filhos na fé’ crescendo e pregando o Evangelho. Para cada obra, ele levantava novos ministros, e dizia: ‘No Verbo da Vida não temos uma única estrela, temos uma constelação. Todos devem brilhar’” (Biografia Bud Wright, capítulo 6).
Somos, de fato, uma grande constelação. Um Corpo. Preciso de você, e você precisa de mim. Somos dependentes. O Pr. Tony Cooke, no capítulo oito do seu livro, Seu lugar no time dos sonhos de Deus, reforça: “Se compreendermos o profundo significado da metáfora do corpo que Paulo coloca na Bíblia, compreenderemos quão importante cada um de nós somos para o Corpo. Precisamos uns dos outros e somos dependentes da obra que cada um de nós é chamado a fazer”.
Se a obra não é individual, precisamos aprender a trabalhar bem em equipe. O ministério não é feito de coisas, mas de pessoas. Temos igrejas maravilhosas, mas o que seria desses ambientes se não tivessem pessoas dentro? Elas são a razão de estarmos aqui. Muitas vezes pensamos que basta cumprir o nosso chamado, fazendo somente a nossa parte. Devemos fazê-la porque as pessoas dependem dela. Porém, só conseguiremos fazer a nossa parte, porque têm outras pessoas fazendo as delas. Quando as outras pessoas estão fazendo as partes delas e eu faço a minha, todos nós conseguiremos avançar.
Tony Cooke em seu livro ainda usa a metáfora do pulmão humano: ninguém acorda e “organiza” o pulmão, mas ele trabalha fielmente, repetindo sua função sem receber elogios. Da mesma forma, mesmo que ninguém reconheça ou elogie, continue. Alguns trabalhos parecem chatos, mas todos são necessários.
Só vamos cumprir a visão confiada a nós, se fizermos a obra que Ele nos chamou. O Corpo precisa de você.
O quebra-cabeça da visão
Cumprir a visão de alcançar o Brasil e as nações com a Palavra da Fé e o amor é como montar um quebra-cabeça. Se falta uma peça, o todo é comprometido. Muitas vezes, estamos encaixados inadequadamente e achamos que estamos fazendo o certo e arrasando, mas estamos comprometendo uma parte do cenário.
Você já parou para perceber que, muitas vezes, a gente se encaixa com pessoas que têm certa afinidade conosco? Só que quando elas são parecidas conosco, dão mais trabalho. Já passou pela sua cabeça: “Bem que todo mundo poderia ser como eu”. Você iria aguentar? Às vezes, você não aguenta a si mesmo.
Na medida em que uma peça faz diferença, outra lição que a gente pode entender, é que a peça só faz sentido perto das outras. Pegue uma parte do quebra-cabeça e leve para outra cidade. Faz sentido aquela peça só? Tem sentido aquele isolamento? Não, porque fomos feitos para estarmos perto daqueles que o Senhor nos chamou para fazermos juntos uma visão acontecer.
Assim também somos nós: temos saliências (nossos pontos fortes) e reentrâncias (nossas limitações). Muitas vezes, pensamos que nossos pontos fracos são defeitos, mas, na verdade, são oportunidades para que nos encaixemos nos pontos fortes dos outros. Moisés, por exemplo, não era eloquente, mas Deus supriu sua limitação levantando Arão. Nossas reentrâncias são espaço para que a graça de Deus e a cooperação do próximo completem a obra. A nossa limitação vai ser suprida por pessoas que Ele colocou à nossa volta.
Pr. Bud se certificava em estar rodeado de pessoas melhores do que ele. E, às vezes, queremos ser os mais espertos da sala. E, já se diz, que se você é o mais esperto da sala, provavelmente você está na sala errada.
Cerque-se de pessoas que são boas onde você não tem muita desenvoltura. Isso é trabalho em equipe. Se o Senhor tivesse nos chamado para fazermos tudo sozinhos, teríamos que ser bons em tudo. Mas não fomos chamados para o isolamento. A obra que Deus nos propôs acontece de forma coletiva.
Vamos falar agora daquela peça que se acha melhor do que as outras, que quer fazer tudo sozinha. Ela vai ficar tão boa que não se encaixa com ninguém. E essa pessoa pode se perguntar porque ninguém se encaixa na igreja dela… Tenha cuidado, se seus pontos fortes forem levados ao extremo, será perfeccionista, exigente demais e difícil de agradar. Quando você se coloca nessa posição, ficará limitado e as pessoas à sua volta não vão se sentir prestigiadas, úteis, comprometendo o trabalho que Ele deseja desenvolver.
Todos temos saliências e reentrâncias e precisamos uns dos outros. Somente pela justa cooperação de cada parte que vamos conseguir fazer o trabalho que Deus nos chamou para fazer.
Quando você não consegue, o outro consegue e estamos juntos para fazer acontecer. Por meio da nossa unidade, essa visão vai se expandir e as pessoas verão que somos a família Verbo da Vida.
Renove a sua paciência
O ministério não é feito de patrão, mas é uma família. Ele se torna frutífero pela justa cooperação de cada parte. Se existe uma justa, existe também uma injusta. Precisamos estar atentos para moderar e equilibrar para não estar muito além ou aquém. A solução para não estar além não é ficar aquém, é o equilíbrio que proporciona o encaixe perfeito.
Renove sua paciência, porque ela é essencial para sua jornada no chamado. Sempre existirão decepções ao longo do caminho. Tem gente que dá trabalho em todo lugar. A Igreja está aqui por causa de pessoas. O ministério está aqui por causa delas. Tenha paciência com as pessoas que Deus vai lhe enviar. Imagine se alguém tivesse desistido de você logo de cara, onde estaria? Mas alguém acreditou, investiu e insistiu em você. É hora de colher! Tem gente que acha que colher é só dinheiro, mas é paciência também. Você prefere a riqueza das colheitas ou ficar sozinho? Faz sentido uma igreja sozinha? Faz sentido um ministério sem gente?
Controle ou crescimento?
No trabalho em equipe, surge a tentação de controlar as pessoas. O controle é uma tentação que, em um momento ou em outro, se apresenta a todos. Sabe qual é o antídoto para que não nos tornemos dominadores? É o exemplo. As pessoas estão olhando para nós o tempo todo e não podemos ficar controlando, pois não foi o papel que o Senhor nos chamou para fazer.
Quando nos tornamos controladores, estamos impedindo que outra pessoa se encaixe no plano d’Ele para o cumprimento dessa visão maior. Controlar é algo cansativo. Quando controlamos as pessoas à nossa volta, ou elas não crescem, ou não ficam e, nos dois cenários, isso é terrível. Se não estamos ajudando-as, estamos falhando. Abra mão do controle e não deixe que isso roube a oportunidade de edificar outras pessoas.
Quando você é controlador, acaba sendo a tampa que impede o crescimento dos outros.
Ou você pode ter controle ou pode ter crescimento. Nunca os dois juntos. Você pode escolher: quer crescimento ou ter controle?
A cola do amor
Só iremos alcançar o Brasil e as nações com a Palavra da Fé se estivermos aperfeiçoados no amor. Ele é a cola que mantém todas as peças do quebra-cabeça da visão unidas.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará” (I Coríntios 13:4-8).
Para cumprir bem o chamado de Deus, precisamos amar profundamente: o chamado irrevogável d’Ele para sua vida, as pessoas que o Senhor confiou a nós e o lugar onde Ele nos plantou.
*Trechos da ministração do dia 26 de setembro de 2025, na Conferência de Ministros Sul.















