
Diretor nacional do Rhema na Holanda
Quero falar sobre chamado e sobre equipes, pois deve haver uma combinação entre ambos. Por muito tempo, ouvi líderes dizerem: “Quando se tem uma equipe, é preciso fazer isso”, mas eu pensava: de onde essa equipe vem? Há como comprá-la em um supermercado?
Minha visão é ajudar as igrejas a tornarem-se mais fortes e melhores, pois é assim que podemos evangelizar, e ainda temos o mundo inteiro a ser alcançado. Se Deus disse que é possível, então é. Se é Sua vontade que todo homem seja salvo, devemos crer nisso; essa convicção deveria fundamentar a nossa fé.
Venho do mundo do esporte, no qual sempre atuei em equipes. Ao me tornar pastor, não estava em meu radar construir equipes, pois meu foco era ajudar as pessoas a encontrarem seu chamado. Contudo, chegou o momento em que percebi a necessidade de formar equipes. Essas experiências são momentos-chave que transformam nossas vidas. Então, iniciei a formação de equipes, porque as pessoas atuam em conjunto, seja no louvor, na limpeza ou no ensino; todas trabalham em grupos, mas são indivíduos, com mentalidades voltadas mais para o “eu” do que para o “nós”. Por isso, comecei a treinar e a levantar líderes.
Certo dia, um membro da equipe comentou: “Nunca vi ninguém treinar equipes como o senhor”, e pensei: “Isso é bom ou ruim?”. Ele perguntou como eu fazia e não soube responder, pois simplesmente fazia. Essa pergunta despertou algo em meu interior e busquei a resposta: “Senhor, como faço isso?”
Três semanas se passaram, e acordei com cinco palavras em meu coração: visão, envolver-se, empoderar, equipar, avaliar.
Vi apenas essas palavras, sem saber como aplicá-las; então, registrei-as em um documento e comecei a refletir sobre elas. O Espírito Santo passou a me inspirar, e Deus me ensinou como construir equipes. Não conheço o futuro, por isso é necessário ser guiado por Ele. Embora tenha dúvidas, confio em um Deus que possui todas as respostas e que diz que, se precisar de sabedoria, basta pedi-la.
Como líder, preciso constantemente de sabedoria. Ao questionar como deveria treinar outros líderes, essas palavras saltaram ao meu coração; essa foi a sabedoria do Senhor para mim, mas não deveria guardá-la apenas para mim. A sabedoria de Deus nos revela como iniciar uma equipe. Esses princípios aplicam-se não apenas à formação de equipes, mas também ao início de um casamento, ministério, negócio ou família.
Nos capítulos de Marcos 1 a 4, vemos que Jesus utilizou esses princípios. Precisamos estar cheios do conhecimento da Palavra e, ao analisarmos cada princípio individualmente, observamos como eles se manifestam em diversos versículos bíblicos. Esses princípios são chaves que abrem portas e nos concedem acesso a um novo nível.
Visão – conforme Marcos 1.17: “Venham, sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”. Não era apenas uma visão; era algo que os discípulos podiam testemunhar, não apenas Jesus.
Envolver-se – observamos em Marcos 2, quando Jesus andava com os discípulos, aproveitando tempo de qualidade em conversas, até que, posteriormente, concedeu-lhes autoridade.
Empoderar – dando-lhes poder para realizarem as mesmas obras que Ele fazia, o que ocorreu por meio do ensino e de curas.
Equipar – em Marcos 4, vemos Jesus ensinando sobre a parábola do semeador. Em seguida, surgiu a tempestade; Jesus dormia no barco, esperando que Seus discípulos usassem a fé, mas, como isso não ocorreu, Ele mesmo acalmou a tempestade.
Avaliar – Jesus avaliou Seus discípulos e o processo de capacitação; Jesus esperava uma resposta deles, mas, como não houve, chegou o momento de avaliá-los. Embora pareça algo técnico, essa sequência nos trouxe uma resposta.
Percebemos como as pessoas podem encaixar-se em seu chamado, pois um chamado é grande demais para que se lide com ele sozinho. Ontem, ouvimos a mensagem sobre o quebra-cabeças, em que Thiago Garcia mostrou como as peças se conectam; essa é uma excelente imagem de equipe: “nós”, não apenas de “eu”.
Muitos perguntam em suas equipes: “Quando e onde entrarei no meu chamado?”. Essa, contudo, é uma pergunta equivocada. Precisamos formar equipes e, agora, temos um método que deve seguir o modelo que Jesus utilizou para estabelecer Seu time. Note como Ele formou Sua primeira equipe: com princípios — e isso faz toda a diferença.
O chamado requer etapas para ser alcançado. Eu, como pastor, passei pela transição de preparar um sucessor, mas Deus não permitiu que eu mesmo o estabelecesse; Ele próprio o fez.
Alguns pensam que a palavra “equipe” não existe na Bíblia — de fato, a palavra não aparece, mas os princípios estão claramente presentes.
Onde o princípio foi mencionado pela primeira vez na Bíblia? Muitos apontam Gênesis 1.26-28, mas, na realidade, ele surge logo em Gênesis 1.1-2. Elohim, um Deus plural — Deus Pai, Deus Filho; e, no versículo 2, o Espírito Santo. Assim, tudo o que foi criado decorreu de um trabalho em equipe. Isso demonstra que Deus trabalha e funciona como equipe. Ele tem um Nome acima de todo nome, mas também possui uma equipe acima de toda equipe. Se Deus opera como equipe, nós também devemos agir assim. Trabalhar em equipe não se trata de esforços individuais.
Alguns meses atrás, enquanto levava um ministro ao aeroporto, passamos duas horas na estrada e ele comentou: “A Holanda é tão cheia, tantos carros passam, e o trânsito flui tão bem. Como isso é possível?”, respondi: “É por causa deste princípio. Todos estão na autoestrada, indo na mesma direção, e vejo os outros carros como colegas. Às vezes, acelero um pouco mais e ultrapasso; em outras, alguém quer ir mais rápido, e cedo espaço. Estamos na mesma direção, mas não me importo se alguém deseja ir mais rápido”. Ele então disse: “Isso não é como quando eu dirijo; vejo os outros carros como competidores”.
Nesse exemplo, fica claro que ele não trabalha em equipe, nem constrói uma, algo evidente até em sua forma de conduzir.
Ao me tornar pastor, compreendi: o melhor jogador da equipe deveria ser eu, mas, como líder, não preciso enfatizar minha posição, e sim destacar que sou parte do time. Isso é essencial.
O apóstolo Paulo ensinou Timóteo e Tito sobre isso. A Timóteo, ele escreveu: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, transmite-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (II Timóteo 2:2). Não faça tudo sozinho; construa sua equipe.
A Tito, disse: “Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas restantes e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei” (Tito 1:5). Não um líder em uma cidade, mas vários líderes em cada cidade.
Há uma nova geração na Europa que chegou a Cristo, fora das igrejas, e está buscando a Deus. Precisamos ensiná-la os princípios do Reino de Deus. O importante é não tentar controlá-los, mas ajudá-los a desenvolver suas próprias asas.
A Bíblia revela isso, com exemplos que começam no Velho Testamento e se estendem ao Novo. Em Romanos 9.11-12, lemos que o mais velho não deve dominar o mais novo, mas servi-lo, dando-lhe a plataforma para crescer. O livro aos Efésios 4 afirma que Cristo concedeu líderes espirituais à Igreja.
Essa nova geração na Europa será composta pelos líderes do futuro. Precisamos garantir que receberão a plataforma adequada, guiando-os, treinando-os, mas sem controlá-los. É necessário permitir que desenvolvam suas asas para voarem.
Isso é obra de Deus, que transformará tudo nestes últimos dias. A Igreja não será mais como antes; os templos físicos não serão mais uma necessidade. Essa nova geração irá muito mais longe e avançará mais rápido do que podemos imaginar. Talvez seja hora de irmos para a pista da direita e dizer: “Está tudo bem se você me ultrapassar”. Nós, os mais velhos, seremos suporte e os apoiaremos. Deixem eles voar.
*Trechos da mensagem do dia 05 de julho de 2025, na Conferência de Ministros Europa.
















1 Comentário
Uau!! Fiquei impactada. Realmente o trabalho na igreja fluiu quando trabalhamos em conjunto, sem se importar com quem levará o crédito.
Trabalhando juntos para o reino de Deus avançar. A mentalidade do eu precisa ser mudada para o NÓS.