Alcance o que Deus prometeu

Cremos no Deus dos milagres para estranhos, mas duvidamos do Seu poder na vida daqueles que mais amamos.
Jorge Bizoni
Professor do Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Em nossa jornada de fé surge um paradoxo doloroso: muitas vezes nos tornamos eloquentes motivadores para os de fora, enquanto, para os de dentro — cônjuge, filhos, pais e parentes próximos — podemos assumir o papel de desencorajadores.

Oramos com fervor pelos estranhos e declaramos: “O Senhor é contigo!”, mas para os nossos, sob o manto do cuidado afetivo, em vez de confessar a Palavra de Deus, podemos semear dúvida: “Vamos ver quando isso acontecer”, “É arriscado, imagine as dificuldades”.

A Bíblia ilustra com força esta dinâmica. Deus ordenou a conquista da terra prometida, mas Moisés acrescentou palavras de medo: “Ide, vede se a terra é boa ou má…” (Números 13:17-20). Em contraste, Josué e Calebe inflamaram coragem e confessaram a vitória: “Subamos animosamente e possuamos a terra, porque certamente prevaleceremos!” (Números 13:30).

Esse “realismo” protetor, nascido de um coração zeloso e de experiências passadas de dor, pode roubar a coragem de conquistar o que Deus já prometeu. Reconhecemos o amor legítimo nesse cuidado, mas, quando ele predomina, revela uma incoerência dolorosa: cremos no Deus dos milagres para estranhos, mas duvidamos do Seu poder na vida daqueles que mais amamos.

Como ensinava o irmão Kenneth Hagin: “A confissão é a maneira pela qual a fé se expressa”. As Escrituras nos convocam a outra postura: “Consideremo-nos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras… encorajando-nos mutuamente” (Hebreus 10:24-25).

Sejamos abençoados na prática da Palavra.

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