Noberto Cunha
Pastor auxiliar da Igreja Sede em Campina Grande, PB

Nasci no Brejo e é um lugar onde o clima é mais úmido, onde o solo retém muito mais água e, por isso, a vida é mais favorável. Lá, nós tínhamos o privilégio de tirar o tomate fresquinho às margens do riacho que corria continuamente há 50 metros de minha casa, não só o tomate, mas toda sorte de verdura, além das frutas: banana, jaca, manga, abacate, laranja e outras espécies frutíferas que a região nos permitia usufruir.

Mas, apesar de ser uma condição natural e por causa dela todos os que ali morávamos éramos muito abençoados, não quer dizer que esse quadro não pudesse ser mudado. Infelizmente, foi o que aconteceu. Muita coisa mudou naquele lugar. Depois de alguns anos que deixei aquela terra, decidi matar as saudades revendo o quadro que minha mente registrou na infância. Pasmem o quadro não era mais o mesmo.

Enfim, o que aconteceu? Lembra do riacho que passava de forma contínua há 50 metros de minha casa? Pois é, ele secou. Por falta de sabedoria humana no trato com aquele manancial, o velho riacho de águas límpidas agora é só terra seca e marcas de que ali, um dia, houve corrente. Pelas regras do cultivo, aquele Oasis não poderia ser explorado de qualquer jeito, aquelas águas contínuas não poderiam ser barradas, mas a ignorância o fez e a natureza não resistiu. A vida mudou, o que era verde e o que saciava já não é mais. Tudo por causa da ignorância.

Ilustro essa mensagem com esse tema lançando seu efeito para uma condição espiritual. Em Genesis 2.8, lemos na que Deus plantou um jardim para o homem, um lugar de suprimento e esse manancial natural era apenas um reflexo do manancial espiritual, ou melhor, do próprio Espírito de Deus com o espírito humano. Só que o erro fatal do homem secou as margens, mas graças a Deus que elas foram restauradas novamente em Cristo Jesus e já não pode mais ser retirado de nós, como humanidade (geral). Porém, individualmente, nós podemos desperdiçar essa bênção ainda. É uma decisão pessoal aproveitar as águas ou, pela ignorância, não usufruir delas.

O salmista inicia o livro dos Salmos indicando diretamente o caminho que o homem deve trilhar para não perder o foco ou alterar o curso da vida que Deus lhe propõe, ele diz que precisamos meditar em sua Palavra dia e noite. No verso, 3 diz que os que se abstém da perversidade é como uma árvore plantada junto a um rio de águas, e que não murcha, mas no tempo certo dá frutos e tudo quanto fizer prosperará.

Não basta apenas saber que de dentro de nós jorra vida, é preciso saber conduzir essas águas, é preciso saber as estações para a colheita, é preciso fazer o solo úmido com a unção que vem de Deus e não barrar as águas para que outros possam se saciar em nós. Se você nasceu de novo, é como uma fonte a jorrar para a vida eterna. Somos responsáveis pelas nossas margens, nelas há provisão para os que têm fome e sede, e é por elas que conduzimos os rebanhos.

Não mude o curso da corrente, siga a orientação do projetista que é nosso Deus, Ele criou todas as coisas e ele sabe como fazer. Vamos manter o solo fértil, se somos como árvore junto a um rio de águas, logo somos sombras para refrigério de muitos, somos alimentos pelos frutos. Não podemos deixar que qualquer um venha cultivar em nossas margens, não é qualquer semente que devemos aceitar no nosso solo, a semente tem quer ser selecionada. Vigie as margens para que a fonte continue a jorrar.

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