Tenho 28 anos, nasci em Kyoto  no Japão. Meu país é lindo e desenvolvido. O custo de vida é alto, mas as pessoas ganham bem. É um lugar onde muita gente tem dinheiro, tem muitos ricos, mas espiritualmente são frios, a maioria das pessoas lá não sabem quem é Deus realmente, nem sabem quem é Jesus e, acho que cerca de 90% nunca foram à igreja em toda a sua vida. Eu era assim, me tornei cristã aqui no Brasil, mas antes disso nunca tinha ouvido falar de Deus em toda a minha vida. No Japão existem milhões de deuses, árvore é deus, água é deus, e muitas outras coisas. Então, pessoas não sabem que existe um único Pai. Jesus eles remetem ao natal, a comemoração, bolo, peru apenas isso. Mas, nunca ouviu falar em Jesus de verdade.

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Brasil… Vou falar sério… Quando cheguei ao Brasil vi que é um país totalmente diferente. Nada a ver com o Japão. A porta abre para o outro lado, se dirige do outro lado, tudo diferente. Quando cheguei aqui pela primeira vez, em 2009, não falava nada em português. Só “bom dia”, “Estou com fome”. As pessoas puxavam conversa: “E aí Yuki, tudo bem? …. Blá, blá blá…. e eu perdida (risos) Eu pensava: “O que eles estão falando?”.

Graças a Deus que os brasileiros são mais abertos. Eles foram me ensinando a falar certinho. Eles não riam do meu português, mas me corrigiam sempre que eu errava. Os brasileiros são hospitaleiros. Lembro que quando vim a primeira vez morei em Brasília, sofri com o clima, meu nariz sangrava direto, mas fui me adaptando.

Eu tive muito choque cultural. Mas, venci com a ajuda dos amigos. Eles me ajudavam dizendo: “não faça isso, isso é coisa do Japão, no Brasil tem que fazer isso”… E todo país tem a parte boa e a parte ruim e, temos que aceitar essas coisas, né?. Por isso, temos que nos adaptar aos lugares, porque nunca vai ter lugar igual. Brasil é assim, então vamos fazer assim. Essa mentalidade me ajudou muito.

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Tenho meus pais no Japão, um irmão mais velho solteiro e uma irmã mais nova que casou recentemente. Costumo dizer que a minha mãe é igualzinha a Sylvia. Eu sinto saudades da minha mãe e mato a saudades com a Sylvia (risos). A altura dela, o jeito do cabelo. O olho puxado e aquele abraço de mãe… é minha mãe! Quando eu era criança a minha mãe nunca abraçou ninguém, mas depois eu fui para o Brasil e quando voltei para o Japão comecei a abraçar todo mundo. Aí a minha mãe pegou isso. Começou abraçar todos que chegavam lá em casa, começou a abraçar meu pai, que ficou com vergonha no começo, mas os dois estão abrasileirados na minha casa. (risos)

Meus pais ainda não são cristãos, mas acreditam que Jesus cura. A minha mãe quando tinha dor na coluna eu orei pela saúde dela para ela ser curada e, instantaneamente ela foi curada. Depois disso, ela está mais aberta para a Palavra. Ela foi uma vez à igreja e sempre falo da Bíblia com ela.

Eu aceitei a Jesus e me batizei no Brasil e, depois voltei para o Japão e meu pai foi muito grosseiro quando soube da minha conversão. Minha família era budista praticante e eles se reúnem, chamam pessoas para dar palestras e, quando cheguei e falei que me tornei cristã, meus pais queriam me expulsar de casa e diziam que eu não era mais da família, diziam que eu podia sair de casa e que podia morar na rua se quisesse, mas não que não sujasse o nome da nossa família. Falaram muitas coisas por muito tempo. E eu orei a Deus pedindo uma estratégia e, aos pouquinhos eu falava: fui à igreja, aconteceu isso e isso, a palavra de hoje foi essa, ai eles começaram a escutar. Falei que Jesus cura e eles viram que realmente Ele cura, falei que Jesus os ama e, aos poucos, eles foram aceitando e não falam mais nada porque eu vou.

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Quando conheci o Henrique e ele foi lá em casa eles pensavam: o que ele quer? É brasileiro? Quer o visto permanente? Perguntaram um monte de coisas, eles conversaram e minha mãe gostou do Henrique. Ele foi jantar lá em casa e depois do jantar ele se levantou pegou os pratos na pia e começou a lavar. Minha mãe ficou assustada, porque meu pai nunca fez isso. Ele sempre senta, a comida já está pronta, após comer, ele já levanta vai ao quarto dele, é a minha mãe quem faz tudo. Como assim? Homem na cozinha? Ele lava a louça? E a minha mãe gostou, pois viu que ele é um homem que ajuda a mulher, ela ficou feliz por eu ter casado com ele.

Vir para o Brasil dessa segunda vez foi mais tranquilo, já que eu estava casada. Eles disseram: “siga seu marido, vá embora viver no lugar que ele vai. Cuida dele, faça o bem para ele”, eles entendem que aonde o marido vai a mulher deve ir.

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Meu marido Henrique é muito calmo, bem diferente de mim, ele dá um “stop” quando eu acelero demais. Às vezes, em meio a um estresse, ele diz “vamos sentar, conversar, vamos orar, saber o que Deus quer”, é o meu pastor, ele me puxa e diz: “Yuki vamos fazer isso, Deus falou”. Ele é ousado e estou segura para me submeter a ele. Sou muito feliz em estar com ele.

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Deus é meu Pai, Ele sabe todas as coisas. Eu não sei tudo o que tenho que fazer, mas Ele sabe. Deus é tudo! Tenho muita gratidão a Ele, pois esse tempo no Brasil se não fosse Deus a gente teria ido embora. Eu quero conhecer mais a Deus e quero ser usada por Ele para ajudar outros, estou feliz por tê-Lo em minha vida.

O que mais vou sentir falta do Brasil serão das pessoas, as expressões nordestinas. Vou sentir saudades da tapioca, strognoff, cachorro quente, tripa assadinha crocante (gostei de tripa), bode, a gente comeu bode… comemos um monte de coisas, comi jabuticaba, comi tanto que deu reação na minha barriga, mas comi. Amo manga, uma manga no Japão é 30 reais, aqui eu pego no pé, de graça, como à vontade! Maracujá também eu amo. Eu vou levar esse pé de manga para o Japão (risos) eu gostei muito, mas não gostei do cuscuz. Vou sentir falta do clima de Campina Grande que é maravilhoso. De manhã é friozinho, a tarde esquenta, mas no finalzinho da tarde já esfria de novo. É agradável esse clima. No Japão é frio, muito frio, de manhã até à noite é frio. No verão, de manhã até a noite é quente, não é como aqui.


O que sinto falta do Japão é da família e da comida principalmente, sinto falta do sushi. Quando eu cheguei aqui e fui a um restaurante japonês, as pessoa
s falaram: “você vai matar as saudades da comida japonesa”, quando olhei, pensei: “como assim? Sushi com creme cheease? Não tem nada a ver”, amo tanto sushi. Henrique sabe, amo peixe, frutos do mar, quero comer sushi de verdade… (risos)


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Temos um ano de casados, com apenas três meses juntos viemos para o Brasil. Tivemos que nos adaptar a língua, cultura, comida e ao mesmo tempo nos adaptar um ao outro, pois somos muito diferentes. Parece que é difícil, mas não foi, foi fácil. Namoramos dois anos e meio antes e isso facilitou. O desafio era grande, mas cada dia era uma aventura. Está sendo maravilhoso esse tempo.

Conheci amigos novos aqui que me ajudaram muito. Juliana, Kelita e Camila que vieram de Brasília fazer Escola de Missões também. Elas nos ajudam desde o começo, nos chamam para sair, sou muito grata pela vida delas. Se elas não tivessem aqui, não estaríamos sós, mas seria mais difícil. Fernando e Miriam nos ajudou muito, como pais mesmo, Guto e Suellen, mama Jan, Patricia Matsumura também nos ajudou. O pessoal do ministério nos acolheu e, isso foi bem importante. Eles sempre tiveram o coração aberto para nos receber. Somos felizes aqui no Ministério.

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Se eu pudesse levaria tudo que gostei aqui quando voltar para o Japão, mas levarei essa visão que o pastor Bud trouxe para o Brasil. Com a palavra da fé, quero levar para os japoneses a palavra que liberta de verdade. Quero ver os japoneses levantados pela palavra da fé.

Meu maior sonho é fazer cruzadas de jovens. Eu gosto de compartilhar a palavra. Evangelismo no Japão parece difícil, mas para mim não, eu vou no hospital e começo a orar, eu extravagante do jeito que sou, quando oro as pessoas ficam olhando. No mercado eu falo alto: “você conhece Jesus? Não? Eu te apresento”. No Shopping eu gosto de compartilhar a palavra. Quero que todo mundo saiba quem é Jesus.

Quero que sejam salvos, sou discípula de Jesus. Quero Rhema nos 47 estados do Japão. E o Verbo da Vida também. Estamos aqui no Brasil trabalhando na tradução das apostilas do Rhema para o Japonês, pois queremos o Rhema em todo canto do Japão. É difícil, mas é muito bom, porque aprendemos mais do português e mais das matérias do Rhema, já vejo os japoneses aprendendo a andar em fé, a ser guiados pelo espírito, às vezes, dá vontade de chorar de alegria, é emocionante.

Me sinto privilegiada por ajudar a levar a palavra da fé ao Japão, é uma honra ser serva de Deus, estamos aqui para servir e não ser visto.

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Eu sou um pouquinho doida, normalmente os japoneses são mais quietos, na deles, falam baixinho. Eu sou diferente, falo muito alto, sorrio muito no meio da conversa, mas as pessoas acham que sou doida só no começo, mas sou alegre, não sou doida! Antes não gostava de abraçar as pessoas, mas acostumei e gosto de abraçar todos, gosto de falar, de ver as pessoas alegres.

Sou feliz, sou ousada, sou inteligente também, gosto de andar em fé, sempre gosto de depender de Deus e não de homens, essa é a verdadeira vida maravilhosa. Andamos em fé a cada dia vemos o desafio, mas é gratificante.

1 Comentário

  • Muito bom e estimulante o testemunho da Yuki.
    Tantos detalhes onde Deus tem trabalhado e mudado a vida dela.
    Isso nos mostra o quanto Ele é maravilhoso e quanto o Evangelho é poderoso para alcançar qualquer pessoa em qualquer lugar
    O Senhor lhe acrescente bênçãos mais e mais irmã.
    Shalom!

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