Recentemente, enquanto aguardava ser atendida em um consultório médico, folheei uma revista e me deparei com uma matéria interessante. Nela era retratada um pouco da conquista para a sociedade que é a conexão digital. Acredito que assim como eu, você se depara diariamente com pessoas ao seu redor conectadas quase o dia inteiro. Elas vivem no universo online praticamente 24 horas.
Hoje vemos restaurantes e locais públicos como parques, shoppings e praças repletos de pessoas em seus smartphones, tablets, celulares acessando suas redes sociais, postando, curtindo, comentando e compartilhando milhares de coisas em um universo ilimitado.
Nunca se viu tanta gente conectada, com tantos amigos virtuais e tão solitárias. É importante ressaltar que contatos não quer dizer amigos. Podemos ter em nossa rede social cinco mil contatos, mas isso não quer dizer cinco mil amigos.
Ser amigo é outra coisa. O amigo olha nos olhos, lida com sua vida ao vivo, conhece suas fragilidades, conhece a pessoa real , conhece quem você é, e não a pessoa virtual que você apresenta na internet.
Na tela do celular, um desfile infindável de fotos, vídeos, conversas no WhatsApp, postagens no Facebook, frases curtas no Twitter, fotos e mais as publicações no Instagram.
A matéria da revista destaca uma recente pesquisa feita pelo Pew Research Center nos Estados Unidos que retrata o comportamento das pessoas diante da internet, e vou mencionar alguns resultados interessantes:
DADOS DA PESQUISA:
No Brasil em qualquer lugar e a todo momento 96% dos usuários de smartphone utilizam o aparelho em casa.
87% usam o smartphone no trabalho.
83% não abrem mão do telefone no restaurante.
78% arriscam-se ao olhar o celular no trânsito.
90% usam o aparelho durante outras atividades como ler e assistir a um filme.
Fontes: Nielsen, Pew Research Center e Ipsos
Existem pessoas que não conseguem ficar uma hora sem seu celular. Podem esquecer qualquer coisa ao sair de casa, menos seu aparelho e seu carregador, claro.
Segundo o psicanalista Renato Mezan, o comportamento cibersolitário é provocado pela ânsia de estabelecer contatos.
Observando o que nos diz a psicóloga e socióloga Sherry Turkle, professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em seu livro Alone Together (Sozinhos juntos): “A tecnologia é sedutora quando o que oferece preenche nossas vulnerabilidades humanas. E somos, realmente bastante vulneráveis. Somos solitários, mas temos medo da intimidade. As conexões digitais oferecem a ilusão de estarmos acompanhados, contudo sem as demandas da amizade. Nossa vida virtual permite nos escondermos uns dos outros, mesmo quando estamos interessados. Preferimos teclar a falar.”

Existem inúmeras vantagens da internet, entre elas: a velocidade da comunicação, o volume das notícias, a rapidez dos acontecimentos, o contato com familiares e amigos distantes, entre outros.
Mas, é necessário fazermos um bom uso dessas vantagens com equilíbrio e sabedoria. O uso indiscriminado e irresponsável pode causar danos em nossa vida e na vida de outras pessoas. Não postamos tudo o que pensamos, pelo menos não deveríamos postar. Há pessoas corajosas no teclado, mas covardes na vida real, no dia a dia, nas relações sociais, humanas.
Um post publicado por mim um tempo atrás falava sobre os cuidados no que postamos. A internet é um espaço democrático, mas tem se tornado terra de ninguém. Mesmo com milhares de amigos, tem muita gente solitária, precisando de amigos de verdade, que os olhem olho no olho, que os ajudem a melhorar, que falem do amor de Deus, que preguem a Palavra, que aconselhem, animem, amem.
Em meu perfil pessoal é comum pessoas me procurarem para obter um conselho, uma ajuda, uma palavra, um norte. As pessoas estão “perdidas” nessa tecnologia toda. Tudo é para agora, nos tornamos imediatistas, não conseguimos esperar o microondas completar um minuto, e estamos levando esse imediatismo para a vida.
Não temos paciência para esperar os processos. Seja de mudança em nós mesmos ou no próximo. Quando não sabemos lidar com um amigo, não podemos apenas clicar na tecla excluir, como muitos fazem em sua rede social. É necessário lidar com as pessoas, suas complexidades e não podemos simplesmente exigir que elas mudem em segundos.
Solidão tem permeado os casamentos. E isso é mais grave. Pessoas estão casadas, mas não usufruem do seu cônjuge, passam horas conectados no trabalho, na rua, e quando chegam em casa permanecem conectados com os de longe e distanciados dos de perto. Conversas se tornam cada dia mais raras. Sinceramente acredito que o uso indiscriminado da internet tem prejudicado as relações dos seres humanos.
Assusto-me com o que vejo nas redes sociais muitas vezes. Assusto-me com a vulnerabilidade das pessoas, das relações, dos amores líquidos, que escorrem pelas mãos facilmente. Estamos conectados como o mundo e desconectados do nosso próximo, daquele que está ao nosso lado.
Quem não teve a experiência de tentar falar com alguém e este estar com os olhos vidrados no celular sem dar a menor atenção não sabe do que estou falando. Especialmente depois de você ter contado uma história rica de detalhes que levou alguns minutos e após concluí-la perceber que a outra pessoa não ouviu uma palavra sequer e ela expressa essa certeza com um sonoro: “Hã, você disse o quê?…”
As relações humanas precisam de comunicação, de conversa, de diálogo, de troca, de ouvir algo e depois falar algo. De interação, de compartilhar, de dar e receber. #Gente Boa, desejo profundamente que você reflita nesse texto e se necessário for, mude.
Quero encerrar te deixando pensar nisso: Quando você entra em seu quarto, que os holofotes do mundo virtual se apagam…
Quem é você?
Nesse momento, as curtidas, os comentários e compartilhamentos não valem nada.
Qual seu legado?











