“Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hebreus 6:10).
Esse texto nos mostra que Deus não recompensa a performance, mas a fidelidade do coração. O modo como fazemos é o que atrai o Seu favor. E é inevitável, uma intenção correta gera ações correspondentes: trabalho, boas obras, serviço.
Em I Samuel 30, lemos a história de Davi em Ziclague. A cidade havia sido saqueada pelos amalequitas, que levaram mulheres, crianças e bens. O rei de Israel reuniu seus 600 homens para perseguir os inimigos, mas 200 deles, exaustos, ficaram pelo caminho. Não foi por falta de vontade, mas por incapacidade física. Davi os deixou cuidando da bagagem, enquanto seguiu com os outros 400. Depois da vitória, alguns dos que combateram queriam negar aos 200 uma porção dos despojos, mas ele os corrigiu: “A parte dos que foram à batalha será a mesma dos que guardaram a bagagem”.
Aqui vemos o coração do Senhor: a recompensa não está no destaque do papel, mas na fidelidade em cumprir aquilo que é possível, dentro da graça recebida. Como Efésios 4:7 declara, cada um recebe graça proporcional ao dom e ao chamado que lhe foi dado. Não podemos desejar exercer algo para o qual não temos capacitação.
Fruto do amor
O Espírito Santo nos lembra: se Ele não nos chamou para um campo específico, também não concederá a graça necessária para suportar aquele propósito. Mas, naquilo em que somos chamados, o Senhor estará presente para nos capacitar.
Paulo escreve em Hebreus 10:24: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. O serviço é justamente isso: fruto do amor, que gera boas obras.
Jesus mesmo ensinou em Mateus 20 que, no Seu Reino, grandeza não é medida por quem é servido, mas por quem serve. O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos. Esse é o padrão do Reino.
O coração servil não espera receber, mas procura oportunidades para dar. Ele não se frustra se não recebe atenção ou reconhecimento, porque sua expectativa não está nos homens, mas em Deus. Como Paulo disse aos Colossenses: “Tudo o que fizerdes, fazei de todo coração como para o Senhor, e não para homens, sabendo que do Senhor recebereis a recompensa”.
Um coração voluntário
Esse coração é voluntário, submisso, generoso e abre caminho para milagres. Foi por tê-lo que Cristo multiplicou pães, andou sobre as águas e curou multidões. O milagre não era um fim em si mesmo, mas uma resposta para suprir e servir pessoas.
Essa atitude traz dois frutos, conforme I Timóteo 3:13: intrepidez na fé e justa preeminência. Quem serve bem, desenvolve ousadia, porque experimenta Deus em situações que exigem fé, e alcança reconhecimento legítimo vindo d’Ele, como alguém digno de confiança.
Assim, o serviço não é apenas uma tarefa, mas um caminho de crescimento espiritual, maturidade e graça multiplicada. Servindo, desenvolvemos dons que não sabíamos ter, experimentamos a força do Senhor que supre, e nos tornamos cooperadores com Ele. Como Paulo diz: “Somos cooperadores de Deus”. Isso significa que Ele não nos envia sozinhos, mas vai conosco, nos ajudando em cada tarefa.
Portanto, não se trata de aparecer ou buscar reconhecimento humano, mas de ter um coração de servil, disposto a fazer até o que não é visto, confiando que Deus é quem recompensa.















1 Comentário
Eita glória, Deus não ver como o Homem ver, nosso Deus é maravilhoso.