Raízes de amargura

É muito perceptível quando alguém se encontra no estágio da “raiz profunda”, pois até suas palavras são carregadas de “veneno”.

“Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 7:43-45 RA).

Percebe que a relação do “DNA” da árvore (que vem lá da semente) e do fruto, traz a marca das atitudes relacionadas à vida? E que o homem bom vai tirar o que é bom do seu coração, e a atitude má estará relacionada à condição daquele que está com seu coração cheio de maldade? E que a boca dele (a) está vinculada à condição do coração? É muito perceptível quando alguém se encontra no estágio da “raiz profunda”, “árvore enraizada” ou “raiz de amargura”, pois até suas palavras são carregadas de “veneno”.

Nesse estágio já não se faz questão de esconder suas ações e reações, querendo a todo custo ver a derrota do outro. O objetivo daquela raiz maligna é manter firme aquela árvore.

Existem raízes que crescem para todos os lados e chegam a quebrar grandes estruturas de concreto. Nesse estágio, o nível de rigidez, de endurecimento do coração, é muito grande. O não querer ouvir conselhos fica acentuado, porque é algo entranhado, chegando, em alguns casos, a cauterizar aquela mente.

O apóstolo Paulo escreve, em sua 1° carta a Timóteo, capítulo 4 e versículos 1 e 2, se referindo a pessoas que chegarão a apostatar da fé, ou seja, retroceder na fé por obedecer a espíritos enganadores e doutrinas de demônios, cauterizando sua consciência. No grego, a palavra “cauterizar” é kauteriazo e significa: “marcar a fogo, marcar com ferro em brasas, marcados pelas suas próprias consciências, cujas almas estão insensibilizadas” (Strong, 2002).

Lembra do exemplo de Abel e Caim? Observe a que ponto chegou a situação de um amargurado. O próprio Deus compartilhou conselho e alerta, mas o nível da raiz de amargura estava extremamente rígida, o coração de Caim estava insensível e o desejo de atingir o seu irmão era a todo custo: “Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo. Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou” (Genesis 4:7,8 – RA).

“O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo” (Provérbios 18:19 – RA).

“Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda” (Provérbios 26:20 – RA).

“Lança fora ao escarnecedor, e a contenda se irá; cessarão a rixa e a injúria” (Provérbios 22:10 – AA).

“O homem de Belial (não proveitoso – grifo do autor), o homem vil, é o que anda com a perversidade na boca, acena com os olhos, arranha com os pés e faz sinais com os dedos. No seu coração há perversidade; todo o tempo maquina o mal; anda semeando contendas. Pelo que a sua destruição virá repentinamente; subitamente, será quebrantado, sem que haja cura. Seis coisas o SENHOR aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:12-19 – RA).

Uma forma de o inimigo usar a pessoa escandalizada é mantendo a ofensa escondida, em um manto de orgulho. O orgulho nos impedirá de admitir nossa verdadeira condição. O orgulho nos impede de lidar com a verdade. Ele distorce nossa visão. Nunca mudaremos se acreditarmos que estamos bem. O orgulho endurece o coração e obscurece os olhos do entendimento. Impede a mudança – o arrependimento – que nos vai libertar (veja 2 Timóteo 2:24-26). 

O orgulho faz com que nos vejamos como vítimas. A nossa atitude, então, é: “Fui maltratado e mal-entendido; então, tenho justificativa para meu comportamento”. Porque achamos que somos inocentes e que fomos falsamente acusados, retemos o perdão. Embora a verdadeira condição do coração esteja escondida aos nossos olhos, não está escondida de Deus. Só porque fomos maltratados não podemos nos agarrar à ofensa” (BEVERE, John. 2002, p. 14).

Precisamos, também, ter muito cuidado com associações com pessoas que possam estar amarguradas e, às vezes, em um estágio mais profundo do que o que nos encontramos. É provável que, se não atentarmos, sejamos levados ao engano por alguém mais doente do que nós. Uma ira pode desencadear reações diversas no coração de outrem. Ou você nunca ouviu sobre alguém que entrou em uma discussão que nem dizia respeito diretamente a ela, mas porque ela se inflamou, entrou na questão, só pelo fato de algum modo estar associada àquele indivíduo profundamente amargurado? Em meu estado de origem, para casos como estes se diz: “‘Fulano’ tomou as dores de ‘Beltrano’”. O que na verdade aconteceu? – “Beltrano” tão cheio de amargura que transbordou e contaminou “Fulano”.

“Quem se mete na discussão dos outros é como quem agarra pelas orelhas um cachorro que vai passando”(Provérvios 26:17 – NTLH).

O que também podemos observar é que, às vezes, existe uma certa atração entre pessoas que estão em algum estágio da amargura. É como um alimentar-se constante de sentimentos e percepções que só farão com que as vidas preciosas continuem sendo afetadas e vivendo as consequências negativas e desastrosas do coração rancoroso, que não agrada ao Senhor, nem faz bem aos indivíduos. Esteja atento!

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