Tenho 38 anos, sou de Araruna, interior da Paraíba, mas ainda bem jovem fui morar em João Pessoa com a minha família. Costumo dizer que sou de lá, porque vivi a maior parte do tempo na linda capital paraibana.
Costumo dizer que João Pessoa é o melhor lugar que conheço, apesar de já ter andado por quase todos os estados do país. Principalmente os litorais. Digo sempre que João Pessoa possui o litoral mais lindo de todos. Tem a orla mais bonita e tranquila que já vi. Praias paradisíacas no litoral sul, tão pouco exploradas. Na época que eu ainda não era crente, tinha um buggy e passeava muito por esses lugares; conheço praias ali que poucos conhecem. Gosto de praia e sinto muita falta dela, hoje moro em Brasília que é completamente diferente, o ar e o clima principalmente.
Sempre que posso, venho à minha terra só pra mergulhar e matar as saudades…
Brasília, o lugar que decidi morar, foi um divisor de águas. Onde, de fato, crescemos espiritualmente (eu e minha esposa). Lá, fomos acolhidos e abraçados. Me identifiquei com a cidade. Estávamos lá há quatro anos, esta semana nos mudamos para um novo tempo em Sorriso – Mato Grosso.
Fiz o Rhema e vim para Campina Grande fazer a Escola de Ministros em 2007. Assim conheci Dayla, que também era aluna e nos casamos.
Foi uma história bem interessante. Passamos quase o ano inteiro estudando na mesma sala, mas não éramos próximos. Na aula de campo foi que nos conhecemos melhor. Engraçado que eu morava em João Pessoa, vim para Campina Grande estudar e na minha aula de campo voltei para João Pessoa. Um dia, estávamos na escada da Escola conversando e Gilson passou por nós, ele era o vice-diretor na época, Sylvia era a diretora.
Sou sério, mas muito brincalhão. Tanto sei ser sério com aquilo que falo, como sei ter um lado cômico e isso chamou a atenção dela.
Lembro que ela começou a olhar pra mim, digo que ela quem começou a me paquerar na aula de campo, quando fomos para João Pessoa. Vínhamos brincando ela então começou a olhar pra mim.
Costumo dizer que quem tem que “dar a deixa” é a mulher, e ela fez isso. Eu achei fantástico, achei que nem era pra mim, estava focado na escola e nem estava ligado nisso, mas, naquele dia Gilson passou por nós enquanto conversávamos e percebeu que íamos casar, ela me enrolou uns quatro meses, foi horrível, mas isso me despertou ainda mais, e deu tudo certo. Namoramos 8 meses e com um ano nos casamos. Casamos em agosto de 2008.
O casamento completou 8 anos, temos conversado a respeito do chamado e temos convicção do nosso ministério itinerante, isso é algo forte pra nós. Louvo a Deus pela vida do pastor Joselito, porque ele é um pastor que entende o itinerante. Falei para ele dias atrás que era tempo de dar um tempo na correria e diminuirmos um pouco o ritmo. Só que o deixei livre para me ajudar e me guiar nos próximos passos.
Acredito que é tempo de priorizar a família, ter filhos, e isso é importante para nós como casal. Mas, estamos pensando em cada etapa e na intensidade daquilo que temos nos envolvido no ministério. Acredito que, quando pararmos esse tempo, isso não trará danos pra ninguém, estamos esperando no Senhor.
Como itinerante, conheço muitos ministérios, mas nunca vi nenhum como o Ministério Verbo da Vida. Conheço muitas igrejas e denominações, mas o nosso é muito organizado e, por isso, não quero errar. Existe o tempo de correr, mas também de parar, consolidar, criar raízes. É necessário sabermos entender os líderes locais e o tempo de fazer cada coisa.
Daylla, minha esposa, é meu equilíbrio. Sou muito intenso no que faço. Intenso nas amizades, no comprometimento com Deus, mas ela me trouxe para o equilíbrio em muitas coisas. É verdadeiramente um suporte. É quem sustenta meu ministério, quando olho para ela, vejo que não tenho o direito de errar. Ela é muito completa, é o centro do meu equilíbrio. Quando estou ministrando, ela me segura nas orações, me sustenta na intercessão. É impressionante, mesmo à distância sinto que ela está orando. Em alguns momentos, quando coisas não deram certo, fui sondar e ela não tinha orado.
Perdi meu pai muito cedo. Existem duas coisas que mexem muito com as minhas emoções. A minha esposa e o meu pai, que não está mais aqui. O perdi quando eu ainda tinha 17 anos. Lembro que, certa vez, pastor Joselito me aconselhando, falou que alguns erros meus e excessos, eram por falta de um pai. E ele é um paizão pra mim, ele é de falar pouco, mas aprendi com ele e com pastor Bud que não preciso ir muito aos gabinetes. Peguei isso, evito ir lá, procuro não errar tanto.
Quando perdi meu pai, após um ataque cardíaco, me tornei o chefe da casa. Apenas eu sou crente na minha casa (por enquanto), somos em cinco. Meu irmão foi para o quartel e ficou eu, a minha mãe e três irmãs. Aprendi a conviver muito com as mulheres por causa do convívio com a minha mãe e irmãs. Então, eu amo conversar com elas, amo pregar para as mulheres. Sou muito emotivo, e elas são tudo para mim.
Minha mãe, Carmelita, é uma mãezona, nunca teve problemas de saúde, mas, quando soube que o filho casou e foi embora, adquiriu doenças como diabetes. Foi muito difícil para ela, até hoje ela sente muito. Quando vou à João pessoa e a visito, ela pergunta: “meu filho, quando essa missão vai acabar?” Porque na cabeça dela eu saí em missões e estou prestes a voltar a qualquer momento. Minha irmã, Roseane, criou as mais novas, ela é suporte. Rosélia, é casada e tem dois filhos: João e Amanda. A minha irmã mais velha me colocou para estudar, me deu muito suporte. Ela se realiza em mim, eu sou uma pessoa que, quando coloco algo na cabeça, vou realizar. Tem também a minha irmã, Risolene.
Lá em casa brincamos que os nossos nomes são bem nordestinos. São todos com R: Ronaldo, Roseane, Rosélia, Risolene e Railson.
Eu pensei que a minha mãe tinha desgraçado só meu nome e na realidade nem foi ela, foi meu pai que chegou bêbado no cartório e ele ficou tão feliz por eu ter nascido parecido com ele, meio galego… era pra ter registrado: Railson Jefferson, mas, como ele estava bêbado, falou Railson Gelffson e, do jeito que a mulher escutou ele falando, ela escreveu. Brinco dizendo que era alemão, mas o sobrenome dos meus irmãos não ficam atrás. Meu irmão chama-se Ronaldo Euflasino, Roseane Carmonisa, Rosélia Carmesia e Risolene Carmem (risos).
Pastor Joselito e mãe Ana (como costumo chamar), são referenciais para mim, porque eles são pais; quem convive sabe o que estou falando. Eles nos acolheram em Brasília como filhos, nos adotaram e foi extraordinário para mim. No momento em que eu precisava ser acolhido como filho, Brasília abriu as portas. Hoje, constituímos como moradia, compramos um apartamento lá e até a minha identidade foi refeita lá, hoje sou radicado lá. Sou candango de coração.
As vitórias são consequências de um trabalho, de disciplina e de um caráter ajustado. Não me empolgo com as vitórias, elas vêm como consequências.
Uma vez, perguntaram a um senhor que estava crendo em fé, e ele dizia que se alegrava antes do tempo. Um dia, quando as coisas chegaram depois de um tempo, foram procurar saber com ele, porque que ele não se alegrou no momento em que chegou aquilo que ele tanto esperava. Ele disse que havia se alegrado lá atrás. Procuro fazer isso.
Mas, as derrotas me entristecem, porque costumo avaliar que sempre foi uma falha minha. Normalmente, somos tendenciosos a achar que foram as falhas das outras pessoas, mas na realidade não é bem assim. A culpa é nossa se falhamos em alguma coisa, e devemos acertar. Normalmente quando erro e persisto no erro, sei que isso é um problema a ser resolvido e preciso consertar. Se alguém me ver errando, prefiro que me falem, para que eu não erre mais; só vou errar se eu não souber.
Saudades… do meu pai. Das pessoas que passaram pela minha vida com paternidade. Porque isso mexe comigo. Pessoas como meu pastor, Aécio Alves dos Santos, que foi um pai na ausência do meu.
Depois, tem o pastor José Amauri de Almeida. Esse é paizão. Depois eu tive pastor João Roberto. Ah, tenho muitas saudades de Gilson Lima; porque ele também foi um pai para mim. Ele plantou coisas em mim que me sustentam até hoje. Tenho muitas saudades de Gilson.
Tenho muitas saudades de casa, da minha família…
Sobre o itinerante, falo daquele que vive viajando, não daquele que vai dar uma aula e logo volta. O que mais me fascina nas viagens são as pessoas. Eu amo me relacionar com as pessoas, conversar, ouvir experiências, amo ajudá-las; gosto de criar um vínculo chamado amizade. Isso é uma cosia que eu sinto falta, isso mexe comigo. Quem é meu amigo, sou amigo. Sou grato por palavras e gestos que pessoas fizeram por mim, gosto de construir relacionamentos.
Vi a entrevista do pastor Jorge e eu amo ir à Vitória e conversar com ele; amo Santos e ouvir pastor Luis Fernando. Amo ir à São Paulo e ouvir Eliezer, amo Campinas com pastor Emílio, ele foi um homem que me ajudou, é integro; é um homem forte.
O que mais em encanta no ser humano é a capacidade que ele tem de se superar. Amo encontrar uma veia na vida das pessoas para tirá-las da mesmice. A capacidade de se levantar independente do que viveram.
Railson é intenso, muito intenso em tudo. Já sofri muito com isso. Me doei demais, é frustrante, mas vou continuar sendo intenso, acreditando nas pessoas, porque um dia alguém acreditou em mim. Se alguém conseguiu encontrar em mim um impulso pra me levantar posso ajudar outros a fazer o mesmo.
Amo sair para comer comida japonesa com Daylla. Gostamos de fazer isso juntos. Gosto de rir do nada. A nossa vida é tão intensa e esquecemos-nos de cuidar de nós mesmos. Quando não temos agenda, vamos à Goiânia, Caldas Novas, o caminho entre Brasília e Goaiânia é lindo, pegamos um carro e saímos.



























