A palavra do crente deve ser: sim, sim; não, não. Infelizmente, ter uma palavra firme e honrar os compromissos, nos dias de hoje, se tornou um luxo.
Em certas ocasiões, há falácias e enrolações em nosso meio. Isso é triste, pois entristece o Espírito Santo que habita em nós. Não tive a oportunidade de conviver de perto com o apóstolo Bud, mas, por fazer parte da Igreja Sede em Campina Grande (PB), pude ouvi-lo muitas vezes pregando sobre caráter, verdade, andar no fruto do Espírito e sobre a importância de ter palavra, de honrar os compromissos sendo crente.
Acredito que todos nós devemos avaliar como estamos vivendo a nossa vida, como agimos em nossos relacionamentos, se somos pessoas de caráter ou se, de maneira dissimulada, enrolamos as pessoas. Isso é sério, não é brincadeira.
Como Jesus agiria se estivesse em nosso lugar?
Essa é uma boa pergunta que podemos fazer a nós mesmos. Podemos até enganar os homens, mas a Deus, que sonda nossos corações e mentes, jamais podemos enganar.
Outro problema grave é o cumprimento seletivo da palavra. Como assim? Há crentes que só honram seus compromissos quando é conveniente ou quando há interesses pessoais, de acordo com quem desejam agradar ou obter favores. O nome disso é favorecimento ilícito.
Quando nascemos de novo, recebemos uma nova natureza em Cristo, que sempre nos impulsiona a sermos como Jesus aqui na terra, a agradarmos a Deus acima das conveniências naturais — mesmo que isso custe a nossa reputação, no sentido de sermos deixados de lado.
O apóstolo Paulo confrontou Pedro por ter tido uma atitude como essa: uma preocupação em “ficar bem diante das autoridades” de forma errada e comprometedora.
A Bíblia diz: “Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios. Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar” (Gálatas 2:11–13).
Não vou entrar nos detalhes da história porque não é necessário. Quero apenas que você entenda o quanto Pedro estava mais preocupado com sua reputação diante dos homens do que com agradar a Deus. Paulo chamou essa atitude de hipocrisia.
Se houver hipocrisia em nosso meio, em nossos relacionamentos e no serviço ao Senhor, não veremos nem experimentaremos a glória de Deus em manifestação em nossas igrejas locais. Muitos de nós estamos mais preocupados em manter a aparência, em “sair bem na foto”, do que em viver de modo que a glória de Deus se manifeste. É triste, mas é real.
Temos negociado nosso caráter e valores em troca da glória dos homens, em busca de sermos aceitos nas mesas terrenas. Misericórdia.
Comecei o texto com a frase “não mintais” e terminei falando sobre uma vida de aparência. Isso foi proposital, porque quem vive para agradar os homens, quem é seletivo nos compromissos, está comprometendo o próprio caráter com uma vida falsa, de enrolação e mentira.
E sabe quem é o “pai da mentira”? Satanás. Pois é, querido — ele não é nosso pai. Não somos deste mundo. Somos filhos de Deus e carregamos o Seu DNA de retidão, justiça e verdade. Portanto, sejamos crentes que falam a verdade, que andam na verdade, que são motivados pela verdade.
A Bíblia nos ensina: “Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador” (Colossenses 3:9–10).
Nosso alvo é andar como Jesus andou aqui na terra. Ser como Ele: filhos que agradam a Deus. Que nossos relacionamentos sejam marcados pela verdade e pela lealdade.
Não abra concessões. Fale a verdade. Sim, fale com amor — mas fuja da dissimulação. E não busque viver uma vida reta apenas por conveniência, mas com uma boa consciência diante de Deus. Assim, em todos os nossos relacionamentos, andaremos em amor, sem máscaras, de modo verdadeiro.
E que nossa palavra e atitude sejam sempre: sim, sim; não, não.










