
Uma noite dessas enquanto eu contava histórias ao meu filho para fazê-lo dormir – Gabriel, 5 anos – fui interrompido por uma pergunta inesperada: “Pai, aquela música ‘Aquarela’ é muito triste” (ele se referia à música “Aquarela” do cantor e compositor brasileiro Toquinho).
Sem pensar direito no assunto, indaguei: “Por que você acha essa música triste, Gabriel?” Ele imediatamente respondeu: “O desenho descolore no final”. Retruquei: “É simples! Quando a música terminar é só repeti-la”. Porém, ainda triste e inconformado ele me deu a tréplica: “Não vai adiantar. Isso não muda o final da música”.
Então refleti: Assim é a vida “fora de Cristo”, mesmo que você pudesse repeti-la, ela continuaria perdendo sua cor no final. E a música do compositor Antonio Pecci Filho (nome verdadeiro de “Toquinho”) diz ainda em outra parte:
“E o futuro é uma astronave | Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade | Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença | Muda a nossa vida
E depois convida | A rir ou chorar…”
Sim, a vida pode ser vista como um empreendimento, isto é fato. Porém, não podemos empreender a vida priorizando valores de curto prazo. Ao invés disso, valores de médio e longo prazo devem reger as decisões que tomamos a cada dia e a visão de onde pretendemos chegar como alvo supremo.
Não podemos abrir mão dos princípios fundamentais de caráter e integridade, o amor ao próximo e a consciência de que os nossos atos no presente ecoam eternidade adentro.
Na busca desenfreada por satisfação a curto prazo, a paixão fugaz parece substituir o amor; a riqueza com contentamento é deixada para traz e dá lugar à prosperidade passageira, que demanda o empobrecimento de muitos; os princípios do caráter, integridade e lealdade, são substituídos por concessões que vendem a alma ao diabo; e a dependência de uma direção intuitiva no coração, dá lugar ao apelo de um mundo que nos pressiona para o precipício do imediatismo.
Não podemos perder o foco de que Cristo reaviva e torna novamente possível um padrão existencial que emana da natureza de Deus em nós. Assim, os valores e apelos mundanos – de curto prazo – não podem ditar a motivação das nossas decisões e da nossa vida diária.
Em Cristo, já estamos onde estaremos, na eternidade! Como disse Paulo em sua carta aos coríntios: Ninguém se engane a si mesmo: se alguém dentre vós se tem por sábio neste século, faça-se estulto para se tornar sábio. Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles. (1 Coríntios 3.18,19)
Alguns valores pode até não ter sentido no presente.Contudo, iniciativas que priorizam o bem do próximo e não somente o interesse individual e egoísta, com certeza traduzem o interesse de Deus e tem sua origem em motivações que precedem a própria existência humana. Ou seja, o meu sucesso não poder ser jamais um tipo de sucesso a qualquer custo. É mais importante ganharmos juntos no final, do que sozinho agora.
Não vale apena um tipo de sucesso pintado com cores que não persistirão diante do raiar do Sol da Justiça. Afinal, a vida sem o seu sentido original descolorirá, no final. Então, é melhor colori-la com as cores da eternidade. E no final,certamente você saberá, que o convite é pra rir, e não pra chorar!















1 Comentário
Muito bom.
E, só para reforçar: Alguns valores pode até não ter sentido no presente. Contudo, iniciativas que priorizam o bem do próximo e não somente o interesse individual e egoísta, com certeza traduzem o interesse de Deus e tem sua origem em motivações que precedem a própria existência humana. Ou seja, o meu sucesso não poder ser jamais um tipo de sucesso a qualquer custo. É mais importante ganharmos juntos no final, do que sozinho agora.
Deus o abençoe e o leve a lugares mais altos cada dia mais.
Thiana Fontes
Verbo da Vida Santa Helena/PR.