Sergio Rodrigues
Professor do Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Quem nunca dormiu em meio a uma oração que atire a primeira pedra!

Tudo bem, talvez você nunca tenha feito isso, mas tenho certeza de que muitos irão se familiarizar com a situação, afinal como resistir a paz que é deitar no colo do seu Pai após um dia turbulento e simplesmente descansar (Entenda que não defendo o hábito de dormir enquanto ora, mas não condeno quem o faz por suas razões particulares).

Olhando para a Bíblia, encontramos diversas orientações acerca da Oração. Paulo nos traz o entendimento de que a oração não deve cessar nunca (I Ts 5.17) e, talvez ao ler isso você se sinta pressionado, pois não consegue orar mais do que 2 minutos que já começam a faltar as palavras. Se você tem esse sentimento, pode ser que você ainda não entendeu o que é oração.

A oração é justamente nossa comunhão com o Pai, um diálogo entre Pai e filho, o fruto de ter consciência do relacionamento pessoal com Ele.

Orar sem cessar é nunca deixar de ter consciência do seu relacionamento com seu Pai. Acredito profundamente que Jesus quando falava de crianças, tratava do relacionamento de dependência de uma criança com os seus pais.

“E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”. (Mateus 18.3)

“Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”. (Lucas 18.16)

Lendo os dois textos citados, vi que constam em três dos quatro evangelhos (Mc 10.14, Lc 18.16-17, Mt 19.14) e comecei a analisar o comportamento de uma criança.

Uma criança que acorda assustada durante a noite, corre em direção do quarto dos pais, se lança na cama e apenas diz: “Papai tive um pesadelo, posso dormir aqui essa noite?”. Ela se lança antes de perguntar e nem pensa se seu pai é poderoso o suficiente para vencer o pesadelo, ela apenas confia nesse abraço.

Quando a criança tem um desejo, ela não fica procurando argumentos, não analisa as condições financeiras e muitas vezes nem as condições naturais para pedir aos seus pais. Quantas crianças pediram bonecas e carrinhos e receberam quando seus pais tiveram condições de dar, sem nenhum esforço delas além do pedir. Até mesmo os pedidos mais absurdos como “podemos ir até a lua” foram recebidos pelos pais, mas não realizados por não ter condições.

Jesus fala disso quando diz:

“Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão, lhe dará pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”. (Mateus 7.9-11)

Nunca vi uma criança chegar em seus pais com dúvidas, mas sempre confiantes; para elas, os pais sabem todas as coisas, podem todas as coisas e ninguém pode impedi-los. Quando algo acontece a única coisa que elas precisam fazer é dizer: “PAPAI”.

Você não vê crianças olhando para seus pais e dizerem: Ó grande e sábio pai, todo poderoso e soberano papai.Obrigado por você trabalhar tanto, por me alimentar, por fazer minhas vontades, obrigado por me dar uma cama para dormir e por muitas vezes me dar a sua. Você é um pai esplêndido, inigualável e não há outro pai como o senhor”.

O que vamos encontrar são crianças dizendo “Papai obrigado, você é demais”.

Foi por isso que Jesus ao responder a pergunta mais sábia feita por um dos seus discípulos, os orientou a não serem como os exibicionistas que oravam com eloquência, com palavras fortes e repetições massivas para que durassem horas, mas para que corressem para o quarto e dissessem: PAPAI.

A grande verdade é que se as orações dependessem de nós e de como oramos, estaríamos perdidos, mas graças à Deus que depende do poder dEle, que nos ouve.

Não vamos entrar em cada tipo de oração, nem nas bases da oração, mas quero finalizar com o princípio deixado por Jesus:

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei”. (João 14.13-14)

Devemos nos achegar como crianças, não conscientes de nós, mas do que Jesus fez, de quem Ele nos tornou, de que Ele é nosso intercessor e que tudo será feito no nome dEle.

E quando orardes, apenas lembre-se de que está com o PAPAI!

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