Lana Vasquez detalhou seu trabalho no resgate de crianças

A fundadora da organização Life Impact contou detalhes das suas experiências pelo mundo para salvar crianças de explorações e cativeiros.

A organização internacional Life Impact tem como objetivo combater o abuso e a exploração de crianças e adolescentes nos países em que atua. A instituição já está presente em quatro nações: Estados Unidos, Tailândia, Birmânia e Brasil, onde está em fase de consolidação. Durante participação no programa Toda Terça, no Centro de Operações do Ministério Verbo da Vida, Lana Vasquez, fundadora do projeto, revelou detalhes sobre o resgate de menores nessas nações.

Lana contou que não teve educação cristã em casa e nem em uma igreja. Na verdade, ela teve uma infância e adolescência problemáticas. “Eu estava a caminho de destruir ainda mais a minha vida, e foi aí que Deus me resgatou. Então, eu entrei na igreja e conheci o Evangelho pela primeira vez. Naquele momento, fui curada instantaneamente de epilepsia e fui liberta do pecado. Eu sabia que tudo tinha mudado e que eu era uma nova pessoa”, revelou.

A ministra lembrou que no mesmo momento em que ouviu o Evangelho, foi até o altar para entregar a sua vida a Jesus. “Foi como um óleo descendo da minha cabeça até os meus pés, lavando-me completamente por onde passava. Eu me senti pura e inteira, algo que não sentia desde que era muito pequenininha. Senti como se nada de mal tivesse me tocado; foi como se a minha pureza e a minha inocência tivessem sido devolvidas para mim. Eu nasci de novo e era uma nova criação”.

A partir daquele momento, ela também recebeu uma grande revelação sobre seu chamado. Quando Deus a resgatou, ela disse: “Deus, isso que está acontecendo comigo é uma grande mudança. Foi a minha vida pela Sua vida, a Sua vida pela minha”. E compreendeu: “Deus me resgatou para que eu resgatasse outras crianças e outras pessoas que estivessem passando pelo mesmo trauma que eu passei. Mesmo tendo apenas 19 anos, eu sabia que tinha sido resgatada para resgatar e que precisava proteger os vulneráveis, já que ninguém me protegeu”. Ela queria ser essa pessoa pelas crianças, oferecendo proteção para que também pudessem ter sua pureza e inocência restituídas.

Assim, Lana assumiu uma dedicação pessoal e fez um voto a Deus de falar de Jesus ao maior número de pessoas possível, para que ninguém precisasse viver uma vida de destruição. “Ninguém nunca havia me dito que existia outro caminho até eu ter 19 anos quando entreguei minha vida a Ele pela primeira vez. Decidi que lutaria pelas crianças vulneráveis e inocentes por causa de tudo o que aconteceu comigo na infância. Eu sabia que essa era a minha luta: o Senhor transformou a minha dor no meu propósito. Eu não deixaria nenhum mal alcançar uma criança debaixo dos meus olhos”, contou.

A primeira grande experiência de resgate de Lana em outra nação envolveu uma menina de apenas oito anos, que havia sido vendida por 24 dólares. Na época, ela já havia implantado uma casa de prevenção na fronteira entre a Tailândia e a Birmânia (Mianmar), região onde cerca de 60 mulheres e crianças são traficadas diariamente para o Distrito da Luz Vermelha, uma área de prostituição. “Estávamos procurando por casas de acolhimento e não havia nenhuma daquele lado da fronteira; não havia nada”, recordou.

Ela contou que, um dia, enquanto esperavam para almoçar, a menina de oito anos se aproximou implorando por dinheiro. Ao que Lana respondeu à criança: “Não vou lhe dar dinheiro, mas vou lhe dar comida”. A garotinha, então, respondeu: “Vem comigo!”. Nesse momento, Lana ouviu em seu espírito: “Vá com ela!”. “Ela era uma criança de rua pedinte. Seus pés estavam cheios de cortes e feridas abertas de tanto andar no asfalto quente o dia todo. E o cabelo estava todo embaraçado”, detalhou.

Quando chegaram a um determinado local, havia vários meninos de rua. Lana os chamou: “Tudo bem, venham!”. A menina e os amigos pularam na caçamba da caminhonete, acenando como se estivessem em um desfile e indicando o caminho. Eles pararam em uma casa abandonada de dois andares, em condições deploráveis. As paredes tinham buracos tapados com sacos de arroz. Havia animais pelo chão e um buraco no piso do segundo andar. Lana subiu, sentou no chão, e a menina veio, sentou no seu colo e sussurrou no seu ouvido: “Professora, não deixe eles me levarem. Não deixe que me levem. Eu quero ir com você”.

“Eu ainda não entendia o que estava acontecendo. Foi quando a mãe dela apareceu e disse: ‘Ela vai para Bangkok em duas horas’. Perguntei por que, e a mãe respondeu que não tinham dinheiro e que a menina iria para lá vender flores. Eu confrontei dizendo: ‘Você sabe que ela não vai vender flores. O que ela realmente vai fazer lá?’. A mãe então respondeu que ela iria se juntar à irmã de doze anos”. Lana explicou que Bangkok é um dos maiores Distritos da Luz Vermelha do mundo, onde a maioria das crianças exploradas têm menos de 13 anos. Ela sabia exatamente o que fariam com ela e que a mãe da menina já havia vendido a irmã mais velha.

Depois de muito negociar com a mãe, propondo comida, Lana entendeu que não havia muito o que fazer, pois ela já havia recebido o dinheiro dos traficantes. Então, perguntou: “E se eu pagar de volta o dinheiro que você pegou dos traficantes?”. Por um momento, o olhar no rosto da mãe mudou, e ela disse: “Leve-a agora!”. Como os traficantes já estavam a caminho para buscá-la, a mãe a alertou: “Você precisa levá-la agora. Se você demorar e eu não a entregar, eles vão matar todos nós. Você precisa ir embora agora!”.

Ela, então, colocou a menina na caminhonete e saiu. Lana não sabia nada sobre a criança: o nome, a idade exata, pois ela não tinha documentos. Enquanto dirigia, os traficantes cruzaram o caminho no sentido oposto, e a garotinha apontou, dizendo: ‘São aqueles ali que iam me levar para Bangkok’. Nós a resgatamos bem a tempo”.

“No caminho, passamos por uma grande organização que trabalhava com crianças, e a menina disse: ‘Eu estudo aqui’. Eu parei o carro, entrei e perguntei: ‘Vocês conhecem essa criança? Já a viram antes?’. Eles responderam: ‘Sim, nós a conhecemos’. Eu disse: ‘Ela ia ser vendida hoje!’. Eles responderam: ‘Nós sabemos, e sabemos de mais 12 que também vão ser vendidas'”. Lana, então, sem compreender por que eles não faziam nada, soube onde estavam as outras crianças e também conseguiu resgatá-las.

Questionada sobre o posicionamento do governo diante de seu trabalho e se há apoio às ações realizadas ou omissão diante da atuação dos traficantes, Lana respondeu: “É mais ou menos os dois, porque as crianças são traficadas e vendidas da Birmânia para a Tailândia. O tráfico é uma questão que envolve o governo, mas eles não tinham para onde mandar essas crianças. Eles marcaram uma reunião secreta comigo e disseram: ‘Sabemos que cerca de 60 mulheres e crianças são traficadas diariamente e precisamos da sua ajuda. Você poderia ser o local para onde enviamos essas crianças?'”.

Ela contou que, naquele momento, o Espírito Santo falou: “Não peça dinheiro. Peça duas coisas: autoridade sobre a polícia para que vocês sejam protegidos, e cidadania para todas essas crianças, para que possam criá-las, para que elas sejam uma influência na sociedade e nunca mais sejam vitimizadas”. Assim, ela fez e disse a eles que não queria o dinheiro, mas, sim, as outras duas coisas. Por isso, a organização não se tornou um abrigo governamental, mas é reconhecida pelo governo local.

“Temos até mais autoridade do que a polícia. Por causa da corrupção, a polícia só pode entrar em um local para pegar uma criança antes de anoitecer, mas nós temos uma credencial especial de resgate. Uma das minhas filhas, que criei e formei como assistente social, possui essa credencial. Com ela, podemos entrar a qualquer momento em uma casa e resgatar uma criança. Nós trabalhamos com o governo, mas eles sabem que somos cristãos e que podemos agir de forma independente”, contou alegre.

Lana entendeu que o Espírito Santo sabia que, se ela tivesse aceitado o dinheiro do governo, teria que ensinar o budismo às crianças, já que a Tailândia é 95% budista. Como recusou o dinheiro, teve total liberdade religiosa para ensinar a elas sobre Jesus, o verdadeiro resgatador. Foi assim que os primeiros resgatados foram levados para um local secreto e passaram por diferentes fases de cura. No entanto, a primeira coisa que ensinou a eles foi que Cristo os resgatou: “Eu não resgatei vocês. Jesus é o Resgatador. Deixem-me apresentar vocês a Jesus Cristo”, explicou aos pequenos.

A líder da organização afirmou que tudo isso faz parte do processo de cura. “Vemos o poder de Deus agindo ao resgatá-las e assegurar-lhes que nada de mal vai acontecer. Hoje, elas não carregam o cheiro nem a marca do trauma pelo qual passaram. Jesus restaurou a inocência e a alegria delas. Quando você visita a Terra Prometida (Promise Land – nome do local onde a organização funciona), você ouve risadas, vê e sente a pura alegria. As pessoas até comentam que nem parece que algo de ruim aconteceu com elas, como se nem um fio de cabelo tivesse sido tocado”, explicou.

Lana considera que seu trabalho não é apenas um ofício, é algo pessoal para ela: “É uma honra ser as mãos e os pés d’Ele para essas crianças, e poder tocar aqueles que estão no coração do Pai, levando o Cristo que cura e o resgate para elas. Jesus me resgatou. Então, tudo nasce de um relacionamento com Ele. Essas crianças estão no coração d’Ele. Ele escuta o choro delas, vê o sofrimento de cada uma e está confiando em nós para fazer algo a respeito. Não há nada maior na terra do que isso”.

Lana também comentou como a Life Impact chegou ao Brasil. Ela revelou que o país foi o primeiro sobre o qual ouviu falar a respeito da exploração de crianças. Ela teve acesso ao relato de um missionário em São Paulo (SP) sobre as milhares de crianças que vivem nas ruas da cidade, cheirando cola para matar a fome. Segundo o relato, elas fazem isso não porque buscam drogas, mas porque as substâncias são mais baratas do que comida em São Paulo. Para sua surpresa, a informação era de que havia mais crianças nas ruas do que lixo para que pudessem comer.

O missionário também contou que comerciantes pagavam à polícia para colocar crianças contra o muro e massacrá-las. Eram menores que não tinham nome, não tinham ninguém e não tinham importância. “Essas coisas nem sequer saíam nos noticiários. Estávamos falando de crianças. Enquanto aquele missionário falava, comecei a chorar copiosamente. De repente, ele veio até mim, colocou o microfone na minha frente e perguntou: Lana, o que você quer fazer para o Senhor?’. Eu respondi: ‘Eu quero trabalhar contra a exploração infantil internacional'”.

Assim, a fundadora da Life Impact afirmou que Deus usou o Brasil para colocar essa missão em seu coração. Ela disse que, no momento em que as palavras saíram de sua boca, nem sabia exatamente o que estava dizendo. Inicialmente, pensou que seu primeiro campo de atuação seria com as crianças de rua em São Paulo e até começou a se preparar para ser missionária lá. Mas Deus tinha planos e caminhos diferentes.

“Eu tive que dar a volta ao mundo antes de chegar ao Brasil. Deus estava me preparando durante todo esse tempo. Se você for fiel ao que Ele coloca em suas mãos — e Ele colocou a Tailândia e a Birmânia nas minhas —, no tempo certo Ele entrega aquilo que estava guardado no Seu coração. O Brasil sempre esteve no meu coração, e quando chegou o momento certo, Deus tirou esse desejo do meu coração e o colocou nas minhas mãos”, concluiu.

Lana deu alguns conselhos para quem tem o desejo de se envolver na causa do resgate de crianças. O primeiro deles foi: “Comece com o que você tem nas mãos. Acredito que, quando Deus nos dá uma missão ou um fardo tão grande assim, Ele também faz essa mesma pergunta: ‘O que você tem nas mãos?’. Todo mundo fica esperando por grandes oportunidades, mas comece com o que está bem diante de você”.

Um outro sábio conselho foi: “Encontre uma organização séria que esteja fazendo um bom trabalho e seja voluntário. Observe o que eles fazem, aprenda como fazem e veja o que Deus vai falar ao seu coração sobre isso. Todos nós temos algo a oferecer nessa luta. Pode ser o nosso tempo, os nossos recursos financeiros ou as nossas habilidades. Deus coloca algo nas mãos de cada um de nós que Ele pode usar para libertar essas crianças”.

Para quem deseja obter mais informações ou saber como contribuir com a organização Life Impact, é possível acessar seus perfis no Instagram:

@lifeimpactinternational e @lifeimpactbrasil

Ou ainda nos sites lifeimpactintl.org e lifeimpactbr.org. Nesses locais, é possível encontrar todas as fotos, informações e formas de contribuir, além do pix para doações.

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