Escola de Missões capacita alunos no “Porta-voz”

O treinamento desenvolve ferramentas de comunicação e habilidades para anunciar o Evangelho em diferentes contextos.

A Escola de Missões promove o treinamento Porta-voz para preparar os alunos para as oportunidades de ministrar a Palavra no campo missionário. A iniciativa desenvolve habilidades de comunicação e oferece ferramentas para anunciar as Boas-Novas, alcançar os perdidos e edificar o Corpo de Cristo.

Durante as aulas, os alunos aprendem a elaborar mensagens, organizar temas e desenvolver a habilidade de ministrar a Palavra. A formação ocorre ao longo do ano e contempla etapas teórica e prática.

O Porta-voz foi um treinamento idealizado a partir de uma experiência que Simon e Adriana Potter conheceram durante uma visita à Ásia. “Eles viram esse treinamento, que visava treinar novos ministros, e, captando essa ideia, viram como seria oportuno trazê-lo aqui para o Brasil, para a Escola de Missões”, explicou o diretor Jadeilton Almeida.

De acordo com Simon, a origem do Porta-Voz remonta à expansão do Rhema em Singapura, há cerca de 15 anos. Na época, a instituição implantava novas escolas bíblicas em outras regiões da Ásia e preparava professores para atuar nessas unidades. Para isso, o diretor Joe Purcell desenvolveu um treinamento de oito semanas, com aulas à tarde, cinco dias por semana.

Simon e Adriana Potter conheceram a proposta quando Joe os convidou para compartilhar conhecimentos durante uma semana de treinamento. A experiência despertou o interesse do casal, que enxergou a possibilidade de adaptar o modelo à realidade do Ministério Verbo da Vida. Então, eles compartilharam a ideia do projeto com o apóstolo Guto Emery e Suellen Emery, antes de chegarem ao Brasil, em 2017.

O treinamento original era dividido em três partes: palestras sobre temas relacionados à homilética, conversas interativas e ministrações dos alunos. As aulas abordavam assuntos como oratória, hermenêutica e construção de mensagens, além de orientações práticas sobre a vida e o ministério de um professor itinerante.

Ao adaptar a proposta para o contexto brasileiro, Simon introduziu o conceito de Debate-papo para identificar a segunda etapa. A intenção era criar um ambiente de participação e troca de experiências, no qual os alunos pudessem discutir questões relacionadas à comunicação da Palavra e aos desafios do ministério itinerante.

A terceira etapa era dedicada às ministrações dos próprios participantes, seguidas de avaliações. Na turma pioneira de 2017, a escola adaptou essa dinâmica ao contexto brasileiro e estabeleceu apresentações de cinco minutos, com retorno imediato dos avaliadores.

Segundo Jadeilton, a iniciativa tem como objetivo suprir a necessidade de preparar alunos com diferentes níveis de experiência ministerial. “Na Escola de Missões, temos um público misto. Recebemos anualmente pessoas que já possuem experiência ministerial, já têm uma vivência de púlpito e pregações, mas também recebemos pessoas que nunca subiram em um púlpito e nunca ministraram para nenhum número de pessoas”.

A proposta, no entanto, não se limita à preparação para falar diante de grandes públicos. O treinamento também capacita os alunos a compartilhar a Palavra com pequenos grupos ou mesmo com uma única pessoa, considerando as características de cada ouvinte e a melhor maneira de comunicar a mensagem.

Nesse processo, a clareza é um dos principais objetivos. O uso de uma linguagem excessivamente rebuscada, por exemplo, pode dificultar a compreensão do público. “A ideia do Porta-voz é fazer com que a mensagem seja transmitida de forma eficaz e que o ouvinte compreenda, pois não vale a pena terminar uma pregação sem que as pessoas entendam o que foi dito”, enfatizou Jadeilton.

Assim, o treinamento busca preparar os alunos para transmitir uma mensagem bíblica com clareza, sabedoria e coerência, independentemente do tempo disponível para ministrar. Embora o início possa gerar apreensão, especialmente entre aqueles que ainda não possuem experiência no púlpito, os resultados se tornam perceptíveis ao longo do processo.

Ao longo do primeiro semestre, os alunos participam de aulas que os orientam e capacitam para compartilhar a Palavra de Deus em diferentes situações. O treinamento aborda desde a elaboração de sermões até a interpretação e a exposição das Escrituras, além de aspectos práticos da comunicação. “Nosso treinamento tem os módulos de homilética, hermenêutica, exegese, saúde da voz, postura no púlpito, e assim por diante”, destacou o diretor.

Na etapa prática, cada aluno escolhe uma matéria do Rhema para desenvolver como base de sua ministração. A proposta é aplicar os conhecimentos adquiridos durante as aulas na elaboração e na apresentação de uma mensagem bíblica.

O treinamento também prepara os alunos para ministrar com o auxílio de intérpretes, uma habilidade importante para quem atuará em diferentes nações. A iniciativa surgiu de uma sugestão de Simon Potter durante a experiência em Singapura e foi incorporada à preparação dos estudantes no Brasil.

“Esses alunos vão para outras nações e vão precisar de intérprete. Seria bom ter essa experiência durante o treinamento”, explicou Simon.

No formato anterior, que durava duas semanas, a Escola reservava os dois últimos dias para as ministrações com intérprete. Como o tempo de cinco minutos incluía a tradução, o aluno precisava transmitir sua mensagem em aproximadamente dois minutos e meio.

A avaliação considera o uso do texto bíblico, a coerência doutrinária, a utilização da voz, a postura e a desenvoltura no púlpito. Os professores também observam se o aluno consegue manter o foco na mensagem bíblica, sem misturá-la indevidamente com outros elementos, e aplicar os princípios aprendidos durante as aulas.

Como o tempo disponível não permite que todos ministrem uma segunda vez, os professores selecionam alguns alunos para uma nova oportunidade. Nessa etapa, eles podem apresentar a mesma mensagem, aplicando as orientações e correções recebidas na primeira avaliação.

Outra característica do Porta-voz é a imprevisibilidade. Os alunos descobrem quem ministrará apenas no momento da aula, o que os ajuda a desenvolver prontidão e ousadia para aproveitar as oportunidades ministeriais. Em cada aula, com duração de 50 minutos, três alunos ministram por dez minutos cada, enquanto os 20 minutos restantes são destinados às avaliações dos professores.

“Fazemos assim porque queremos desenvolver neles essa prontidão de estarem preparados para ministrar a qualquer momento em que forem chamados, além da ousadia de se levantarem quando surgir uma oportunidade”, ressaltou o diretor.

A iniciativa conta com o apoio da liderança do Ministério Verbo da Vida, representada pelo Ap. Guto e Suellen Emery, e recebe o suporte da Coordenação Doutrinária.

O apóstolo destacou a importância do treinamento na formação dos alunos da Escola de Missões, especialmente na preparação daqueles que anunciam o Evangelho.

Para ele, quem assume essa missão precisa conhecer a Palavra e comunicá-la com clareza e fidelidade.

“O que considero especialmente valioso é a oportunidade de unir conhecimento e prática, permitindo que os alunos ministrem, sejam avaliados e recebam orientações para melhorar”, afirmou.

De acordo com ele, essa experiência contribui diretamente para o preparo dos futuros missionários, desafiando-os a desenvolver suas habilidades de comunicação e a compreender a responsabilidade envolvida no ensino da Palavra de Deus.

O apóstolo concluiu ressaltando que “quem se dispõe a ensinar também precisa estar disposto a aprender”.

Como encerramento da programação, o Bate-papo doutrinário oferece aos alunos a oportunidade de esclarecer dúvidas diretamente com membros da Coordenação Doutrinária do MVV. O momento contribui para aprofundar o conhecimento das Escrituras e fortalecer a compreensão doutrinária dos estudantes, complementando os conteúdos apresentados nas aulas e a experiência adquirida nas ministrações práticas.

Neste ano, Fernando Leal, Carol Honório, Magliana Rodrigues e Manoel Dias participaram do bate-papo. Os ministros responderam às perguntas dos alunos sobre temas como o ministério dos anjos, o ofício do profeta, missões transculturais, os limites do perdão, obra redentora e escatologia.

Ao finalizar a programação, cada um ministro teve um tempo para deixar as considerações finais. Fernando incentivou os alunos a reconhecerem seu papel na transmissão dos ensinamentos bíblicos e a aproveitarem as orientações recebidas durante as avaliações. “Vocês são uma extensão da doutrina aonde Deus os enviar. Que a missão desse projeto permaneça acesa em vocês, dentro da visão em que estão inseridos”, declarou.

Manoel Dias ressaltou que as Escrituras devem ser a referência para avaliar qualquer ensinamento. “A resposta está sempre nas Escrituras. Você precisa conferir se a doutrina é de Deus, do diabo ou dos homens e permanecer com a de Deus”, afirmou.

Carol, por sua vez, encorajou os estudantes a encararem as correções como parte do processo de crescimento e a aproveitarem a formação para se prepararem para o chamado missionário. “Não existe lugar melhor do que viver no centro da vontade de Deus. Aproveite esse momento na Escola para adquirir as ferramentas necessárias e creio que vocês farão a diferença nas nações”, compartilhou.

Por fim, Magliana reforçou que a preparação deve continuar mesmo após a formação, pois o desenvolvimento espiritual é essencial para cumprir o propósito de Deus. “Quando andamos na Presença, conseguiremos fazer tudo o que Deus nos chamou para fazer”, completou.

A experiência também representa uma oportunidade de crescimento para os alunos. Mesmo diante da pressão das avaliações e do desafio de ministrar diante dos professores e colegas, eles reconhecem o próprio desenvolvimento e os aprendizados adquiridos ao acompanhar as apresentações dos demais participantes.

Ana Carolina Dias, da Igreja Verbo da Vida em Paulo Afonso (BA), destacou o crescimento que teve durante a treinamento. Ela contou que, mesmo já tendo experiência com crianças, adolescentes e grupos de oração, o Porta-voz foi importante para seu desenvolvimento e a ensinou a depender ainda mais do Espírito Santo.

A aluna também ressaltou que o nervosismo faz parte do processo de ministrar diante de diferentes públicos e culturas, mas que é necessário lembrar que Deus é o centro da mensagem, e não quem a transmite. “Além disso, nós também somos treinados em nosso ego e aprendemos a nos lembrar em quem devemos confiar e de quem devemos depender. Afinal, Ele é o centro, e não nós”, afirmou Ana Carolina, enfatizando que todo o período de preparação valeu a pena.

Quem também comentou sua experiência foi Karen Muniz, da Igreja Verbo da Vida em Uberlândia (MG). Ela destacou a importância do treinamento para seu crescimento na comunicação da Palavra. Embora já tivesse experiência ensinando crianças, jovens e adolescentes em sua igreja local, Karen reconheceu que cada etapa do Porta-voz trouxe novos aprendizados.

Segundo ela, o nervosismo diante da banca avaliadora faz parte do processo, mas a preparação e a dedicação são fundamentais para transmitir a mensagem com convicção. “É necessário nos esforçarmos, estudar e ler a Palavra, até que ela seja vida dentro de nós, a ponto de pregarmos aquilo que está em nosso coração”, afirmou.

Outro aprendizado importante foi compreender a necessidade de depender do Espírito Santo durante a ministração, mesmo quando o tema escolhido faz parte de uma matéria estudada no Rhema. Karen enfatizou que anunciar o Evangelho exige compromisso com o chamado recebido de Jesus.

“Ministrar a Palavra é uma grande responsabilidade. Jesus nos chamou para levá-la por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda criatura. Por isso, não podemos tratar esse chamado com leviandade, mas com esmero, esforço, dedicação e dependência do Espírito Santo”, declarou.

Por fim, ela compartilhou como vivenciou esse aprendizado no dia em que foi chamada para ministrar. Apesar de ter ficado nervosa durante os outros dias do treinamento, naquele momento sentiu paz e segurança para compartilhar a mensagem. “Eu tinha convicção de que o Senhor havia confiado aquela mensagem a mim. Então, apenas expressei aquilo que já estava guardado em meu coração”, concluiu.

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