
Graduada pela Escola de Ministros Rhema
Gosto muito das palavras e da força que elas possuem. Conhecer o sentido delas, quando é adequado usar cada uma é algo que sempre me fascinou. Por isso, certa vez fui pesquisar a *Etimologia da palavra “lar”.
Recorrendo ao dicionário Michaelis, descobri que o termo lar, vem de “lugar de habitação” no qual as pessoas se reuniam em um local na cozinha, onde se acende o fogo, também chamado de “lareira”. Confesso que fiquei um certo tempo admirando e meditando sobre isso, deslumbrada pelo poder que esse pequeno termo traz consigo.
E a televisão, essa lareira
Anos depois, folheando um livro didático, bati os olhos em um trecho da canção Casa brasileira, de Geraldo Azevedo. O trecho em questão diz o seguinte: “A casa era uma casa brasileira, sim/Mangueiras no quintal e rosas no jardim…//… E a televisão, essa lareira/Queimando o dia inteiro a raiz que existe em mim.”.
Imediatamente a luz acendeu! O sentido de tudo!
“Esbraseou-se-me no peito o coração; enquanto eu meditava, ateou-se o fogo” (Salmo 39.3).
E o tripé: lar/televisão/lareira “crepitava” na minha mente. A relação coexistente em cada palavra anunciava a sua total complementaridade.
Assim, com essa ideia de lar na cabeça, no sentido de lareira, este lugar especial onde se acendia o fogo e as pessoas se juntavam, o verso da música prenunciava a importância e espaço que a televisão tomou no seio das famílias. Tal qual a lareira, o fogo que passou a unir as famílias em sua volta foi o reflexo da telinha, frente à qual olhos e ouvidos sequestrados pela manipulação televisiva acabou por esfriar os relacionamentos, contrariando toda a carga significativa de acolhimento, calor, união daquele lugar da habitação onde o fogo é aceso.
Qual a sua lenha
Pensando nisso, não há como pensar em fogo, sem pensar naquilo que o alimenta: no caso a lenha. Pesquisando sobre o assunto, descobri que há certos tipos de lenha adequados para acender o fogo. Lenhas que apesar de demorarem a ser acesas, demoram mais a ser consumidas. Nesse sentido, é interessante pensar que o tipo de fogo que você vai ter é determinado pela lenha que você utilizar. Razão pela qual, é a forma como você alimenta a sua lareira que vai determinar o nível de calor presente em seu lar: como acolhe, se aquece.
Existem dois tipos de lenha: a de alta e a de baixa densidade. Há aquelas perfumadas como carvalho e os eucaliptos, que produzem mais calor, rendem mais e dão mais trabalho para acender. Quando penso nisso, percebo que em tudo na vida, todas as coisas nas quais levamos mais tempo para construí-las, empreendê-las, quanto mais tempo dedicamos a elas, mas alta é a chance de serem duradoras independentemente de ser fogo, relacionamentos, sucesso ou qualquer coisa que o valha.
Carvalho ou pinheiro
Há também as lenhas de baixa densidade como castanheiras, pinheiros, que possuem acendimento mais rápido, mas rapidamente também se consomem, e nesse consumir-se deixam muita sujeira para trás. Veja o quanto isso faz sentido! Como em tantas coisas na vida que vieram fáceis, relacionamentos deflagrados rapidamente, explosivos, fogo consumado rapidamente e, por vezes, um rastro de consequências e muitos estragos deixados no caminho. Assim, quer seja fogo, coisa ou gente, vale investir na lenha de qualidade, como elemento detonador, que não apenas acenda, mas que dure o suficiente para gerar calor, conforto, aconchego.
Você tem alimentado a chama de sua lareira? Quando penso que nosso lar é um lugar sagrado, de comunhão, percebo a importância de não deixar que essa chama se apague:
“Mantenha-se aceso o fogo no altar; não deve ser apagado. Toda manhã o sacerdote acrescentará lenha, arrumará o holocausto sobre o fogo e queimará sobre ele a gordura das ofertas de comunhão” (Levítico 6.12).
E não é só manter acesa por manter. É agir com dedicação, investindo tempo de qualidade, escolhendo os melhores tipos de lenha. Qual lenha você tem usado? Lenhas perfumadas, que além do calor oferecem um bom perfume?
“Por isso diz o Soberano, o Senhor: Assim como destinei a madeira da videira dentre as árvores da floresta para servir de lenha para o fogo, também tratarei os habitantes de Jerusalém” (Ezequiel 15.6).
Até hoje a lenha extraída das videiras são excelentes escolhas para perfumar os alimentos e as carnes, em especial!
Como está sua lareira?
E onde a televisão entra neste contexto? Na maioria das casas, ela ocupa o centro da sala, o melhor local do ambiente. Isso é muito ruim para as famílias? Pode ser ruim, à medida que os relacionamentos estão sendo fragilizados. Um exemplo disso é quando as principais refeições estão sendo feitas diante da telinha e a mesa está vazia, o lugar de boas conversas, aconchego e comida quentinha, foi substituída pela telinha.
De igual modo, se consideramos o mesmo princípio da lareira, a “lenha” escolhida determinará o clima em nosso lar! Os programas vistos estão gerando harmonia ou desarmonia? O conteúdo que sua família tem acesso alimenta o sentimento de segurança ou de medo? Será que estamos construindo emoções saudáveis?
Pare e reflita que, quer seja lenha ou palavra, nós devemos escolher sempre as melhores! Ambas têm o poder de acender ou apagar sonhos, construir ou destruir pessoas e ainda podem ser motivo de vida ou de morte, apoio ou de contenda!
Pense em sua família e reflita: qual o tipo de lenha que está queimando em sua lareira?
“Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda” (Provérbios 26.20-22).
*Etimologia: ciência que estuda a origem, a evolução das palavras














2 Comentários
Excelente 🙌🙏 e muito boa essa palavra
Falou tudo querida.