Na carta à Igreja de Éfeso, registrada em Apocalipse 2:1-4, Jesus Cristo elogia o trabalho, a perseverança e a fidelidade da comunidade cristã, mas também traz uma séria advertência: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”. Essa mensagem ressoa fortemente em nossos dias, especialmente para igrejas e crentes que cresceram e se estruturaram, mas precisam preservar a chama do fervor espiritual.
A Igreja de Éfeso era uma congregação influente, pastoreada por homens como o apóstolo Paulo e o apóstolo João. Era uma congregação ativa, engajada e resiliente diante das dificuldades, mas algo essencial havia se perdido: a intensidade do amor inicial por Deus. Hoje, essa mesma realidade pode se repetir quando, com o crescimento e a estruturação, a paixão pelo Senhor é substituída por uma prática cristã automática e institucionalizada.
O PERIGO DA TERCEIRIZAÇÃO DO MINISTÉRIO
Uma das grandes ameaças que acompanham o crescimento de uma igreja é a terceirização das responsabilidades espirituais. No início da caminhada cristã, cada um sente um zelo ardente por evangelizar, orar e adorar. No entanto, à medida que a igreja se estrutura, alguns passam a delegar essas práticas ao ministério de evangelismo, à torre de oração ou ao louvor, esquecendo-se de que a busca por Deus é intransferível.
A generosidade, que no início se manifesta de forma espontânea e sacrificial, também corre o risco de ser vista como uma responsabilidade exclusiva da igreja institucional. O mesmo ocorre com a oração e a busca pelo sobrenatural. O alerta de Jesus é claro: a igreja precisa voltar às primeiras obras.
O CRESCIMENTO NÃO PODE ROUBAR A ESSÊNCIA
Muitos movimentos espirituais começaram como um fogo ardente, mas, com o tempo, se transformaram apenas em estruturas organizadas e sem vida. A Igreja de Éfeso continuava ativa, mas sua paixão havia se esfriado. O mesmo pode acontecer individualmente: começamos com entusiasmo, mas, ao longo do tempo, a rotina substitui a devoção genuína.
A mensagem de Cristo é um chamado ao arrependimento. Precisamos crescer, sim, mas sem perder o fervor do primeiro amor. O que nos move é a presença do Espírito Santo, e não apenas boas estratégias. Devemos nos recusar a ser apenas um monumento do que o Senhor fez no passado; somos um movimento do que Ele continua fazendo no presente e fará no futuro.
A URGÊNCIA DA ORAÇÃO E DO AVIVAMENTO
Em tempos de expansão e realizações, Deus nos chama a uma base inabalável: a oração. Nenhum projeto, por mais grandioso que seja, pode substituir a busca pelo Senhor. A verdadeira batalha não está no financeiro, na gestão ou nas estratégias, mas na oração. Se vencermos na oração, venceremos em todas as áreas.
A advertência de Jesus é para hoje. Ele nos chama a um compromisso real com Sua presença. A verdadeira essência da igreja não está em sua infraestrutura ou em seus ministérios organizados, mas no coração queimando por Ele.
Somos chamados a crescer, mas sem jamais permitir que o fogo do Espírito se apague. Que possamos ser responsáveis por carregar nossa parcela desse fogo, mantendo viva a chama do primeiro amor e caminhando em um crescimento que honra a Deus, sem jamais abrir mão da dependência do Seu Espírito.















