
Graduado da Escola de Ministros Rhema
Por muitas vezes, ouvi a mesma frase de pessoas que começaram a receber a palavra da fé, seja pelo Rhema ou pela igreja:
– Eu sempre fui uma pessoa de oração, mas agora vejo que tudo que eu pedia ao Senhor já me foi dado… não sei mais como orar!
De fato, como Paulo afirma em sua carta aos Efésios, nosso Pai já nos tem abençoado com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus (Ef 1:3). Isso por si só já é suficiente para nos trazer o entendimento que nossas reais necessidades são conhecidas e atendidas pelo nosso Deus, pois ele cuida de nós. Aprendemos, pela Palavra, que Jesus conquistou para nós, através de seu sacrifício, não só a nossa salvação da morte eterna, mas também cura, prosperidade, liberdade, e toda sorte de bênçãos.
Precisamos separar o que aprendemos pela tradição do que aprendemos pela Palavra. O problema é que fomos ensinados a orar de maneira egoísta, intercedendo por nós mesmos, e por nossas próprias necessidades. Fizemos isso a nossa vida toda. Pedimos a Deus, imploramos, barganhamos, fazemos promessas, negociamos nossa santidade em troca das bênçãos. Quantos de nós já não embarcamos nessa? Quantos já não andaram de joelhos por ruas e escadas, e quantos já se afastaram totalmente do caminho por não conseguirem contemplar o cumprimento da barganha feita com Deus?
Aí, quando a luz chega, percebemos que Deus nos ama e nos abençoa não pela nossa petição ou esforço, mas porque Ele tem essa natureza. É um Pai amoroso que naturalmente cuida de seus filhos, não segundo suas vontades de meninos mimados, mas segundo o que ELE sabe que nos abençoa de verdade. Aí, aprendemos a descansar n’Ele, e apenas agradecer o que já recebemos e o que ainda está para chegar, através de nossa fé. Não é maravilhoso?
Para entendemos melhor a oração, se faz necessário nos espelhar em nosso exemplo máximo, Jesus. Na maioria de suas orações descritas na Bíblia, Jesus intercedia pelo povo, pelos seus discípulos e até por aqueles que ainda viriam depois dele (incluindo-nos hoje em dia!), e quando Jesus orava por si mesmo, era para que Deus o fortalecesse para cumprir o que precisava ser feito (João 17). Seguindo seu exemplo, Paulo orava pela igreja, por aqueles que o Senhor havia colocado em suas mãos, e quando orava ou pedia oração por si mesmo, era com o objetivo de alcançar e abençoar o povo.
Isso era compreendido tanto por Jesus, quanto pelos apóstolos. Porém, certa vez Paulo orou a Deus para que o ajudasse com um “mensageiro de Satanás” que o atormentava, o famoso espinho na carne. A resposta do Senhor não foi a que Paulo esperava, algo como “tudo bem meu filho, já que você está pedindo, vou dar um jeito nisso”, mas antes foi “a minha graça te basta”.
A Graça do Senhor nos basta! Então, nossas orações devem ser fundamentadas na pedra que deve servir de base pra todas as nossas atitudes: o amor sacrificial. Devemos pensar mais no próximo, orar pelas pessoas, amigos ou adversários! Nossa vida precisa ser baseada em cumprir o que o Senhor pede individualmente a cada um. A oração é uma atitude espiritual e individual, mas que sempre gerou dúvida. Certa vez, por causa dessas dúvidas, um de seus discípulos pediu “ensina-nos a orar”. E Jesus ensinou, não como uma reza a ser repetida (“como fazem os pagãos”, em suas próprias palavras em Mateus 6), mas como princípios a serem seguidos, uma oração bem conhecida de todo cristão, a qual eu reproduzo em sua maneira mais popular:
“Pai nosso que está no Céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, tanto na Terra como no Céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.” (Lc 11, Mt 6)
Notem que, nessa oração, o que fazemos é reconhecer a soberania e a santidade de Deus, clamar pela chegada do seu Reino e cumprimento de sua vontade, agradecer a provisão e a salvação recebida através do perdão, com a evidência de também perdoar como reconhecimento frutífero a intercessão por nós mesmos, não por bênçãos, mas por uma vida reta e santa.
De tudo o que consigo ver no Novo Testamento, é possível definir que nosso tempo de oração com nosso Pai envolve, principalmente:
– Consagração: nós somos d’Ele, viemos e voltaremos para Ele, e nossa vida a Ele pertence, por nossa própria vontade;
– Gratidão: agradecemos a tudo o que o Pai é na nossa vida, a tudo o que ele nos traz e ao que ainda não se manifestou, mas que sabemos que, pela fé, é uma realidade em nossas vidas;
– Intercessão: Jesus disse que pela prática do amor seríamos conhecidos como discípulos dele (João 13:34,35). Nossa vida deve ser voltada para servir a nossos irmãos, e isso inclui as nossas orações.
– Oração em outras línguas: assim somos edificados em nosso espírito, e o Espírito Santo nos inspira a orar e a interceder pelos Seus propósitos.
É claro que isso não é um método religioso, assim como a oração que Jesus ensinou não tem esse objetivo. Mas algo que possa esclarecer qual o verdadeiro sentido e importância de nossas orações aqui na terra, para que possamos concordar com Deus, manter os céus abertos e, verdadeiramente ligar na terra o que for ligado no céu!















1 Comentário
muito bom Paulo!!!