
Graduada da Escola de Ministros Rhema em Recife-PE
Acredito que, como eu, você concorda que o mundo vem mudando muito rapidamente nos últimos anos. Tudo que está escrito na segunda carta a Timóteo, no capítulo 3, está se cumprindo velozmente. Realmente, estamos vivendo os últimos dias! Isso é notório e inquestionável, correto?
A esperança do mundo é a igreja, mas vemos muitos dos que se dizem cristãos comportando-se com atitudes que não condizem com o Reino de Deus; muitos até defendendo a destrutiva agenda progressista e andando na contramão do que se espera deles. Além disso, vemos ministros do Evangelho, de forma desequilibrada, querendo salvar o mundo, mas negligentes consigo mesmos. Estes têm se submetido a um jugo pesado e perdido o seu propósito (é a primeira grande perda), vivendo num ativismo ministerial, sendo desleixados com sua saúde e família em nome do ministério, comprometendo sua qualidade de vida e muitos até abreviando sua própria vida.
Deus é inocente nessa história! Onde podemos encontrar equilíbrio para todas estas coisas? Na intimidade, com o Espírito Santo, na busca pela presença de Deus e, propositadamente, na permanência nela.
Foi o próprio Jesus que nos convidou a ir até Ele e receber descanso. É necessário aprendermos a nos tornarmos suscetíveis ao Espírito e nos deixarmos ser persuadidos por Ele, acolhendo por dentro a Sua leveza para nossa alma:
“Venham a Mim e Eu lhes darei descanso – todos vocês que trabalham tanto debaixo de um jugo pesado” (Mateus 11.28 – Bíblia Viva).
Somos Corpo de Cristo e dependemos uns dos outros para amadurecer de forma saudável, assim como em nosso corpo, cada sistema depende do outro. Se alguma parte não vai bem, todo o restante tende a se comprometer. Um exemplo natural nessa perspectiva pode nos ajudar a compreender uma realidade espiritual: cada célula saudável traz consigo, no seu material genético, o DNA, instruções sobre como e quando deve crescer e se multiplicar. Porém, quando existem mutações no DNA, essa célula passa a receber instruções erradas em suas atividades, e é assim que surge o câncer. Essas células começam a se multiplicar de forma desordenada e a invadir os tecidos, prejudicando o funcionamento de todo o organismo, podendo ser fatal.
No Corpo de Cristo não é diferente! Muitos cristãos têm sofrido “mutações” em seu coração e tomado decisões erradas, muitas vezes por orgulho. A autossuficiência nos afasta da presença divina e, por consequência, muda o que deveria ser a nossa prioridade. Assim, dia a dia, a nossa capacidade de discernir a voz do Espírito vai ficando reduzida. É na presença de Deus que o nosso propósito é revelado dia a dia. Jesus não abria mão de estar com o Pai. Acordava de madrugada para ficar a sós com Ele. Ele amava a Presença! Reconhecia Sua dependência do Espírito Santo e buscava estar vulnerável a Ele. Jesus sabia que estava sujeito a tomar decisões erradas. Então, buscava também as instruções corretas, ouvindo-as do Seu Pai. Ele se colocava no lugar de ser persuadido e influenciado pelo Seu Espírito constantemente, como aponta Marcos 1.35:
“No dia seguinte, antes do amanhecer, Jesus se levantou e foi a um lugar isolado para orar.”
É de notório conhecimento que o motivo da queda de Lúcifer foi a soberba, que, de acordo com o dicionário, é definida como: orgulho, vaidade, vanglória, arrogância, prepotência, presunção, autossuficiência, amor-próprio, exibicionismo, egocentrismo, egolatria. Abrigar em nosso coração qualquer um desses sentimentos é uma grande cilada que nos mantém distantes da presença de Deus, pois parte de nós buscá-la. O soberbo não acredita precisar dela, antes acha que resolve a “parada” sozinho e da sua maneira. Quão sutil e perigoso isso é!
Perceba que após ressuscitar, em João 21, Jesus vai ao encontro de Pedro para restaurá-lo. Pedro havia traído Jesus e voltou a “tocar a sua vida”, imagino eu, que tomado de vergonha e culpa. Jesus deu um comando para que lançasse a rede à direita do barco e quando Pedro notou que era o Senhor, ele, que estava nu, com o intuito de esconder suas imperfeições, inconscientemente, vestiu a sua roupa para mergulhar no mar (ilógico, totalmente!).
“Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar” (João 21.7).
Pedro, depois de ter traído Jesus, voltou a tocar a sua vida no que sabia fazer — pescar, imagino eu que tomado de vergonha e culpa. Após ressuscitar, em João 21, Jesus vai ao encontro dele para restaurá-lo. No reencontro, Jesus lhe pergunta três vezes se ele O amava. Naquele momento, Pedro teve a oportunidade de escolher entre continuar na sua justiça própria e autossuficiência, ou perdoar-se e aceitar a justiça que lhe estava ofertada, acolhendo o plano de Deus para sua vida. Ele foi humilde e escolheu o relacionamento com Jesus. Dali em diante, sua submissão à Presença permitiu que suas fraquezas fossem tratadas pelo Espírito da graça. Enquanto Pedro dava acesso ao seu coração, tornava-se mais parecido com Jesus e a vida dele glorificava o Pai.
Já notou que, nas redes sociais, a vitrine é de uma vida “glaceada” e perfeita. Não é comum vermos um feed com fraquezas e imperfeições, não é verdade? E, no intuito de parecer perfeitos, muitos têm se relacionado com o Senhor de forma “virtual”, escondendo de si mesmos as suas debilidades, como se Ele não soubesse da verdade. O relacionamento da igreja, porém, com o Seu noivo não é fictício, é real! Mostrar-se vulnerável diante do Senhor é colocar-se numa posição de segurança, que nos mantêm humildes e protegidos. Manter nosso coração acessível a aberto é algo que, urgentemente, precisamos reaprender a fazer como filhos de Deus.
O Espírito Santo, o nosso grande professor, é humilde, e é assim que a igreja precisa reaprender a ser, para se deixar ser persuadida por Ele e eliminar todos os sofismas. Ele também quer ensinar aos ministros “workaholics” que a igreja é de Jesus e não deles, que não será no egocentrismo ou na autossuficiência que o Reino de Deus será expandido. Como dizia Salomão: tudo é vaidade! Ele quer manter o Corpo de Cristo em equilíbrio e saudável, e é na presença de Deus onde tudo acontece!
É muito espantoso que haja não poucos ministros do Evangelho, que se prepararam por anos estudando a Palavra de Deus e servindo ao Corpo de Cristo, do banquete da Palavra, que vieram a se tornar ateus. Eles não perceberam que sofriam de “inanição espiritual” porque não tinham o hábito de parar para se alimentar da Presença, para aprender a guardar os seus pensamentos, o que veio a comprometer toda sua vida. Pastor Humberto Albuquerque apresenta essas duas chaves preciosas para evitar esse tipo de situação: humildade e disciplina em buscar a Presença. Esses são meios para nos mantermos seguros e livres da frieza espiritual e do erro.
“Não vale a pena ter sucesso ministerial e não ter a Presença! Para se manter lá, é necessário preservar a pureza de coração” (Humberto Albuquerque).
Manter nosso coração limpo, para não perder a Presença, é nosso alvo! Provérbios 4.23 é muito claro quando diz:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
Segundo o dicionário, pureza é transparência; limpeza; nitidez; condição, estado ou qualidade do que é puro, límpido, não tem mistura ou impurezas. E dá muito mais trabalho manter algo limpo e organizado. É necessário ter isso como objetivo! E se tem alguém que entende sobre alvo é um franco atirador ou sniper, como o Wali, que tem ajudado a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Esse homem quebrou o recorde mundial ao abater um alvo do Estado Islâmico a impressionantes 3,5km de distância, em combate no Iraque no ano de 2017.
Nosso alvo deve ser parecer com Jesus a cada dia e, para isso, devemos desenvolver a habilidade de, ao menor sinal de perigo, eliminar o que compromete nossa vida e propósito. Devemos ser exímios em proteger nosso coração, como um sniper mira no seu alvo! Nesse sentido, creio que devemos estar em contínua busca por quebrar os nossos próprios recordes, superando-nos a cada dia em eliminar qualquer ameaça para o nosso coração (mágoa, intolerância, soberba, julgamentos, ansiedade, preocupação, entre outros), que tão sutilmente nos cercam, pondo em risco a nossa permanência na presença de Deus. É disso que precisamos: mantermo-nos na Presença, recebendo da vida que há nela! Jesus falou isso a Maria em visita à sua casa, enquanto sua irmã Marta se importava em servi-Lo: “Apenas uma coisa é necessária. Quanto a Maria, ela fez a escolha certa, e ninguém tomará isso dela” (Lucas 10.42).
Finalizo com este breve relato: há alguns anos, pude visitar o Cânion de Xingó, no Canindé do São Francisco. É um lugar belíssimo (vale a pena dá um Google!). O acesso se dá em um dos braços do rio. Parece um lugar secreto, cercado por paredões que fazem contraste com o maravilhoso verde da água do Velho Chico, com cerca de 15 metros de profundidade. A sensação que vivi enquanto estava ali era de paz, plenitude total. Não queria sair nunca mais dali! Pude ouvir nitidamente do Espírito Santo, que me falou docemente: “Na minha presença, existe um lugar como esse para você. Esse é o lugar no qual o chamei para viver 24 horas do seu dia, esse é o lugar de que falo no Salmo 91, onde você encontra plenitude e propósito”.
Assim como Maria experimentou, é impossível que alguém roube de nós as experiências que vivenciamos na presença de Deus. Os talentos e dons que recebemos não são para fins egoístas, mas para parecer com Jesus cada dia mais. Com essa consciência, a motivação correta mantém puro nosso homem interior e garantimos o “ingresso” de permanecer na santa e tão necessária presença de Deus, onde tudo faz sentido, e nada mais importa!















