Que privilégio sermos colaboradores de Deus! A Palavra diz que nós somos cooperadores. Você já parou para pensar um pouco sobre o que é cooperar? Cooperação é operar em conjunto. É como se um médico fosse fazer uma cirurgia, e você fosse um assistente que está junto lá. Um corta e o outro costura. Eles estão operando em conjunto.
Não sei você, mas fico extremamente honrado em saber que o Senhor podia fazer tudo sozinho. Ele nem precisava de mim, mas escolheu me envolver no plano d’Ele, Deus escolheu me colocar como parte daquilo que Ele está fazendo aqui na terra. É mais por nós do que por Ele. O meio que o Senhor encontrou para salvar o nosso coração e alma, foi fazer com que nós fôssemos canais d’Ele para que, através da nossa vida, outras pessoas fossem alcançadas.
A Bíblia fala muito de ministério. Esse termo carrega consigo alguns conceitos que são diferentes daqueles que nós pensamos e também, elementos embutidos que nós nunca paramos para pensar sobre eles.
Quando Paulo escreveu a carta de I Timóteo, o jovem havia sido posicionado como pastor da igreja em Éfeso, que era a maior do Novo Testamento naquela época. Ele passa lá com Timóteo, o deixa como líder e continua no seu trabalho ministerial e apostólico. Depois, Paulo escreveu essa carta para dar uma manutenção, ajudar e transmitir um pouco das suas experiências para Timóteo. E, graças a Deus, que ele compartilhou essas vivências, porque hoje nós também podemos ser alcançados por essas experiências ministeriais.
Sei que, muitas vezes, no primeiro momento, quando ouvimos falar acerca de chamado, recai sobre nós a ideia de que a Bíblia está se referindo a pastores, evangelistas, profetas, mestres, algum daqueles apóstolos, que estão inseridos no que Efésios 4:11 compartilha como uma lista que conhecemos, para fins didáticos, como os cinco ofícios ministeriais. E, muito embora, o ministério esteja extremamente associado com esses ofícios, ele não se restringe apenas a eles. A palavra “ministério” simplesmente quer dizer o serviço que é prestado aos santos, mediante um comando divino.
Ministério é serviço. Tanto é que a figura do ministro, muitas vezes nas Escrituras, é comparada com a figura de um garçom, que está servindo um bom alimento aos seus companheiros, prestando um serviço e uma assistência.
GRATIDÃO
O primeiro elemento que vemos Paulo mencionando no verso 12 de I Timóteo é gratidão. Ele diz: “Eu sou grato a Cristo Jesus” (1 Timóteo 1:12). Você pode ser grato ao Senhor por aquilo que Ele acreditou que você poderia fazer? No exercício ministerial, nós precisamos sempre exercitar a gratidão. Ser grato é uma ideia que aparece por 13 vezes no Novo Testamento, usando-se das palavras gratidão, ações de graças e agradecimento. Essa palavra denota o sentido de ações de graças.
A gente pensa que gratidão é só aquele sentimento gostoso que fica no coração. Mas se ele estiver só no coração e não sair de algum jeito, ninguém vai saber que somos gratos.
O pastor Rick Renner faz a tradução desse contexto da gratidão, que vem da ideia de eucaristia, que é a junção de duas palavras: “eu” e “cáris”. A palavra “eu” quer dizer boa disposição, sentimento, respeito a algo. “cáris” vem da palavra grega que denota graça. No livro Pedras Preciosas, no devocional de 22 de setembro, o pastor Rick faz um contexto: ações de graças é uma efusão, um transbordar de graças e de ótimos sentimentos que fluem livremente de um coração em resposta a algo ou alguém. Perceba que existe um elemento interno, que está ligado ao coração, mas observe que existe um transbordar de sentimento. Ele está lá dentro, mas precisa sair de alguma forma.
O ministério sempre deve partir de um lugar de gratidão. No momento em que você manifesta o agradecimento a Deus, você não consegue ficar numa posição de orgulho e soberba, porque a própria noção de gratidão mostra que nos falta algo pelo qual nós precisamos ser agradecidos. E se nos falta alguma coisa, nós não temos tudo. E se nós não temos tudo, nós dependemos de alguém. No nosso caso, dependemos de Deus.
FORÇA
Um segundo elemento que Paulo traz como decorrente do ministério, é a noção de uma força que vem do Senhor. E a Bíblia corrobora esse entendimento em I Pedro 4:11, na medida em que Pedro diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus. Se alguém serve, sirva na força que Deus supre”. Você já viu como o Senhor é maravilhoso? Ele propõe que nós O sirvamos, mas nos enche da força necessária para fazer aquilo que Ele espera de nós. Você não precisa servir ao Senhor baseado na sua própria capacidade, força e méritos. Se depender só da sua capacidade, você vai ter somente os seus resultados por um tempo. Porque, quando usamos a nossa força, tendemos a nos cansar.
A Bíblia diz que, se nós entrarmos no estado de fadiga (Hebreus 12:3), podemos, inclusive, vir a desmaiar na nossa alma. Você até pode fazer o ministério na sua própria força, mas provavelmente vai desfalecer pelo meio do caminho, sem conseguir trazer os resultados que se espera. Deus tem um suprimento de força para que você faça aquilo que Ele deseja. Existe uma parceria. Nós somos colaboradores.
FIDELIDADE
A fidelidade também é um ingrediente essencial para a vida ministerial. Você observa que foi ela que abriu as portas do ministério para Paulo. Isso me lembra de um ônibus que eu pegava quando era criança, para visitar a minha avó numa outra cidade. Íamos até o terminal rodoviário, comprava a minha passagem, colocava no bolso e me deslocava até o ônibus. Quando chegava lá, alguém me perguntava: “Você tem passagem?”, eu mostrava e entrava.
Naquele trecho de aproximadamente 120 quilômetros, o ônibus parava em alguns momentos específicos, mas eu não descia, porque estava querendo chegar até a outra cidade para visitar os meus avós. Durante esse percurso, após cada parada, subia um fiscal da empresa e perguntava: “Você vai para onde? Você vai descer ou vai continuar?”. “Eu vou continuar”. “Então me mostra a passagem?” Eu pegava a passagem no meu bolso, mostrava e permanecia até chegar ao destino.
A fidelidade, muitas vezes, é provada no momento da discordância.
Quando esses momentos surgem, muitas vezes, precisamos nos submeter àquilo que a Palavra diz, entender que ela é a opinião final na nossa vida. Não somos donos da nossa vida. Fomos comprados por um preço de sangue, e Aquele que nos comprou é merecedor de que O consideremos como a Palavra Final. Não é o mundo que diz quem você é. Não são as circunstâncias que dizem quem você é. Não é nem você mesmo que diz quem é. Você é o que a Escritura diz que é.
A Palavra nos diz que precisamos ser fiéis no pouco para que sejamos acrescentados no muito. As coisas que o Senhor nos confia nessa vida são muito poucas. Elas são somente uma chance de nós provarmos a fidelidade, para que tenhamos acesso àquilo que Ele tem preparado para nós na eternidade. Precisamos ser fiéis no pouco para que sejamos acrescentados sobre o muito. A fidelidade deve ser provada e estar sempre presente.
CHAMADO
Um outro componente que é essencial ao ministério é o propósito. Paulo diz: “Olha, eu sou grato a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1 Timóteo 1:12). O apóstolo não se designou para o ministério. Deus designou e Paulo foi chamado. Não somos nós quem nos inserimos no ministério. Não somos nós que o escolhemos. É o Senhor quem estabelece na Sua soberania e sabedoria. E Ele simplesmente nos aponta uma tarefa. Cabe a nós demonstrar fidelidade para que tenhamos acesso àquilo que Deus tem para nós. É Ele quem nos designa para o ministério.
É importante que no chamado nós tenhamos um retrovisor bem limpo. Porque ele nos mostra de onde nós saímos. E saber de onde saímos vai cultivar o nosso coração sempre em humildade. Paulo tinha consideração pelo seu passado, mas ele entendia que o seu passado o havia levado àquele momento presente. Ele estava no ministério e fazia um exercício: “Eu estou no ministério, e inclusive eu, em outro momento, fui insolente, perseguidor, blasfemo. Mas eu fiz na ignorância”.
Às vezes, o problema do nosso passado é que a gente transforma o retrovisor em para-brisa.
E quando a gente transforma o retrovisor em para-brisa, não vamos para lugar nenhum. Quando estava pensando sobre isso, peguei uma fita métrica, fui até a garagem da minha casa e medi o retrovisor do meu carro. Sei que o retrovisor do meu carro pode ser diferente do seu, mas medi o retrovisor esquerdo, o direito, o central, somei as áreas e comparei com a do para-brisa. A área dele no meu carro é 17 vezes maior do que a área do retrovisor. Isso mostra que o nosso foco precisa estar nas coisas boas que Deus tem colocado adiante de nós.
É certo que, de vez em quando, você vai precisar olhar no para-brisa para se conscientizar do lugar de onde saiu. Agora, não deixe com que a sua atenção fique toda no passado, porque se o diabo puder lhe privar, mantendo-o cativo, ele vai não só comprometer o seu passado, como o seu presente e o seu futuro, e você não vai conseguir realizar para o Senhor aquilo que Ele espera. Olhe para a frente! Deus tem planos de paz, para nos dar um futuro e uma esperança.
GRAÇA, FÉ E AMOR
Paulo continua: “Transbordou, porém, a graça do nosso Senhor Jesus, com a fé e o amor que há em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Timóteo 1:14). Esse versículo nos traz três elementos essenciais, sem os quais não existe ministério. Só existe o ofício ministerial se houver graça. Paulo é chamado de apóstolo da graça. Mas será que ele também não foi o apóstolo que recebeu mais graça? Porque se ele diz que trabalhou mais do que todos os outros, provavelmente ele teve mais graça do que todos os outros.
A questão é que, às vezes, estamos querendo graça, mas não queremos trabalho. Ela vem para nos habilitar para um ofício a ser feito dentro daquilo que o Senhor espera de nós. Em Efésios 4:7, Paulo nos diz que a graça foi concedida a cada um de nós, segundo a proporção do dom de Cristo. Ela é proporcional ao dom de Jesus.
Se Deus tem um chamado poderoso sobre a sua vida, vai vir mais graça.
Paulo diz que transbordou não somente a graça, mas também a fé e o amor que há em nosso Senhor Jesus Cristo. E penso que isso é muito propício para nós, do Verbo da Vida, pois estamos alcançando o Brasil e as nações com a Palavra da Fé e o Amor.
*Trechos da ministração do dia 09 de novembro de 2025, na Conferência de Ministros África 2025.














