
Diretor da Associação Ministerial Rhema
Esta é uma oportunidade que Deus nos concede para ficar diante do espelho e podermos identificar algumas características em nós. Vamos observar as características de órfãos, escravos e pais espirituais.
Órfãos
Quando os órfãos se tornam líderes, eles até tentam evitar, mas não conseguem e acabam ferindo seus liderados. Alguns desses ferimentos podem ser irrecuperáveis.
Eles entendem o poder do amor, mas usam isso como uma arma para reter, manipular ou punir. Às vezes, manipulam seus relacionamentos para um ganho pessoal e até para a sua sobrevivência. Até oferecem amor aos outros para que lhe sirvam bem e quando não são servidos, recuam. Muitas pessoas com essa mentalidade não se relacionam de forma fluida e previsível. Como resultado, se tornam errados nos seus comportamentos, além de instáveis.
Podem “matar” com carinho num dia e em outro com palavras ou atitudes. Com um líder assim, você nunca sabe como será o dia: o liderado pensa “não sei como ele estará hoje”. Eles acabam projetando o espírito de órfão que carregam para o ambiente.
Pessoas assim nunca aprenderam a dar e receber amor. Carregam uma lista de relacionamentos fracassados com um denominador comum: ele. A estrada da vida delas acumula “cadáveres” de relacionamentos e pontes queimadas, porque não abraçaram o amor de Deus. Sabotam vínculos e nunca conseguem manter relações saudáveis e duradouras, estão quebrados por dentro porque não têm o amor do Pai.
Quando alguém constantemente culpa os outros, provavelmente está falando como um órfão. Eles tomam decisões impulsivas, rejeitam contribuição alheia, não costumam ouvir, e isso exige relacionamento.
Se sentem desacolhidos — frequentemente sem motivo real — porque não têm raízes no amor do Senhor. Comportam-se como vítimas e rejeitam os outros.
Somos filhos de Deus
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade. Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Efésios 1:3-6).
Perceba que o texto acima transborda do antídoto necessário para um comportamento como esse: Deus nos escolheu, Ele é nosso Pai e escolheu você. Deus já lhe predestinou para ser adotado. Pare de agir como um órfão, o Senhor nos fez aceitos gratuitamente n’Ele..
Todos compartilhamos as mesmas necessidades: identidade, propósito, aceitação e segurança. Muitos não sabem quem são porque ninguém lhes disse. A verdadeira segurança está em Cristo; a insegurança é buscar segurança no lugar errado, e jamais seremos satisfeitos assim.
Queremos ser aceitos em algum lugar por alguém, mas isso já foi resolvido, você já foi aceito pelo Amado.
Desde o Éden até o túmulo, Deus provê quatro coisas para nós: identidade, propósito, aceitação e segurança. Nossos melhores esforços são como as folhas de figueira: não resolvem, apenas cobrem e geram medo, insegurança e culpa.
Escravos
Eu tive que sair desse lugar de escravo. Ainda vejo traços que tentam voltar, e logo me arrependo. Escravos são “fazedores” presos nos corpos de seres humanos, que tentam construir o próprio caminho em sua própria força para ter o amor de Deus, mas a graça já fez isso por ele.
Vivem sob o medo de “não saber o suficiente” ou “não ser adequados”. Acreditam que amor e aceitação dependem da performance: que seu valor cresce à medida que superam os outros. Pensam que sua posição depende de méritos e talentos; estão sempre tentando provar algo.
“E, sendo Jesus batizado, subiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:16-17).
O Pai declarou isso sobre Jesus, porque Ele era seu filho, o amava e ponto final. Agora pense comigo, até aquele momento Jesus não tinha feito nada ainda, o ministério d’Ele ainda iria começar. Essa declaração do Senhor veio antes de qualquer performance de Cristo e Ele diz a mesma coisa a seu respeito: o amor d’Ele por você não depende de sua performance.
Escravos acreditam que “ninguém se importa mais do que eles”. Posicionam-se à frente, desmotivam os outros e têm dificuldade em delegar. Sentem-se ameaçados e competem com todos.
Quantos amigos você tem que não esperam nada em troca? Os subjugados raramente revelam medos ou fraquezas; mantêm guarda alta. Ser autêntico aproxima as pessoas, inclusive diferentes gerações. Autenticidade é mais relevante que aparência.
Eles quase nunca pedem desculpas de verdade; elas são vagas e não assumem responsabilidades. Buscam exagero em tudo: querem que “o culto deles” seja o maior; suas postagens precisam “bombar”. Isso cansa e confunde entusiasmo humano com obra do Espírito.
Pais espirituais
Os pais e mães facilitam o retorno de pessoas, caso queiram sair e voltar. Se você deixar fácil a porta aberta para elas saírem, será fácil para elas voltarem. Mas se criar uma guerra, não voltarão. Seja seguro naquilo que Deus o chamou.
A parábola do filho pródigo (Lucas 15) mostra o tipo de pai que o Senhor deseja ver em nós. O irmão mais velho representa o escravo clássico: tinha tudo, mas não enxergava. Essa referência é o modelo de paternidade que devemos exercer no ministério.
Pais encorajam o risco e o experimento. Se pensa que as pessoas que levantará nunca irão errar, está enganado, porque você errou e ainda está aqui. Dê espaço para que as pessoas tenham suas próprias experiências.
Limites proporcionam segurança. Construa cercas, estabeleça limites e deixe-as explorarem o espaço que possuem. Pais e mães querem ver seus filhos dando certo e os superando. Devemos celebrar e não competir com os nossos filhos, saiba passar o bastão, não o segure, passe e solte.
Será que você está seguro o suficiente em quem é, para permitir que outros cresçam até mais que você dentro da sua influência?
A paternidade levanta a régua da expectativa, e ao mesmo tempo, dá suporte com palavras: “eu acredito em você”, “você consegue”. Estimulam os dons de outras pessoas.
Uma palavra inspirada no momento certo pode mudar o destino de alguém. Quando nos tornamos interessados em como Deus se move na vida dos outros, corremos o risco de querer moldá-los para atender às nossas expectativas. Precisamos ver as pessoas como Ele as vê, entender como foram moldadas e extrair o melhor delas.
Precisamos nos acostumar com a ideia de que o nosso maior propósito pode ser algo que não venha a se manifestar até a nossa partida. Às vezes, queremos os louros, mas pode ser que o seu maior objetivo seja visto através de alguém que irá levantar no chamamento. Poucos de nós enxergamos o que fazemos na carreira, você pode estar carregando dentro de si pequenas sementes que devem ser transmitidas a outrem. Muitas vezes, ela pode ser maior do que qualquer tarefa hoje.
Seja exemplo
Lideramos bem para dar exemplo. Quando o líder vive uma paternidade espiritual saudável, os filhos desejam aprender e órfãos podem voltar para casa. Quando o líder estabelece esse exemplo, os filhos serão desejosos em aprender e os desamparados encontram o lar.
Aprenda estas lições: falar, ouvir, orar e manter-se aberto. É melhor pedir conselho antes de agir do que pedir perdão depois. Mantenha-se disponível; quando preciso, mude de direção. Tenha a mente flexível quanto aos seus planos. Responda sempre com graça. Quando nem tudo sair do seu jeito, não seja escravo e nem órfão, mas flexível.
Você é um filho extremamente amado. Ame como pai e mãe. Esse é o caminho para se tornar pais e mães espirituais que o Senhor deseja. Você é amado demais para fracassar.
Trechos da mensagem de 21 de setembro de 2025, na Conferência de Ministros Sudeste.
















1 Comentário
Graça e paz
Que conferência maravilhosa, muita unção e aprendizado, as ministrações foram além das expectativas.
E os louvores foram de muita unção e poder.
Todos os dias os 30 minutos de oração me deixaram abastecido.