Pedir não é pecado

Se conhecemos o caráter de Deus, pedimos uma vez e depois rendemos graças, louvamos e adoramos, porque sabemos: Ele me ouviu e vai fazer.

Em João 16:23-24 diz: “Naquele dia nada me perguntareis; em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes alguma coisa ao Pai, Ele vos concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”.

Quando Jesus usou a expressão “naquele dia”, Ele estava se referindo à Sua ressurreição, à nova aliança que se iniciaria. Algumas pessoas pensam que Cristo estava falando aqui sobre o céu ou a eternidade, mas, na eternidade não vamos precisar pedir nada. A gente precisa pedir aqui na terra. Ele disse aos discípulos: “Até aqui não pedistes em meu nome, mas vai chegar o tempo em que vocês poderão usar o meu nome para isso”. Aleluia!

Por um tempo fiquei intimidado em pedir e usar essa oração. Infelizmente, isso aconteceu por causa de algumas mensagens que ouvi e considerei. Por isso, nós, como ministros, precisamos ter muito cuidado com aquilo que pregamos e com a forma como ministramos. Às vezes, queremos valorizar um assunto da Bíblia e acabamos desvalorizando outro. Você não precisa desvalorizar um em detrimento do outro.

Por ouvir mensagens do tipo: “Como tem sido a sua vida de oração? Você tem orado só por você ou por outros?”. Muitas vezes, querendo valorizar a importante oração de intercessão, alguns ministros desvalorizavam a de petição. “Se você só ora pedindo, está errado”, “não, a gente tem que adorar”, “orar pedindo é coisa de crente imaturo”. Aonde viu isso? Diante disso comecei a perceber que estava perdendo oportunidades.

O próprio Cristo, quando esteve aqui na terra, também pedia ao Pai. Até mesmo quando foi preso, Ele corrigiu Pedro dizendo: “Se eu quisesse, eu pediria ao Pai”. Jesus ensinou e estimulou os discípulos a pedir, como lemos. Quando Ele os ensinou a orar, na famosa oração do Pai Nosso, há quatro pedidos: “Dá-nos o pão”, “Perdoa-nos”, “Não nos deixes cair em tentação” e “Livra-nos do mal”.

Jesus, sendo a expressão exata do caráter de Deus na terra, atendeu e realizou vários pedidos de pessoas. Em nenhum momento Ele corrigiu alguém por ser interesseiro, apenas aquela multidão que o seguia para ter o pão multiplicado novamente. Mas eles nem estavam pedindo, só eram interesseiros mesmo. As pessoas que chegaram a Cristo com um coração sincero, puro, pedindo e O rogando algo, foram atendidas. Glória a Deus!

No Novo Testamento, vemos no livro de Atos os discípulos fazendo orações de petição. Algo que me ajudou a desmistificar isso foi uma experiência pessoal. Lembro que, na primeira viagem longa que fiz depois que me tornei pai, Estevão já estava perto dos dois anos. Quando voltei, estava com tanta saudade da minha casa, da minha esposa e dele! Já tinha imaginado que, quando entrasse, ele iria correr, pular nos meus braços e dizer que estava com saudade do papai. Quando abri a porta, entrei com a mala, olhei para ele, e ele me viu, abri os braços, e ele se levantou do sofá e disse: “Cadê meu presente?”.

Que frustração, irmãos! E eu: “Presente, filho? Papai chegou, vem me dar um abraço!”. Ele veio, me abraçou e disse: “Meu presente”. Fui tomar banho triste. E, enquanto orava, disse: “Senhor, me perdoa, porque acho que é assim que ficas quando a gente vai orar só buscando os presentes, a Sua mão e não a Sua face, buscando apenas o que o Senhor pode nos dar. Me perdoa, Pai”.

Dentro de mim, aquela voz mansa e suave disse: “Eu não sou carnal como você”. Deus fala com cada filho de um jeito, né? Parei aquela oração dramática e comecei a orar em línguas, pensando: “Será que foi Deus mesmo que disse isso?”. E Ele repetiu: “Eu não sou carnal como você. Eu tenho prazer em presentear os meus filhos. Tenho mais prazer em lhe dar do que você tem em receber. Eu não tenho problema em você querer os meus presentes”.

Mateus 7:11 diz: “Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem”. Há muitos filhos que não estão recebendo porque não estão pedindo. Tiago fala isso no capítulo 4, versículo 2: “Nada tendes, porque não pedis”. Cada oração que eu não faço, é uma oportunidade que perco.

No mesmo contexto, em Filipenses 4:6, Paulo diz: “Não andeis ansiosos por coisa alguma”. E ele apresenta o remédio para a ansiedade: apresentar a Deus as suas petições. Sabe que há muita gente ansiosa porque não está pedindo? Quando você pede ao Senhor da forma certa, com fé e confiança, a ansiedade acaba. É o que o apóstolo fala depois: “A paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente”. Por quê? Porque você já entregou a Papai, já pediu e sabe que Ele vai fazer. Aleluia!

Existe também o pedir errado. No mesmo contexto, Tiago 4:3 diz: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal”. Irmão, se existe um pedido mal, é porque existe o bom. O problema não está em pedir. O mal não é pedir, mas o pedir mal. Como se faz isso? Quando o propósito e a motivação estão errados. Qual o objetivo do que você está pedindo? Está em linha com a vontade e os planos do Senhor? Qual é a motivação? É ambição pessoal, para esbanjar em prazeres próprios? Aí está errado. Esse pedido você não vai receber.

Isso me lembra a história de Salomão. Quando Deus disse a ele: “Pede o que quiseres”, o rei, vendo a quantidade de pessoas que governaria, pediu sabedoria para lidar com elas e cumprir sua responsabilidade. O Senhor aprovou o pedido de Salomão e disse: “Vou lhe dar o que pediste em grande medida, e também o que não pediste”. Como Ele é bom, irmãos! Deus só precisa encontrar em nós um coração acertado, alguém que concorde com o propósito d’Ele, motivado por amor e pelos Seus planos.

Como está escrito em Efésios 3:20, Ele pode fazer infinitamente mais, mas infinitamente mais do que o quê? Do que pedimos e pensamos. Se não estivermos pedindo e nem pensando, estamos limitando o Senhor.

Algumas pessoas usam Mateus 6:8, no qual Jesus disse: “Vosso Pai sabe o que necessitais antes de pedirdes”. Mas Cristo não disse isso para afirmar que não precisávamos pedir.

Uma das histórias mais interessantes é a de Bartimeu. Jesus passa, e aquele homem cego começa a clamar. As pessoas tentam calá-lo, mas ele grita mais alto. Ele manda chamá-lo e pergunta: “O que queres que Eu te faça?”. Parece uma pergunta óbvia, não é? Mas Cristo estava nos ensinando que o óbvio não existe. Aquele homem podia ter dito: “Quero um dinheirinho”, mas ele disse: “Quero ver”. E Ele respondeu: “A tua fé te curou”.

Neste livro maravilhoso da coleção Legado e Compilações de Mensagens do apóstolo Bud Wright, na página 13 e 14, ele diz: “Deus sabe o que precisamos, mas ainda assim é necessário pedir. O Senhor deseja fazer muitas coisas neste mundo, mas precisa que nós o peçamos, porque Ele é justo e não fará nada sem permissão, uma vez que nos deu o livre-arbítrio. Portanto, se pedirmos algo de acordo com a vontade d’Ele, seremos ouvidos, aceitos, atendidos e respondidos”.

Tiago no capítulo 1, também diz: “Se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente”. O que você tem necessidade? Peça! Mas com fé, essa é a forma certa de pedir.

Pedimos ao Pai usando o nome de Jesus, nossa procuração legal de acesso. Quando pede com fé, o faz apenas uma vez. Quem confia, descansa. Se conhecemos o caráter de Deus, pedimos uma vez e depois rendemos graças, louvamos e adoramos, porque sabemos: Ele me ouviu e vai fazer.

Se você está pedindo a mesma coisa mais de uma vez, é um indício de que não está pedindo da forma certa, falta fé. E ela vem pelo ouvir. É por isso que, antes de pedir, o irmão Kenneth E. Hagin ensina, está no material didático do Rhema, sobre os tipos de oração, incluindo a de petição.

No material está escrito que “petição” significa clamar por ajuda. Quando fazemos um pedido ao Senhor, reconhecemos que somos incapazes de satisfazer nossas próprias necessidades e dependemos da Sua intervenção.

Em João 11, vemos a ressurreição de Lázaro. Antes de dar o comando, Cristo levantou os olhos e disse: “Pai, graças te dou porque me ouviste”. Isso mostra que Ele já havia falado com Deus sobre aquilo e tinha recebido a resposta. Por isso, pôde declarar com autoridade: “Lázaro, vem para fora!”.

Quando pede ao Senhor, pode até pedir no secreto, mas a certeza lhe faz agradecer em público. Se você não consegue declarar diante de outros, é porque ainda não está crendo.

O Salmo 66:18-20 resume bem: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido. Entretanto, Deus me tem ouvido e atendido à voz da oração. Bendito seja Deus, que não rejeita a minha oração nem aparta de mim a Sua graça”.

Sabe o que também é pedir mal? É pedir o que já tem. É tolice pedir o que já foi dado. Você não pode pedir fé, Deus já lhe deu a Palavra, que gera fé. Não pode pedir amor, ele já foi derramado em seu coração. Não pode pedir graça, ela vem pela humildade. Não pode pedir cura, já foi concedida há dois mil anos. Você apenas toma posse.

Agora, há coisas que precisamos pedir para cumprir a vontade d’Ele na terra. Peça! O Senhor está pronto para lhe ouvir e atender. Basta pedir conforme a vontade d’Ele, e Deus fará infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos.

Algo que tenho pedido há anos está em Salmos 2:8: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por possessão”. A versão NVT diz: “Basta pedir, e eu te darei”.

Talvez você ainda esteja na zona de conforto porque não tem vivido as experiências que poderia viver pedindo ao Senhor e vendo-O realizar. Um amigo me perguntou: “Qual é o segredo de tudo o que você tem vivido?”. Eu respondi: “É só pedir. Não tendes porque não pedis”. Aleluia!

Mas cuidado para não pedir mal, para esbanjar ou se exibir. Cuidado também com palavras ou atitudes que interrompem suas orações. O pecado anula a oração. 1 Pedro 3:7 diz que o marido que não trata bem a esposa tem suas orações interrompidas. Eu até brinco: dizem que as mulheres oram mais, porque têm menos chance de ter a oração interrompida! A nossa responsabilidade como autoridade é maior. É brincadeira, mas é verdade.

Está pronto para pedir? Basta pedir, e Deus fará infinitamente mais do que tudo o que você espera. Pedir não é pecado. Pecado é pedir errado. Peça, e a sua alegria será completa.

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