
Eu me alegro muito em falar sobre a minha vida e a minha infância, porque o Evangelho entrou no meu lar através de mim. Minha mãe era muito usada no centro espírita para fazer “milagres” e cirurgias espirituais. Quando ela casou com meu pai, não o conhecia muito e logo engravidou de mim. Eu era uma bebê muito chorona. Nas idas e vindas do hospital, ninguém descobria o que eu tinha. Então, mamãe me levou em um centro de “mesa branca”, para rezarem por mim. Falaram que tinha sete espíritos e um oitavo queria me tomar. Nesse meio tempo, ela ficou fazendo trabalhos para parar o choro. E eu sempre chorando. Ela nem podia sair comigo. Um dia, ela foi convidada para ir a um culto de aniversário e, ali, ela ouviu a mensagem e aceitou a Jesus. E meu pai se reconciliou. Ele nunca tinha falado para ela que já tinha sido crente. Ele tinha o vício de cigarro. Tinha um coral naquele lugar e eu me acalmei depois que eles começaram a cantar. Após meus pais aceitarem a Jesus, eu parei de chorar. Depois disso, eles não abandonaram mais o Evangelho e começaram a testemunhar. Através do que Deus fez na minha vida, eles foram abençoando outras vidas com o testemunho. E eles tiveram um chamado missionário. Eles não fizeram seminário, mas foram estudiosos da Bíblia.


Quando eu fiz 17 anos e terminei o curso Normal, eu decidi estudar no Seminário de Educadoras Cristãs, em Recife (PE). Já estava tudo preparado para eu ir. Mas, em um congresso de jovens, eu conheci um rapaz que me tirou da rota. Assim, eu e Josué namoramos e nos casamos. Eu falei com o Pastor Davi Gomes e ele disse que eu poderia servir a Deus no meu ministério como casada, pois eu era jovem e poderia servir a Deus onde estivesse. Eu aceitei aquela palavra e achei que aquele casamento era de Deus. Esse casamento de 16 anos me desviou do meu propósito, mas eu não me afastei da igreja. Eu era entrosada na igreja. A gente fazia trabalho nas favelas, nos morros, na comunidade, sempre evangelizando. Primeiro com crianças, com jovens e depois com adultos. Nas poucas vezes que eu fui às reuniões missionárias, eu ia lá para a frente em prantos. Eu tive três filhos maravilhosos, Patrícia, Eduardo e Sabrina. Estão todos na presença de Deus de formas diferentes. Tem uma batista, o do meio é do Verbo da Vida e a outra que é batista renovada. Eles são todos casados. Deus transformou em bênção aquilo que eu achava que era errado.

Eu era professora. Qualquer concurso que eu fazia eu passava. Eu trabalhava na parte da manhã na empresa de energia elétrica. Foi ali, trabalhando na recepção, que eu comecei meu ministério. Eu aproveitava e falava de Jesus quando as pessoas chegavam aflitas. Eu tive muitas oportunidades naquela empresa. O eletricitário trabalha 25 anos e foi o tempo que eu tive daquela empresa. À noite, eu dava aula de alfabetização. Comecei na igreja e depois fiz concurso. Eu trabalhei em todo o período do projeto Mobral. Depois fui concursada pelo Estado e dei aula pelo Estado. Depois, a Prefeitura me ofereceu melhor salário e eu pedi demissão do Estado. Foram 28 anos na Prefeitura. Como eu sempre gostei de beleza, fiz cursos para ensinar e formar equipes. Aos sábados e feriados, eu trabalhava com eventos, casamentos e aniversários de 15 anos. Aí eu fui cabelereira, maquiadora, moda e tudo ligado a esses eventos. E fui preenchendo minha vida. Nesses 16 anos, eu tinha três empregos. Quando ele foi embora, não fez falta. Aos poucos, eu fui limpando o nome, pagando as dívidas dele. Ele deu muitos golpes. Então foi um livramento para mim. Eu consegui criar meus três filhos sozinha. Eu falei para as crianças: agora o nosso pai é Deus mesmo.

Certo dia, eu conheci um senhor no marketing de vendas da empresa Amway. O nome dele era Efigênio. Ele me falou que não estava interessado no marketing e sim em mim. Ele disse que eu, como serva de Deus, não era para estar com essa ambição de riqueza. E eu dizia que queria ser rica para poder fazer melhorias no orfanato. Então, ficamos amigos. Quando fizemos um ano de amizade, ele me pediu em casamento. Aí eu disse que não me casaria. Como ele era espírita, eu pensava assim: “Isso é armadilha”. Mas, ele era uma pessoa muito boa, muito inteligente. O que me encantou ao me aproximar dele foi a sua educação finíssima. Então, eu falei pra Deus: “Senhor, eu conheci essa pessoa e eu pedi ao Senhor uma pessoa madura. Eu não sei se eu estou errada ou não”. Eu comecei a sentir amor por ele. Eu contei o que estava acontecendo a um pastor Metodista, que era meu vizinho. Ele disse: “Diga para ele vir aqui por uma semana”. Então falei com ele e ele passou a ir à casa do pastor. Aí, o pastor o evangelizou e ele se entregou a Jesus. Assim, com a bênção do pastor, nos casamos. Meu marido, embora fosse espírita, já tinha lido a Bíblia em três idiomas. Ele conhecia a Bíblia em todas as traduções. Ele gostava muito de estudar hebraico. Quando eu me casei com ele, eu tinha 46 anos e ele 67.

Meu filho Eduardo se desviou aos 17 anos. Ele se envolveu com drogas. Na época, eu estava envolvida com a Amway e a gente ia para conferências e seminários. Cada vez que eu saía, meu filho enchia a casa com a turma dele. E se drogavam. Então, uma vez ele achou que eu ia viajar pra longe. Mas a reunião foi em uma cidade que deu para eu voltar na mesma noite. Quando eu cheguei em casa, vi todo mundo drogado, tudo caído, a pia cheia de louça até o teto. Então, tomei uma atitude: eu juntei as coisas dele, acordei todo mundo e coloquei todos pra fora. E falei pra ele: “Olha, você não vai ter mais nada aqui. Eu preciso acabar de criar suas irmãs. E você viva a vida que você escolheu”. E botei ele pra fora de casa com tudo. Depois eu chorei, mas não voltei atrás não. Depois disso, ele só voltou quando eu já estava com quatro anos de casada. Nesse período, ele ligava pra mim falando assim: “Mãe, eu tô vivo. Eu te amo”. Depois falava: “Mamãe, não deixa de orar por mim”. E desligava o telefone. Eu falei para Deus: Senhor, quando ele nasceu, eu Te ofereci. Ele é Teu. Faz ele enxergar isso. Aí eu fiz um voto com Deus. Eu disse que, na igreja que ele voltasse para o Senhor, eu seguiria junto.

Meu filho chegou para mim e disse: “Mamãe, eu quero fazer essa escola”. Então, eu fui a Petrópolis assistir uma aula para conhecer, mas fiquei meio decepcionada. O tema era Imposição de Mãos. De repente, eu vi todo mundo caindo do meu lado, em frente, atrás. Eu me assustei muito com aquilo, porque eu aprendi que só se caía endemoninhado. Eu pensei: Meu Deus, a gente estava em um culto maravilhoso, uma palavra maravilhosa. E agora o homem bota a mão e derruba todo mundo. Tá endemoninhado, tá o quê? E ficou aquele conflito em minha cabeça. O pastor da igreja que eu estava disse que era lavagem cerebral. Mas, em oração, vinha no meu coração que não era aquilo. E eu decidi assistir outra vez. Fui em uma aula demonstrativa da matéria Autoridade do Crente. Aquilo me emocionou muito. Eu pensei: “Deus está nesse negócio. Eu sem ser aluna, eu já aprendi coisas aqui que eu não aprendi nessa vida toda de crente. É aqui que vou ter resposta”. E decidi fazer o Rhema com o meu filho. Eu disse isso para o pastor. Como eu tinha dito para Deus que iria acompanhá-lo, eu decidi entrar no Rhema com ele.

As pessoas me perguntam se houve dificuldade em fazer a prova de resistência da Escola de Missões por causa da idade. Eu sempre digo que não. Eu me sinto uma águia por dentro e sei que vou alçar voos. Eu terminei a Escola de Missões e quero fazer a de Ministros também. Desde pequena, quando uma pessoa estava com dor, ou sofrendo alguma coisa, mamãe falava: “Ivone, põe tua mão aqui. Vamos orar”. E eu botava a mão. Aí comecei a ver o sertão, alguém precisando de mim no sertão. Eu já orei até pelas cabras para darem leite (risos). E as cabras estão tudo dando leite lá. Mas isso é para honra e glória do nome de Deus. Todos falam que a idade não importa, pois Deus renova a cada dia. E eu tenho sentido isso. Eu sou capaz de ir para qualquer lugar que Deus me chamar. E eu não me sinto velha não. Eu não me canso de fazer o bem. Eu acho que Deus pode me usar mais. Eu quero mais. Ainda não cheguei onde eu queria não. Eu quero conhecer mais. Eu quero ir para a Tulsa em 2021, para fazer o último ano do Rhema, fazer o curso de cura. Aí ninguém me segura não. Vou chegar nas nações, se Jesus não voltar. Eu não tenho o dom de falar em público. Eu gosto mesmo do evangelismo pessoal.

Outra pessoa a agradecer é ao Apóstolo Guto. Quando cheguei aqui, eu não sabia que ele era o apóstolo. Ele falou comigo e perguntou: “A irmã é daqui?” E eu disse: “Eu vim do Rio de Janeiro”. Então, ele falou assim: “Aqui tem muito serviço para a senhora. Olha, Deus tem um grande propósito para a sua vida”. A palavra dele foi tão maravilhosa. No dia que chamaram os alunos da Escola de Missões no púlpito para orar, foi ele quem veio botar a mão na minha cabeça. Aí ele falou tudo o que estava no meu coração. Quando saí dali, meu filho me ligou e disse: “Mãe, eu vi a transmissão do culto do Verbo Sede. Quem botou a mão na sua cabeça foi Guto. Ele que é o apóstolo, mamãe. Ele é a pessoa de mais alto nível daí”. E eu disse: “É mesmo?” Agradeço também ao Pr. João. Aqui no Verbo é todo mundo igual. Gente simples. Ninguém é mais do que ninguém. E nem eu sou e nem quero ser. Quero ser igual a todos. Só o coração para servir.

Tem mais uma coisa. Eu não quero terminar meus dias sozinha, sem um companheiro. Eu quero que ele seja igual a mim, que goste de caminhar, fazendo a obra do Senhor. Eu quero um missionário itinerante. Eu aguardo essa pessoa. Eu sei que o Senhor realiza o desejo do nosso coração. Mas Ele sabe que eu só preciso de alguém do meu lado, com o mesmo pensamento. Que venha também com recursos para a gente abençoar os missionários no campo.















1 Comentário
Impactada…
Linda essa história,mulher de força e fibra,uma valente no Reino,sei que o Senhor realizará o desejo do seu coração.Meu desejo é que Deus desperte mais mulheres valorosas como essa.
A minha história tbm foi marcada por alguns incidentes até entender meu chamado,tenho projetos a realizar para o Senhor e creio que tudo dará certo.Meu marido não aceitou quando me converti e me largou com dois filhos adolescente,mas o Senhor me sustentou,foram 25 anos de casamento e ele me pediu pra escolher entre ele e a igreja,e foi embora ja faz 8 anos…me divorciei a 2 anos e sigo com Cristo.
Ta tudo certo.