Série: Ideologia de gênero – Parte I

leniseLenise Freitas

Graduada da Escola de Ministros Rhema e integrante do Ministério Graça e Verdade

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.” 1 Pedro 3:15

Este versículo tem me inspirado muito e eu sempre digo que para respondermos a  razão da esperança que há em nós, precisamos primeiro  ouvir a pergunta, precisamos ouvir os clamores da nossa geração.

Entre as grandes questões desse tempo estão, sem dúvida, as questões que envolvem sexualidade. O povo de Deus tem perecido porque lhe falta conhecimento.

Aqui trataremos sobre Ideologia de Gênero ou Identidade de Gênero. Mas, como este é um assunto que envolve sexualidade, antes de falarmos sobre a Ideologia de Gênero propriamente, vamos conceituar o que é sexualidade.

Falamos muito sobre sexualidade e todos nós temos uma ideia do que seja. Poderíamos aqui enumerar vários conceitos e ficaríamos muito tempo. Mas quero apresentar o conceito definido pela Organização Mundial de Saúde:

“A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contato, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental”.

Gostei muito desse conceito principalmente quando define a sexualidade como uma energia. Não sou especialista em física, mas sei que energia é algo que podemos dosar e conduzir.

Para diferentes situações, para ligar diferentes aparelhos, precisamos  de diferentes tensões. Não podemos usar a mesma tensão de energia que eu usaria para ligar uma caldeira numa fábrica, por exemplo, no meu radinho de pilha. Se a dosagem for errada, o meu aparelho queima e perde a funcionalidade.

E a energia é também algo que precisa ser conduzido. Se eu não tiver o condutor apropriado e se ele não estiver bem direcionado, a energia ,ao invés de ser útil, pode causar um acidente e até mesmo matar uma pessoa.

Assim também é com a sexualidade.

Também concordo que a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental. Não tenho dúvidas que podemos acrescentar que ela influencia também nossa saúde espiritual.

Temos uma questão que nos afeta nas três dimensões: corpo, alma e espírito.

A sexualidade em sua natureza original é algo muito bom, foi criada por Deus como um presente ao homem.

E se a sexualidade é essa energia que nos  impulsiona, nos motiva a encontrar amor, contato, ternura, intimidade, eu entendo porque Deus compara a aliança entre Cristo e nós, Igreja, com o casamento e tudo que está envolvido nele. Amor, contato, ternura e o mais alto nível de intimidade que pode existir.

Entendo também o porquê de justamente a sexualidade talvez ser a área mais atacada nesses últimos dias.

Satanás quer bagunçar, distorcer, anular toda beleza e santidade da sexualidade para que o homem jamais possa entender seu verdadeiro papel nessa Aliança e experimentar o amor, o contato, a ternura e a intimidade com Deus.

 E ele não para. Através dos tempos, satanás tem atacado de diversas formas a sexualidade como Deus planejou; e nesses últimos tempos, de forma mais veemente, através da Ideologia de Gênero ou Identidade de Gênero, estabelecendo que somos todos neutros e podemos livremente escolher e construir o que seremos.

Para que as Bodas do Cordeiro, o mais esperado de todos os eventos aconteça, precisamos de Cristo e a Igreja. O noivo e a noiva. Dois seres diferentes, simbolicamente, homem e mulher! Então a estratégia do inferno é destruir essas identidades, acabar com essas diferenças.

Se somos todos neutros, não existe homem, não existe mulher. Não existe Cristo, não existe igreja, somos todos iguais e cada um escolhe o que quer ser. Exatamente o que ele fez quando rejeitou sua natureza de anjo, um ser ministrador criado para o louvor e quis ser louvado, tomando o lugar de Deus.

O termo Ideologia de Gênero é usado predominantemente pela Igreja (tanto católica como evangélica) e pelas pessoas que se opõem à essa  ideia. Ativistas e simpatizantes usam a expressão “Identidade de Gênero”, é assim que o assunto irá aparecer secularmente, inclusive nas escolas.

A Convenção Nacional dos Bispos do Brasil  conceitua essa ideologia  da seguinte forma:

A Ideologia de Gênero, ou melhor dizendo, a Ideologia da Ausência de Sexo, é uma crença segundo a qual os dois sexos — masculino e feminino — são considerados construções culturais e sociais, e que por isso os chamados “papéis de gênero” (que incluem a maternidade, na mulher), que decorrem das diferenças de sexos alegadamente “construídas” — e que por isso, não existem —, são também “construções sociais e culturais”.

A Ideologia de Gênero defende a ideia segundo a qual não existe apenas a mulher e o homem, mas que existem também “outros gêneros”; e que qualquer pessoa pode escolher um desses “outros gêneros”, ou mesmo alguns desses “outros gêneros” em simultâneo.

Simone de Beauvoir pode ser considerada a grande mãe ou “progenitora” ou “pai” da Ideologia de Gênero quando disse que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.

Essa afirmação possibilitou que ativistas entendessem que todas as pessoas nascem neutras e seu gênero é apenas construído socialmente independente de seu sexo biológico.

Como todo grande engano, essa crença mescla uma grande porção de mentira com um pouco de verdade. Ela se disfarça com bons sentimentos, trazendo conforto a pessoas que antes se sentiam desconfortáveis com conflitos em sua sexualidade, se transvestindo de modernidade, evolução e defesa de direitos humanos.

Não nascemos prontos, possuímos um sexo biológico, nascemos machos e fêmeas e precisamos construir a nossa identidade como homens e mulheres e isso será sim até certo ponto uma construção social. Mas o sexo biológico definido pela nossa genitália existe para o gênero correspondente. O macho para o gênero masculino e a fêmea para o gênero feminino. Este é o plano original de Deus para nós. Deus criou o homem e a mulher com seus respectivos sexos biológicos e identidades e papéis bem definidos, vemos isso claramente em Gênesis.

Mas de fato não nascemos “totalmente prontos”. Deus nos criou acima de tudo à sua imagem e semelhança, seres criativos, com livre arbítrio, agentes moralmente livres. Deus é um Deus de família. E família está também em seu plano original. Ele conta com a família para ensinar seus filhos no caminho em que ele estabeleceu. Filhos são nossa herança e nós devemos ensinar as crianças no caminho em que devem andar, criarmos mulheres virtuosas (e eu sempre gosto de dizer que no original este a origem dessa palavra virtuosa, é virtude que tem o mesmo significado da virtude que Jesus disse ter saído dele, essa virtude, poderia ser excelência moral, mas tem o sentido de poder), Deus conta com os pais para formarem mulheres poderosas e homens que sejam homens de verdade, homens de honra. Livres para trabalhar, expressar-se, criar, brilhar, mas seguindo sim, alguns papéis e orientações estabelecidos pela Palavra especialmente dentro do âmbito familiar.

A propósito, não é o movimento feminino que liberta a mulher, nem mesmo quem começou com a ideia. É o Cristianismo que colocou a mulher numa posição de honra, reconhecendo seu valor, sua capacidade, protegendo, porque nós sabemos que a posição de submissão bíblica é segurança e provisão para mulher.  E até mesmo institui o perdão para falhas morais, quando Jesus absolve e toma o lugar da mulher adúltera. Movimentos políticos, sociais, por mais bem intencionados que pareçam, sempre vão falhar pois, não tem poder para mudar o interior do homem, onde estão as verdadeiras raízes.

5 Comentários

  • Assunto de extrema importância r relevância nos dias atuais.
    Obrigado texto tão rico e esclarecedor. Permita-me compartilhar com outros.

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  • Quem maravilha a gente ver a igreja começando a entender que o seu papel vai além da salvação, e isso é salvação, mas que também tem o papel de deixar seus membros com conhecimento de um assunto tão relevante e que não chega aos púlpitos, infelizmente. Parabéns Pro fª Lenise Freitas

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  • Excelente pensamento.
    Matéria maravilhosa.

    As vezes me dá uma impressão que as idéias contrárias ao texto voam, enquanto estas se arrastam.

    A igreja gasta seu tempo em futilidades, e a comunidade sangra por falta de conhecimento e revelação de Deus
    Parabéns

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