Seja hábil no falar

Você já pensou que a maioria dos obstáculos que enfrentamos no ministério, estão relacionados com a falta de habilidade na comunicação?

“E Jacó habitou na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã. Estas são as gerações de Jacó. Sendo José de dezessete anos, apascentava as ovelhas com seus irmãos; sendo ainda jovem, andava com os filhos de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia más notícias deles a seu pai. E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles, odiaram-no, e não podiam falar com ele pacificamente. Teve José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais. E disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho, que tenho sonhado: Eis que estávamos atando molhos no meio do campo, e eis que o meu molho se levantava, e também ficava em pé, e eis que os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao meu molho. Então lhe disseram seus irmãos: Tu, pois, deveras reinarás sobre nós? Tu deveras terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por seus sonhos e por suas palavras. E teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim. E contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é este que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra? Seus irmãos, pois, o invejavam; seu pai porém guardava este negócio no seu coração. E seus irmãos foram apascentar o rebanho de seu pai, junto de Siquém” (Gênesis 37:1-12).

Nesta passagem, lemos a história de José. Jacó o amava porque ele era o caçula. Imagine como era o relacionamento de José com seus irmãos, eles nutriam um sentimento que não era tão bom. José colaborou de certa forma com esse sentimento, quando contou seu sonho a eles. O problema não era o que contava, mas a forma de falar.

A Bíblia não diz em detalhes sobre a forma de José contar, mas fala como os irmãos reagiam quando ele contava. A maneira que os sonhos eram narrados não precisava de explicação.

A pergunta é: em que medida o caçula de Jacó colaborou para isso? Você concorda que, no ministério lidamos com problemas e situações desafiadoras? Elas podem ser provocadas pelo diabo, por outras pessoas e também por nós mesmos. Já lidamos com tantas coisas e por isso, não devemos criar problemas. Poderíamos viver de forma menos turbulenta se atentássemos a algumas questões. 

Sabia que nem tudo precisa ser dito? Aquilo que precisa ser falado, poderá ser expresso no tempo e do jeito certo. Se fôssemos cuidadosos com o que dizemos, teríamos menos desafios. A imprudência na maneira como nos comunicamos, muitas vezes, acaba trazendo problemas para nós, por falta de habilidade no falar.

Você já pensou que a grande maioria dos obstáculos que enfrentamos no ministério, não têm relação com o pecado, mas com a falta de habilidade na comunicação? Talvez pudéssemos melhorar e amadurecer em relação a isso, se usássemos palavras mais agradáveis. Como será a reação das pessoas, quando digo o que quero expressar? O que geralmente quero dizer, precisa ser falado? É a melhor forma?

Você já conheceu pessoas que se gabam de falar tudo o que pensam? Elas afirmam que não têm “papas na língua”. Fiquei pesquisando sobre a origem dessa expressão, e ela significa “não ter padre, ou pai”, é como alguém que não tem a quem prestar contas do que fala. Alguns podem ser grosseiros e desagradáveis para outros, e afirmam: “Se eu não falar, podem me dizer que estou sendo falso”. Talvez não se trate de falsidade, mas de sensatez.

Quando você não fala o que pensa, dá a si mesmo uma oportunidade de refletir sobre isso. Até o insensato se passa por sábio quando fica em silêncio. Alguns estão desperdiçando a oportunidade de passar uma boa impressão, ficando calado.

“Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (I Coríntios 10:32).

Muitos pensam que Paulo falava de forma impulsiva, mas ele era firme nas palavras.

“Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação” (Romanos 15:1-2).

O apóstolo não procurava popularidade, aceitação, mas buscava criar conexões que servissem aos propósitos de Deus. Chamando a atenção para aquilo que era dito e também para a forma como era falado. Algumas pessoas costumam pensar: “Tenho meu jeito e respondo da forma que quero”, mas a sua palavra deve ser temperada com sal.

“As palavras suaves são favos de mel, doces para a alma, e saúde para os ossos” (Provérbios 16:24).

Quer fazer amigos? Fale de modo agradável. O amor sempre diz a verdade de forma amável.

A experiência de José fala muito conosco: ele foi preso, depois se tornou mordomo, e cuidava de tudo na casa de Potifar. A Escritura diz que ele era de boa aparência e chamava a atenção. José ganhou a confiança do carcereiro na prisão, assumiu uma posição de destaque naquele lugar e o Senhor estava com ele. O futuro governador do Egito passou por situações difíceis, mas conseguiu avançar pelo seu coração puro.

Muitas vezes, lidamos com problemas que são frutos de situações que nós mesmos provocamos, e, assim como José, podemos ser colocados naquilo que não gostamos, mas ainda assim Deus estará conosco. Quando vivemos algumas experiências no chamado, precisamos fazer uma autoanálise: até que ponto as pessoas estão errando comigo e até que ponto estou errando com elas? Será que não proporcionei essas situações delicadas? 

A Bíblia relata que José conheceu duas pessoas: o mordomo e o padeiro, e na cadeia, os dois tiveram um sonho, ficaram tristes, contaram-no, e o que ele fez? Os interpretou. Talvez, diante das experiências pessoais, José não deveria querer se envolver com sonhos novamente, mas aquele dom não foi perdido, e por isso, na oportunidade de interpretar o sonho, o Senhor O usou. E foi exatamente isso que fez José se tornar quem ele era. Anos depois, ele interpretou mais um sonho e isso o libertou. Durante a caminhada, o caçula de Jacó foi amadurecendo, e não perdeu aquilo que tinha relação com o plano de Deus na vida dele.

Durante a nossa caminhada, lidamos com problemas e, às vezes, não somos hábeis no falar e nem em lidar com algumas coisas. Mas se soubermos continuar e preservarmos o nosso coração, certamente aquilo que o Senhor colocou em nossa vida, será um instrumento para vivermos o Seu plano completo. Não desanime, se conserve bem e entenda que, onde estiver, você é uma bênção. Deus vai prosperar aquilo em que você coloca a mão. Seja na igreja, no trabalho, em um empreendimento, porque Ele é contigo!

José soube estar no lugar injusto, mas se manteve bem. Independentemente do lugar, o Senhor era com ele e o usou naquilo que, no início, era problema. Mesmo que no começo, algo possa ter sido um problema, permaneça fiel, pois na caminhada, você vai amadurecer e verá aquilo que Deus confiou a você de uma forma grandiosa, para que o plano d’Ele se cumpra integralmente na sua vida.

Mantenha-se de pé, porque certamente aquilo que o Senhor lhe confiou, no momento certo, será ativado.

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