Há muitos assuntos sobre os quais poderíamos falar, mas o que o Senhor tem tratado é sobre criação de filhos e o valor da disciplina, algo que tem se perdido.
Hoje há muitas vertentes e teorias. Uns dizem que se deve disciplinar, outros dizem que não se deve bater, porque a criança deve se expressar livremente. No meio de tantas opiniões e estudos, até baseados em ciência, nós, como cristãs, precisamos voltar ao princípio da Palavra: o que Deus diz sobre isso?
A Bíblia ensina que devemos renovar nossa mente pela Bíblia para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12:2). Quando o Senhor nos orienta, não é para o benefício d’Ele, mas para o nosso. Ele é a própria disciplina, o autor dos bons princípios. Quando o Senhor dá instruções, é sempre para nos proteger, não para nos restringir. Desde nova, precisei aprender a lidar com uma personalidade forte. Sou calma, mas firme, e isso exigiu trabalho interior. Minhas filhas herdaram esse jeito de ser e isso demanda sabedoria. Perdi meu pai aos oito anos e fui criada pela minha mãe e irmãos mais velhos, sem uma figura paterna. Mais tarde, precisei permitir que Deus alinhasse meu caráter à Palavra.
Na minha caminhada, Ele colocou o Pr. Bud na minha vida, e isso me ensinou muito. Nossas personalidades eram parecidas, e muitas vezes queria “bater de frente”. Mas precisei engolir o choro e aprender a me submeter. O apóstolo me treinou, sem saber, para o que eu seria hoje. Cada correção e confronto com minha carne formaram o caráter de Cristo em mim. A submissão ao Senhor e às autoridades espirituais é parte da disciplina que também precisamos cultivar. O Rhema foi parte desse processo. Na época, as regras eram rígidas: saias abaixo do joelho, obediência e submissão. Isso moldou o meu caráter. A disciplina me ensinou que não mudamos quem somos, mas podemos trabalhar nossa personalidade para que ela opere em linha com a vontade de Deus.
“Os filhos são herança do Senhor” (Salmo 127).
Herança significa propriedade. Deus confia os filhos aos pais para cuidar, ensinar e instruir. E nos deu um manual completo: a Bíblia, com princípios de criação, ensino e sabedoria.
Em 1 Samuel 2, Eli sabia do pecado de seus filhos, que se prostituíam no templo e roubavam as ofertas, mas não os corrigiu. O Senhor o repreendeu: “Por que honras teus filhos mais do que a Mim?”. A falta de correção fez Eli perder a promessa de que sua linhagem serviria como sacerdotes. Mesmo sendo homem de Deus, ele falhou na criação dos filhos.
Em 2 Samuel 13, Davi, outro homem segundo o coração do Senhor, também foi omisso. Seu filho Amnom desejou a própria irmã, Tamar, e, sem correção ou limites, a violentou. O pai soube e ficou calado. Absalão, tomado por ódio, matou o irmão. Tudo começou com a falta de disciplina. Essas histórias mostram que o amor sem correção não protege, destrói.
O pastor Bud costumava dizer: “Se você não corrige seus filhos hoje, quem vai corrigir mais tarde é a polícia, o professor ou as autoridades”.
Por isso, discipline enquanto é tempo. Traga seus filhos à igreja, valorize o departamento infantil e os professores, mas lembre-se: eles não substituem os pais, apenas reforçam o que precisa começar em casa.
A Bíblia é clara:
“Pais, não irritem seus filhos; antes, criem-nos na instrução e no conselho do Senhor” (Efésios 6.4).
“Instrui a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando envelhecer, não se desviará dele.” (Provérbios 22.6).
“A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afasta dela” (Provérbios 22.15).
“Não deixe de disciplinar a criança; a vara não a matará, mas pode livrá-la da morte” (Provérbios 23.13–14).
A disciplina não é violência, é limite com propósito. Assim como uma palmadinha impede uma criança de colocar o dedo na tomada, a correção evita que ela se machuque de formas muito piores no futuro. Deus não é beneficiado com a correção — nossos filhos são.
Há idades em que “a vara” deixa de funcionar. Para adolescentes, discipline com consequências práticas: tire o celular, restrinja passeios, retire privilégios. A correção precisa se adaptar à idade, mas não pode desaparecer.
E quando você errar na forma, peça perdão pela maneira, não pela correção. Explique o motivo da disciplina. Seja firme, mas justa.
Se disser “quando chegar em casa, você vai apanhar”, cumpra. Não por raiva, mas por coerência. Quando os pais não cumprem, perdem autoridade. A consistência é o que dá peso à palavra e ensina respeito.
Traga seus filhos à igreja e valorize o Departamento Infantil. Os professores não substituem os pais, eles complementam o que deve começar em casa. A disciplina é bíblica e necessária. Ela molda o caráter, preserva o futuro e manifesta o verdadeiro amor. Eli e Davi erraram por não corrigirem seus filhos; que nós aprendamos com seus erros.
Corrigir é amar. Disciplinar é proteger. Cumprir o que se promete é ensinar autoridade. E viver pela Palavra é garantir que a herança do Senhor cresça firme e sábia.
*Trechos da ministração do dia 18 de outubro de 2025, na Conferência de Mulheres Verbo da Vida.













