Giacome Travassos (João Pessoa-PB)

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Tenho 42 anos, sou casado com Patrícia há 21 anos e temos duas filhas. Ser o único homem dentro de casa é estar cercado pelo universo feminino é divertido.

Depois de receber Jesus, o casamento foi a melhor escolha que fiz. Casamento é um grande desafio. E tudo depende de onde você quer chegar. Nós queremos o bem da nossa família e se os dois querem a mesma coisa é só alinhar o que precisa.

O casamento é para ser divertido, isso não quer dizer que não teremos problemas, ou situações que surgem, percebo que às vezes, tiramos os olhos das coisas boas e começamos a colocar a nossa visão nos defeitos. Busco preservar as coisas boas e me divertir. Casamento é um lugar de alegria, crescimento e avanço, mas exige manutenção.

No mundo tem um conceito errado de casamento e isso tem se infiltrado na igreja, é a questão da perda de valores. Porque se você tem consciência de uma vida a dois, não vai vivê-la apenas para você, vai ter momentos que precisa ceder, construir e enfrentar os desafios juntos.

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Alguns dizem que precisamos entender as mulheres, eu diria que precisamos desfrutar da vida com elas. Não tem para que entender… (risos) elas são assim. Tem coisas em minha esposa Patrícia que é o jeito dela. Eu quem preciso me adaptar a algumas coisas dela, como ela também precisa de adaptação com relação as minhas coisas. Eu fui aprendendo a lidar com o universo feminino na prática. Quando as meninas, minhas filhas eram pequenas, era mais fácil. Eu até tentei discípulá-las no inicio. Por exemplo, uma carteira, para andar com ela, eu mostrava a minha carteira e dizia: veja, você só precisa andar com poucas coisas, documentos, cartão e dinheiro. Eu dizia: “Olhe a carteira de papai e olhe a bolsa de mainha”.

Funcionou bem até elas ganharem a primeira bolsinha. Mas, era algo que eu dizia que não precisa andar com tudo aquilo, não adiantou. Às vezes, não tinha nada dentro, mas estavam com as bolsas e na medida que crescem a bolsa tem que estar cheia de coisas. E decidi me divertir com isso.

As minhas filhas me chamavam para brincar. Eu sentava com elas. Aí me deram uma Barbie, olhei e pensei: “o que eu faço com essa Barbie?” Resolvi comprar o carrinho da Barbie, embora seja rosa, era um carrinho. E você vai aprendendo a lidar com isso.

Mas, elas cresceram e hoje, são três escovinhas nos cabelos, 60 unhas para pintar, são muitos cuidados que as mulheres têm. Existe coisas que você não vai conseguir mudar, então, é melhor se divertir com elas. Não vou me desgastar, porque amar é ceder, vou aproveitar as nossas diferenças. Quando vamos ao shopping entramos nas lojas. Eu entro, dou opinião, estou junto, acompanho, só sento se estiver bem cansado.

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Letícia gosta mais de shopping, Aninha, a mais nova, não é muito de ir. Ela é mais prática. Tiro onda com elas.

Existem inúmeras vantagens. Ninguém usa meu sapato. Minhas blusas, sou bajulado pelas três. Minhas filhas são muito próximas a mim. Certo dia, cheguei em casa, cansado, liguei a TV, e nós homens é engraçado, nos distraímos com a TV, aí minha filha disse: “pai, comprei umas blusas”. Eu disse: “que bom, vai vestir para eu ver”. E eu olhando a televisão, de repente, escuto o grito: “pai, já vesti três blusas e o senhor não olha, não vira nem o pescoço”. Elas já aprenderam a se divertir comigo também (risos)

Eu sou realizado no meio das mulheres com a família que eu tenho.

A mais nova não gosta quando faço piadas que falam da inferioridade da mulher. Mas, falo para provocá-la mesmo e, eu me divirto, Patrícia entra na brincadeira e Letícia nem liga.

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Patrícia é a pessoa que eu mais amo na Terra. Alguns acham isso forte, por eu ter as minhas filhas que eu amo demais também ao ponto de dar a minha vida por elas, mas Patrícia é a minha esposa. Também amo demais a minha mãe, mas é um amor diferente. Ninguém me entende como a minha esposa, ninguém me ajuda como ela. Das mulheres que eu conheço, é a mais sábia que eu conheço. Tenho plena consciência de que sou o homem que sou e, estou onde estou, por causa dela. Quando fraquejo, ela sempre me levanta com sabedoria, tem as palavras certas na hora certa. É uma convivência de 21 anos, uma vida.

É uma pessoa que já pagou o preço pelo meu bem, meu crescimento e vejo isso como sabedoria, uma submissão salutar pelo bem do nosso relacionamento. Ela está sempre junto nos meus projetos, isso me encanta. Sem falar que ela é amorosa. No início, não era muito carinhosa, e eu sempre fui muito dengoso (risos) gosto de carinho e dizia: “amor, me ajude, faça um carinho… ajude o irmão…” e ela melhorou muito nisso.

É uma pessoa de personalidade forte, mas dócil. Dificilmente uma pessoa não gosta dela. E ela me ensinou isso, porque eu era muito seco e chato, muito chato. Ela dizia: “amor, tu precisa melhorar nisso”, e isso era antes do chamado.

Ela é sempre amorosa, às vezes até demais. Quando ela precisa chamar atenção de pessoas e eu digo: “Você precisa ser mais dura”. Ela vai ser dura e melosa (risos), não consegue. É o jeito dela. Ela me influenciou a ser mais amoroso, abraçar, tocar as pessoas. Esse é o jeito dela.

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Eu acho muito engraçado como duas filhas saem do mesmo ventre, são filhas do mesmo pai e mãe, tem a mesma criação e são tão diferentes.

Letícia é muito estudiosa, organizada, ela quer fazer agenda das atividades diárias, isso me deixa em pânico, porque isso eu acho que ela puxou a minha mãe que um dia disse: “Se eu morrer você pega primeiro esse documento aqui…” e eu disse: “mainha, pelo amor de Deus”.

Letícia não chegou nessa fase, mas é muito metódica, ela estuda lendo, fazendo resumo, decorando o resumo… se deixar ela passa o dia sem tomar um copo com água. Desde cedo ela tem convicção muito forte do seu chamado para a Espanha. Eu a animo a caminhar na visão. Ela é uma menina rendida ao Senhor, tem suas experiências com o Senhor é uma serva por natureza, nos viu servindo e ela não negocia a sua responsabilidade. É muito meiga, uma filha admirável.

Como falei, aprendi a me divertir com as coisas. Eu sou ciumento, no ponto de vista de estar de olho. Acho que nenhum pai quer ver a filha sofrer ou ser maltratada. Desde o ventre nós já orávamos pelas meninas e pelos maridos, alguns acham isso extremo, mas não acho. Coisas que falávamos sobre temperamentos, e unidade entre elas. E vemos isso, elas não brigam. Se bem que logo cedo eu coloquei regras do tipo: se as duas brigarem, apanha as duas, então, elas se resolvem rápido.

Surgiu o genro. Acho interessante porque as pessoas acham que sou bravo. Se eles casarem, ele será um filho que não tive. Trato as coisas com ele de forma séria. Quando ele foi pedira a Letícia em namoro peguei um texto da internet e li para ele. Algo mais ou menos assim:

“Procure um advogado, se quer um romance vá ler um livro, meus olhos estão em todos os lugares”.

Falei isso sério. Patrícia disse: “ele está brincando”, mas eu falei sério.

Ele é um menino de Deus, isso nos deixa confortáveis. Eles namoram de forma séria, projetam a vida juntos, isso inclui ministério. Então, de vez em quando, lembro que estou de olho.

6

Aninha a filha mais nova é muito divertida. Ela parece muito comigo. Porque sempre fui muito tímido, porém com as pessoas que tenho intimidade sou extrovertido e brincalhão. Ela era mais tímida do que é hoje, melhorou muito. Mas é divertida, gosta de aprontar, dar susto dentro de casa. E nessas hora tenho que me recompor para corrigir, porque é divertido. Eu lembro que mais jovem eu fazia cócegas no meu avô, então, é coisa de família. (risos).

Ela é muito prática, objetiva, esses dias fui pegá-la na escola, ela faz o primeiro ano e fará o ENEM por experiência. E eu falei: “Aninha, tu estás estudando para o ENEM?”

Ela falou: “Estudar o quê? E tem que estudar para o ENEM?”.

Agora ela só tira boas notas, mas é muito tranquila.

Enquanto Letícia se preocupa com 2050, Aninha está vivendo o momento dela. Isso é divertido e eu gosto disso. Ela é um pouco mais reservada e faço alguns tratamentos de choque, abraço, aperto e seguro para ver como ela reage. (risos)

É muito dedicada na igreja, no louvor e no diaconato dos adolescentes. Ajuda no Rhema Kids, dando as aulas, brinco com ela dizendo que ela já fez o Rhema 3 vezes. Já tem uma firmeza na visão muito grande, é responsável e ajuda bastante no ministério.

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Quando preciso decidir algo e preciso de conselhos, meu primeiro contato é Patrícia. Geralmente surgem coisas, situações e quando eu não tenho algo no coração para falar, prefiro não responder na hora. Consulto ela e se acharmos que devo fazer algo, procuro fazer.

Graças a Deus, não tenho segredos com a minha esposa, nós aliviamos um ao outro das cargas que surgem. Isso nos deixa fortes e ligados um ao outro.

No ministério, consulto a diretoria do Ministério, dependendo da situação prefiro recorrer a eles, porque estamos lidando com vidas e isso é muito sério.

8

Sou um sonhador. Mas um sonhador dos propósitos de Deus. Às vezes, me pego conversando com Patricia e nossos sonhos são expectativas boas para 2017. O ano de 2016 foi de muita construção. De coisas que vínhamos gerando no espírito, que Deus vinha compartilhando, coisas que eram extremamente impossíveis aos nossos olhos, mas Deus trouxe essas coisas. Algumas já nasceram. 2017 é um ano de aceleração.

Na minha essência, o que eu mais quero é ser mais íntimo de Deus. Eu não quero ser apenas filho, quero ser amigo de Deus. Sei que o restante será conseqüências dessa busca.

Tenho alguns sonhos naturais. Temos gerado uma casa em nosso coração e creio que está chegando o tempo. Isso faz parte da nossa vida. Queremos zelar aquilo que o Senhor confiou a nós. Quero me lançar numa intensidade maior, sem isso não tem sentido.

9

Sou filho de psicóloga e tenho uma psicóloga particular, embora ela não possa atuar como tal comigo. Ela, de vez em quando, me faz sentar e questiona: “meu filho como está?”. Até hoje ela faz isso. Atualmente, ela mora no Rio Grande do Sul e recentemente me mandou um e-mail que era quase uma sessão de análise. Demorei lendo e respondendo.

As meninas me viram muito tempo em silêncio e perguntaram: “pai, por que você está tão calado?”.

E respondi: “estou lendo um e-mail de mainha”.

E logo elas viram que precisava me concentrar mesmo.

Eu sou um homem prático. Costumo dizer que as pessoas dificultam suas próprias vidas. Porque quando você vê decisões que algumas tomam, em especial as que estão na igreja, diante da quantidade de conhecimento dado a elas, a palavra que recebemos, os conselhos, os exemplos que temos dentro do ministério, mas as pessoas estão tão envolvidas dentro de si mesmas, que esquecem de perceber o que Deus tem para elas. Precisamos viver de forma mais simples.

Observando o meu mundo, por exemplo, moro com três mulheres, eu podia viver confrontando as meninas, por serem diferentes, mas decidi me divertir. Acho que as pessoas não se divertem com a vida que possuem.

As pessoas estão olhando muito para o que não tem e deixam de ver o que possuem, e estão vivendo na expectativa do que não tem e vivem frustradas. Seja no casamento, no ministério, na profissão ou na vida, são pessoas que não conseguem ser gratas.

A vida é simples, viva a vida, desfrute do que Deus tem para você.

Infelizmente têm pessoas na igreja que vivem querendo levar em consideração os conceitos do mundo. Mas, não tem sentido isso.

É como se Deus as tirassem do Egito e na primeira dificuldade, elas quisessem voltar para o Egito. Ou seja, as pessoas podem não querer voltar para o mundo, mas as atitudes estão voltadas para a maneira que o mundo se comporta.

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Meus pais são separados desde quando eu tinha 5 anos de idade. Eu tenho pouca lembrança do meu pai em casa. Quando eles se separaram ficamos eu e meus três irmãos com a minha mãe. Ele constituiu outra família e teve mais três filhos. Ele mora em Campina Grande-PB.

Na época ocorreram alguns atritos, afinal, toda a responsabilidade dos quatro filhos ficaram com a minha mãe. Luzia, a minha mãe, foi pai e mãe, é uma heroína. Lembro que ela trabalhava de dia e estudava à noite para se formar e nos criar. Teve a ajuda dos meus avós, amo meu pai, mas tenho mais referência do pai do meu avô materno, do que dele. Meus avós paternos não conheci.

É impressionante olhar para meus pais, e como eles foram casados. São muito diferentes. Somos em três homens e uma mulher. Sou o filho do meio, sou o recheio, dizem que o melhor é o recheio.

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Minha mãe Luzia é muito temperamental, mas muito firme em seus propósitos. Uma mãe espetacular, os quatro são bem criados, pessoas de bem, embora ainda não são crentes, dois moram em João Pessoa, assim como eu, e o caçula, mora no Rio Grande do Sul com a minha mãe.

Mainha sempre foi uma mulher de fibra, decidida, aprendeu a dirigir sozinha, apenas olhando as pessoas, trabalhava muito, isso na época era muita ousadia, ela meteu a cara, venceu e nos criou bem. Não era de bater na gente, mas de conversar, mas as conversas eram longas, era melhor bater, mas às vezes, ela batia com uma sandália muito leve, e nós chorávamos por respeito e não por dor.

Mas, os conselhos dela para a vida até hoje nos ajudam muito. Ela é a nossa conselheira, ela é psicóloga clínica, foi professora da Universidade Federal do curso de medicina em Campina, mas aposentou-se já. Ela tinha consultório e a grande paixão dela foi a clínica.

Ela atendeu por um tempo crianças e adolescentes, mas desistiu. Um dia perguntei:

“Por que a senhora deixou de atender as crianças?”

Ela respondeu:

“Por causa dos pais. Porque quando eu chamava os pais para a responsabilidade, eles tiravam as crianças do tratamento”.

Isso a fez sentir-se frustrada por ter a oportunidade de ajudar. E ela decidiu parar, mas a admiro muito pela trajetória dela.

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A humildade não pode faltar em nossa vida.

Acredito que se eu não consigo ter humildade diante das pessoas, não terei diante do Senhor também. Se não sou humilde para aprender com a minha esposa, as minhas filhas ou qualquer pessoa, não estou pronto para servir. E estarei longe de ser quem Deus me chamou para ser.

Sou um amante de Deus e da vida. Tenho certo nível de cobranças sobre mim mesmo, se falho em alguma coisa, sou rigoroso nessa cobrança. Quando isso ocorre, fico uns dois dias quieto, remoendo com aquilo, mas hoje estou melhor, melhorei nisso, mas sou bem resolvido.

Uma virtude é a humildade, pode soar estranho, mas quando o sentimento de orgulho vem, minha esposa me ajuda e sou humilde em aprender.

O que preciso melhorar é a velha teimosia, às vezes, sou firme demais em opiniões, tenho que me policiar nisso. Sou forte em algumas decisões para mim.

Sou romântico, carinhoso, só não gosto de dar massagem nos pés da minha esposa, mas eu estou melhorando nisso. Estou crescendo, talvez seja mais um alvo para 2017, saber dar massagem. (risos)

Sou um homem chorão, amo chorar na presença do Senhor. Choro na frente das meninas, outro dia fui ministrar e não parava de chorar. Quando falei de mainha, me segurei um pouco, por saber por tudo o que ela passou. Tenho muito a melhorar ainda…

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